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Entrevista com o Dr. Paulo Miranda, presidente e fundador do INB

terça-feira, julho 26, 2011 0 Comentários


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Dr. Paulo Miranda          Biomédico pela UFPE. Especializações: Microbiologia e Imunologia na UFRJ; Imunologia avançada no I. Pasteur; Radioimunoensaio na UFPE; Serviço de Saúde pelo MEC/UFPE; Imunocitoquímica e Imunologia Celular na Univ. de Keio, em Toquio-Japão; Fellow do Lab. de Imunomodulação do NIH/EUA.

          Diretor do Centro Médico de Imunologia e Diagnóstico em Recife-PE.  Mestrado em Patologia pela UFPE. Doutorando em Medicina Tropical pela UFPE e inúmeras publicações nacionais e internacionais.

Foi também Conselheiro titular do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) onde ocupou por mais de uma década, cargos como o de Vice-Presidente e Secretário Geral. Fundador do Instituto Nacional de Biomedicina (INB).

Atividades atuais: Coordenador do Curso de Biomedicina da UFPE em Exercício, Professor Adjunto do Departamento de Patologia da UFPE, das Disciplinas de Administração em Serviços de Saúde, Imunologia e Tópicos Avançados em Laboratório Clínico. Ocupa a Presidência do Instituto Nacional de Biomedicina e a Diretoria Científica da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas, Regional-PE. É também  Analista em Saúde da Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco e Membro do Conselho Municipal de Saúde do Paulista-PE.

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BLOG: Por que o Sr. escolheu biomedicina?
DR. PAULO MIRANDA:
Na verdade, quando entrei na Universidade Federal de PE, fui fazer o Curso de Odontologia. Mas, após 04 semestres, descobri o Curso de Biomedicina, antigamente chamado Ciências Biológicas-Modalidade Médica, que embora ainda não reconhecido na época, apresentava uma  proposta que atendia todas minhas expectativas, principalmente na área de Ensino, Pesquisa e Analises Clínicas. Mesmo sabendo das dificuldades iniciais pela não regulamentação, não tive dúvidas! Mudei para Biomedicina e desde já comecei a lutar pela regulamentação do Curso, o que felizmente aconteceu  uma década depois. Sempre fui de enfrentar desafio, e esse foi o que me deu mais prazer. Interferiu na vida profissional de dezenas de milhares de colegas e principalmente porque me proporcionou a realização  plena na minha vida profissional.

BLOG: De onde veio a ideia de criar o Instituto Nacional de Biomedicina (INB)?
DR. PAULO MIRANDA:
Fui por muitos anos, membro do CFBM, onde ocupei a Vice-Presidência, Secretário Geral e pude substituir o Presidente em algumas oportunidades. Entretanto, desde sua criação, não me sentia a vontade principalmente por ser escolhido/indicado apenas por 04 pessoas, eleições indiretas (Representantes dos CRBMs-nosso colégio eleitoral), em vez de eleições diretas como existem em outros Conselhos. Também, sempre defendi a participação feminina e a transparências de todas as ações, disponibilização pública das atas e prestação de contas, o que não acontece até hoje, mesmo sendo obrigação dos órgão públicos.

Outro, devido à essa luta e  missão democrática na Biomedicina, muitos colegas me estimularam a fundar uma Instituição que fosse descentralizadora, democrática, mais interativa com todos os segmentos acadêmicos e profissionais da Biomedicina e acima de tudo fosse um fórum permanente de discussão para a consolidação, crescimento e uma verdadeira integração entre os acadêmicos e profissionais Biomédicos de todos os Municípios, Estados e Regiões do País. Infelizmente hoje, no Conselho Federal, apenas 05 estados estão representados ( SP-04, PE-02, GO-1, TO-01, PA-02),  e sem qualquer representação feminina. Então, o INB foi fundado visando contribuir para promoção de maior integração, democratização, descentralização, aperfeiçoamento profissional, divulgação e consolidação da profissão Biomédica.

BLOG: Qual o papel do INB?
DR. PAULO MIRANDA:
O INB é uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos ou econômicos. Entre outros objetivos, tem o INB, o compromisso com a promoção, o aprofundamento e  a sistematização das reflexões sobre as questões de saúde no País objetivando estimular o compromisso da Biomedicina com a realidade social brasileira.

O INB tem ainda como objetivos: o desenvolvimento de linhas de ação, estudos e pesquisas científicas, visando contribuir para a formação de uma consciência Biomédica voltada para a cidadania socioambiental e os direitos humanos; o assessoramento, a formação e a capacitação de organizações de base comunitária, como pessoas físicas e jurídicas, na defesa da saúde; o patrocínio de pesquisas biomédicas, estudos e trabalhos de ciência política, econômica e social; a realização e a promoção de cursos, simpósios, seminários, palestras, oficinas e eventos visando o aperfeiçoamento profissional e o bem estar social; Integrar e consolidar as ações  biomédicas entre outros.

