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O futuro da Microbiologia Clínica

segunda-feira, novembro 24, 2014 0 Comentários


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O futuro da Microbiologia Clínica/Biologia Molecular

Assim como qualquer outra área da biomedicina, a microbiologia não poderia ficar de fora das inovações tecnológicas. Pensei em fazer um post sobre isso após assistir a palestra da Dra. Juliana Lamaro, na II Semana do Biomédico do HC-UFG.

O tema foi sobre a importância do laboratório de microbiologia  clínica no diagnóstico e controle das infecções em serviços de saúde. E o que ficou bem claro nessa palestra é que o futuro da microbiologia clínica são os testes moleculares. Para se ter uma ideia, atualmente é muito difícil um trabalho científico inédito nessa área ser publicado se não forem utilizadas ferramentas moleculares na caracterização dos micro-organismos.

As infecções por bactérias multiresistentes são o terror de qualquer hospital, e muito se tem feito na tentativa de diminuir os índices de morte por esses micro-organismos. O problema é que eles evoluem mais rápido do que as novas tecnologias chegam aos laboratórios de microbiologia no Brasil. Geralmente, laboratórios dentro de hospitais de referência têm acesso à automação, mas mesmo essa tecnologia está se tornando ultrapassada em comparação aos países desenvolvidos.

Biologia Molecular

A PCR (Polymerase Chain Reaction - Reação em Cadeia de Polimerase) tem sido reconhecida mundialmente como um dos progressos científicos mais importantes da nossa geração. A grande sensibilidade e especificidade da técnica de PCR permite diagnosticar, de forma precoce, os agentes infecciosos, monitorar a progressão da doença e a resposta à terapêutica.

Outra ferramenta utilizada é a PFGE  (pulsed field gel eletrophoresis), técnica de eletroforese para separar grandes fragmentos de DNA, por meio da reorientação do DNA em gel pela ação de campos elétricos alternados. Esta técnica é reconhecida como padrão ouro para identificação de linhagens bacterianas, fúngicas e de protozoários.

PFGE
PFGE  (source)

Exemplo de uma PFGE; Staphylococcus aureus resistente.
Exemplo de uma PFGE; Staphylococcus aureus resistente.

Através da biologia molecular pode-se perceber, por exemplo, mutações mínimas em cepas de micro-organismos ou outras características que não seriam possíveis de se observar utilizando os métodos tradicionais fenotípicos. Outra importante vantagem é que a técnica é muito mais rápida que uma cultura, visto que cada hora é essencial aos pacientes acometidos por esses micro-organismos.

Métodos atuais e antimicrobianos

Não que devemos abandonar os testes fenotípicos, pois eles ainda são muito úteis. Porém, como já sabemos, cada vez mais estamos ficando sem opções de antimicrobianos contra micro-organismos multiresistentes, e pior que isso, o desenvolvimento de novos antibióticos está a passos lentos. Por isso as técnicas de biologia molecular devem ser implantadas para fornecer um diagnóstico correto, da espécie certa, no tempo certo e, ainda, fornecer informações sobre o perfil de sensibilidade de cada cepa.

Em conclusão, se você não gosta de biologia molecular, está em sérios apuros (rsrs). Muitas áreas já estão utilizando-a para detectar mutações genéticas e assim poder aplicar a terapêutica personalizada, e a microbiologia não poderia ficar de fora. Se você está ainda na graduação, aproveite para dar mais ênfase nessa matéria, independente da habilitação que você for seguir depois de formado.

Referência

Magalhães, VD et al. Eletroforese em campo pulsante em bacteriologia – uma revisão técnica. Rev Inst Adolfo Lutz, 64(2):155-161,2005.<link>

Brunno Câmara Biomédico

Biomédico, CRBM-GO 5596. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast (biomedcast.com).