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Como um garoto de 15 anos inventou um método de diagnóstico para câncer

terça-feira, fevereiro 11, 2014 0 Comentários


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Jack Andraka
Imagem: TED

Depois que um amigo da família morreu de câncer de pâncreas, Jack Andraka, na época com 15 anos, ficou inconformado com o que aconteceu. Então ele começou a pesquisar na internet para ver se achava uma explicação.

E Andraka descobriu que mais de 85% dos cânceres pancreáticos são diagnosticados tardiamente, quando as chances de sobrevivência são bem pequenas. O que acontece é que o diagnóstico deste tipo de câncer só é feito quando os níveis de algumas enzimas e proteínas estão muito elevados no sangue.

Ele achou um artigo listando mais de 8.000 proteínas encontradas quando se tem câncer no pâncreas. Então ele decidiu ir em busca de uma dessas proteínas que poderia ser um possível biomarcador para o câncer pancreático. Os critérios escolhidos foram: a proteína tinha que estar presente em todos os tipos de cânceres pancreáticos, seus níveis deveriam estar elevados na circulação sanguínea nos estágios iniciais e só poderia estar presente no câncer.

Depois da 4.000ª tentativa ele conseguiu achar uma proteína com essas características. Seu nome: mesotelina. Uma proteína simples e comum, a não ser quando se tem câncer de pulmão, ovário e de pâncreas, em que seus níveis estão altamente elevados. A parte importante dessa proteína é que ela é encontrada nos estágios iniciais da doença, quando as chances de cura são quase 100%.

Isso tudo ele descobriu em um local meio fora do habitual: na sala de biologia de sua escola.

Na época, também começou a ler sobre nanotubos de carbonos e também anticorpos, em um artigo passado nas aulas de biologia. Então ele teve a ideia: e se esses nanotubos fossem combinados com anticorpos para formar uma rede que só reagiria com um único tipo de proteína?

Mas como colocar essa ideia em prática? Certamente não seria na escola. Então Andraka decidiu ir em busca de um laboratório de pesquisa. Ele mandou e-mail para 200 professores da Universidade Johns Hopkins e Institutos Nacionais de Saúde (National Institutes of Health [NIH]).

No decorrer de um mês, recebeu 199 rejeições. Porém, um professor retornou dizendo que talvez fosse possível ajudá-lo. Passado três meses ele foi ao laboratório do professor, que junto com outros colegas começou um verdadeiro interrogatório. Finalmente Andraka conseguiu um espaço no laboratório para colocar em prática sua pesquisa.

O resultado

Um pequeno sensor de papel, custando três centavos e cinco minutos para realizar o exame. Um teste mais barato, mais rápido e, mais importante, 400 vezes mais sensível do que os testes existentes para detecção de câncer de pâncreas. Com 100% de precisão, o teste pode detectar o câncer nos estágios iniciais.


Jack segurando sua invenção, o sensor. Imagem: jackandraka.net

O que ele quer agora é ver se é possível fazer o mesmo para outras doenças, mudando o anticorpo e a molécula alvo do sensor.

A lição

Através da internet tudo é possível. Teorias podem ser compartilhadas, e você não precisa ser um pesquisador com múltiplas titulações para validar suas ideias.

Não importa sua aparência, idade ou gênero. São suas ideias que contam. Basta você olhar com outros olhos. Você poderia estar mudando o mundo.

Se um garoto de 15 anos, que nem sabia o que era um pâncreas, pode encontrar uma nova maneira de detectar um câncer, imagine o que você pode fazer.

Você pode assistir o vídeo dele falando aqui.

Brunno Câmara Biomédico

Biomédico, CRBM-GO 5596. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast (biomedcast.com).