BLOG: Quem pode ser sócio do INB?
DR. PAULO MIRANDA: Acadêmicos e Profissionais Biomédicos, pessoas físicas ou jurídicas identificadas com os objetivos do INB (sócios colaboradores).

BLOG: Como o Sr. enxerga  a biomedicina e o que pode ser feito para melhorar a inserção no mercado de trabalho dos jovens recém formados?
DR. PAULO MIRANDA: Vejo hoje a Biomedicina como uma profissão em ascensão, o que pode ser comprovado pelo significativo crescimento do número de cursos no Brasil. Temos hoje, talvez, mais cursos de Biomedicina do que cursos de Medicina no País. Da década de 60 para cá, tivemos uma expansão de 04 para mais de 180 curso cadastrados no MEC.

Entendo que já chegou o momento das Instituições Biomédicas do País ( Conselhos, Sindicatos e INB ) começarem em conjunto, a se preocupar e melhor avaliar a abertura desenfreada de novos cursos. Sou da opinião que devemos consolidar e fortalecer os já existentes, sem entretanto impedir e/ou dificultar  a abertura de novos cursos de excelente qualidade, principalmente em regiões ainda carentes de profissionais biomédicos.

BLOG: Na sua opinião, quais características um profissional deve ter para se dar bem no mercado?
DR. PAULO MIRANDA:

a) Ter um bom perfil acadêmico generalista;
b) Iniciar  atividades de estágio o mais precocemente possível em empresas de grande credibilidade e importância local, regional e/ou nacional;
c) Iniciar curso de pós-graduação logo após a conclusão da graduação;
d) Saber bem uma língua estrangeira, além do inglês.
e) Participar de eventos científicos ligados a sua área de atuação.

BLOG: Qual a dica que o Sr. dá para quem irá se tornar um biomédico?
DR. PAULO MIRANDA:

a) Conduzir todas as suas atividades profissionais dentro do mais alto rigor científico, ético e moral;
b) Estudar muito;
c) Se integrar aos Centros acadêmicos, participando das atividades e discussões sobre o andamento do Curso;
d) Começar a estagiar logo nos primeiros semestres, até o final do Curso;
e) Se integrar em grupos de pesquisa produtivos para desenvolver sua iniciação científica;
f) Participar de  monitorias para desenvolver aptidões docentes e de pesquisa;
g) Participar de eventos acadêmicos e científicos, preferentemente  apresentando trabalhos sempre que possível;
Mas, de uma maneira geral, identifico também algumas aptidões importantes ao biomédico como:

• Ser dotado de espírito crítico e responsabilidade que lhe permita uma atuação profissional consciente, dirigida para a melhoria da qualidade de vida da população humana;

• Raciocínio dinâmico, rápido e preciso na solução de problemas dentro de cada uma de suas habilitações específicas;

• Avaliar e responder com senso crítico as informações que estão sendo oferecidas durante a graduação e no exercício profissional;

• Assimilar as constantes mudanças conceituais e evolução tecnológica apresentadas no contexto mundial;

• Exercer, além das atividades pertinentes à profissão, o papel de educador, gerando e transmitindo novos conhecimentos para a formação de novos profissionais e para a sociedade como um todo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sou daqueles que não desiste fácil no que acredito ser o melhor para nossa profissão. Afinal de contas:

Eu sou de Pernambuco,
Sou de Casa Forte,
Eu sou Biomédico,
Sou Leão do Norte

                            (Adpt Lenine).

Portanto,  ainda  temos muitos desafios a vencer. Com a união, determinação e trabalhos de todos, haveremos de:

- Ampliar nosso mercado de trabalho;
- Conseguir Melhoria Salarial da Categoria;
- Consolidar os Cursos e as atuais  Instituições Biomédicas;
- Promover mais Cursos de Pós-Graduação nas áreas de habilitação Biomédica;
- Lutar pela Carga horária mínima de 4.000 horas;
- Lutar por Eleições Diretas para o Conselho Federal e abertura de novos Regionais;
- Ter Representação de todos os Estados no Conselho Federal; 
- Ter Representação de todos os Estados da área de jurisdição dos Regionais; 
- Ter Representação  Equânime dos Estados nos Conselhos de Biomedicina;
- Ter Representação feminina no Conselho Federal;
- Ter Maior representação feminina nos Conselhos Regionais.

Saudações Biomédicas,
Prof. Paulo Miranda

AGRADEÇO AO PROF. PAULO MIRANDA PELA EXCELENTE ENTREVISTA

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Brunno Câmara Biomédico

Biomédico, CRBM-GO 5596. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast (biomedcast.com).