Novos parâmetros da Perícia Criminal na investigação de homicídios

Por Brunno Câmara - segunda-feira, outubro 05, 2015


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Em investigações de homicídio, o tempo é crucial. Após 36 horas da morte, fica muito difícil coletar amostras devido à decomposição e outros fatores físicos limitantes.

Cientistas estão tentando descobrir novos parâmetros para investigações de morte. Um deles é a análise da modificação de enzimas e proteínas musculares; outro, a mudança de cor das manchas de sangue.

O método de análise de proteínas musculares foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Salzburg, Áustria. Observando a decomposição de proteínas e enzimas em porcos mortos, eles conseguiram estimar a hora da morte com precisão de até 240 horas. Outras moléculas naturais, como tropomiosina e actina, podem fornecer uma precisão de tempo de morte ainda maior.

Outra tecnologia forense proposta, que pode ajudar os peritos, é a espectrometria de luz. Apesar de serem estudadas por mais de 100 anos, resultados das análises da mudança de cor das manchas de sangue são tão variáveis que, geralmente, não são consideradas nos tribunais.

A cor fornece mais dados úteis do que muitos pensam. A espectrometria é uma técnica valiosa em muitas áreas, desde descobrimentos de novas drogas a monitoramento ambiental. Espectrômetros se tornaram instrumentos indispensáveis. Porém, eles tendem a ser caros e complexos. Os mais precisos são muito grandes para serem usados no local de um crime, por exemplo.

Agora, cientistas construíram um espectrômetro ótico que é pequeno, poderoso, e potencialmente barato. O estudo é um trabalho colaborativo entre a Universidade de Beijing, MIT e Instituto de Tecnologia da Califórnia.

As imagens são capturadas com uma câmera de smartphone. Essa câmera é convertida em um espectroscópio usando uma suspensão de partículas chamada de pontos coloidais quânticos (colloidal quantum dots). Quando expostas à luz, essas pequenas partículas produzem cores vívidas, com o tamanho e tonalidade determinadas pelo tamanho da partícula. Com a mistura certa de partículas, uma camada pode ser aplicada, filtrando e analisando o comprimento de onda (consequentemente a cor) da luz que entra.

A mudança da cor da mancha de sangue, na cena do crime, então, pode ser analisada e a hora da morte pode ser estimada, com o auxílio dessa nova tecnologia.

Esperamos que essas tecnologias comecem a ser utilizadas o mais breve possível, e que cheguem ao Brasil, melhorando e acelerando a identificação dos indivíduos vítimas de homicídios.

Referências

A colloidal quantum dot spectrometer – Link

Scientists Pinning Time of Death Using Muscle Proteins, Blood Color – Link

Brunno Câmara Autor

Brunno Câmara - Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Docente do Ensino Superior dos cursos de graduação em Biomedicina e Farmácia. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Mestrando no Programa de Pós-graduação em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública - UFG (IPTSP-UFG). Coordenador e docente do curso de pós-graduação em Hematologia e Hemoterapia da AGD Cursos. Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast.

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