Por que mosquitos não morrem com o sangue quente

Por Brunno Câmara - sexta-feira, dezembro 16, 2011


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Uma refeição com sangue quente deveria desnaturar as enzimas digestivas, mas outras moléculas protegem esses componentes

Mosquitos matêm a temperatura de seu corpo perto de 21ºC. Mas quando um mosquito suga o sangue quente, a temperatura de seu corpo eleva-se rapidamente. É como se ele desenvolvesse uma febre altissíma quase que instaneamente. Este aquecimento repentino pode desnaturar sua maquinária digestiva. Mas ao invés de alimentarem-se apenas de animais de sangue frio, eles desenvolveram uma maneira de vencer o calor.

É o que diz um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. [Joshua Benoit et al., "Drinking a hot blood meal elicits a protective heat shock response in mosquitoes"].

Como a temperatura corporal do mosquito eleva-se durante sua quente refeição, seus intestinos estão cheios de uma substância chamada de PROTEÍNA DO CHOQUE TÉRMICO 70, em inglês: heat shock protein 70 (Hsp70). Essa proteína do choque térmico atua como uma espécie de chaperona, evitando que as enzimas digestivas sejam desnaturadas, e levando as estragadas para o “lixo”. Outros sugadores de sangue como percevejos também produzem proteínas do choque térmico – como nós, durante uma febre.

Mas quando os pesquisadores bloquearam a produção das proteínas e deixaram os mosquitos fazerem a festa, o sangue ficou mais tempo nos intestinos dos insetos. Isso indica que a digestão dos mosquitos ficou comprometida. E como resultado, a produção de ovos caiu 25%. Assim, os pesquisadores que procuram reduzir as populações de mosquitos podem tentar descobrir uma maneira de fazer com que eles tenham problemas para digerir uma refeição quente.

Mosquito Biochemistry Lets Them Handle Hot Blood <http://migre.me/7beRh>

Brunno Câmara Autor

Brunno Câmara - Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Docente do Ensino Superior dos cursos de graduação em Biomedicina e Farmácia. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Mestrando no Programa de Pós-graduação em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública - UFG (IPTSP-UFG). Coordenador e docente do curso de pós-graduação em Hematologia e Hemoterapia da AGD Cursos. Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast.

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