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Como a sua doação de sangue pode ajudar até 4 vidas

quarta-feira, junho 08, 2016 0 Comentários


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Juliana (nome fictício) tem 9 anos de idade e está há 5 anos lutando contra uma leucemia.

Ela e sua família moram na zona rural, e precisam ir para a capital toda semana para realizar seu tratamento. A pequena Ju está internada na UTI e sua saúde depende de doações de sangue, pois a cada 12 horas ela precisa de 6 concentrados de plaquetas.

O problema é que já faz uma semana que não há estoque de bolsas no banco de sangue.

Essa é apenas uma história dentre milhares de outras. Só quem já viveu ou conviveu com pacientes nessa situação para saber a importância que uma doação tem na manutenção da vida.

Ter a doença já é complicado; não poder ter o tratamento adequado é pior ainda.

Você sabia que no dia 14 de junho é comemorado o Dia Mundial do Doador de Sangue?

Criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o objetivo desse dia é homenagear e agradecer a todos os doadores que ajudam a salvar vidas diariamente.

O dia foi escolhido por causa do aniversário do cientista Karl Landsteiner, que ganhou o prêmio Nobel pela descoberta do sistema de grupos sanguíneos ABO.

Como a sua doação ajuda até 4 vidas

Depois que você realiza a doação, seu sangue é separado em componentes. Cada bolsa de sangue doada, dá origem a 4 hemocomponentes. Cada um deles pode ir para um paciente diferente.

Veja o que é e para que serve esses hemocomponentes.

Concentrado de Hemácias (CH)

Depois de centrifugar a bolsa de sangue, as hemácias se concentram no fundo. É a parte vermelha.

Logo após, essas hemácias são separadas do plasma, que vai para outra bolsa.

O CH é utilizado em pacientes cujo organismo está com deficiência de oxigênio, devido a diminuição da concentração de hemoglobina. Isso pode ocorrer por exemplo em pessoas que perderam muito sangue ou que estão com deficiência na produção de novas hemácias, por exemplo numa aplasia de medula óssea ou leucemia.

Concentrado de Plaquetas (CP)

Depois de separar as hemácias do plasma, é hora de separar as plaquetas do plasma. Para isso, a bolsa é novamente centrifugada.

O CP é utilizado para pacientes que tenham contagens de plaquetas muito baixas ou portadores de disfunção plaquetária. Também pode ser utilizado como prevenção de sangramento em casos de procedimentos invasivos nesses pacientes com poucas plaquetas, como uma cirurgia.

Para um paciente adulto, são necessários de 7 a 10 bolsas de CP por transfusão. Ou seja, são necessários de 7 a 10 doadores para cada paciente.

Existe uma outra maneira de conseguir plaquetas. É um procedimento chamado Aférese. Nesse caso, a quantidade de plaquetas retiradas do doador equivale àquelas 7-10 bolsas obtidas através da bolsa de sangue total.

Isso é excelente para evitar que o paciente desenvolva anticorpos irregulares e reações imunológicas. E o doador não precisa esperar vários meses para doar as plaquetas novamente.

Plasma Fresco Congelado (PFC)

O plasma pobre em plaquetas é o que sobra quando retiramos as plaquetas. Ele contém água, proteínas e íons, dentre outros. É conservado a temperatura inferior a -20º C e contém todas as proteínas (fatores) da coagulação sanguínea. O volume médio de uma bolsa de plasma fresco congelado é em torno de 200 mL.

O PFC é utilizado para transfusão em casos de sangramento, deficiência de fatores de coagulação (quando não há disponível o hemoderivado de um fator específico) ou prevenção de sangramentos antes de procedimentos invasivos nestes pacientes.

Além disso pode ser utilizado em alguns procedimentos de plasmaférese terapêutica como para tratamento de Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT), na coagulação intravascular disseminada (CIVD), reversão de efeito de anticoagulante cumarínico, sangramento por deficiência de fatores vitamina K dependentes no RN e em casos de transfusão maciça.

Crioprecipitado (CRIO)

O CRIO é obtido do descongelamento de 1 bolsa de Plasma Fresco Congelado a 4° C. É o sobrenadante, e contém os fatores de coagulação XIII, VIII, Fator de von Willebrand e fibrinogênio.

É utilizado no sangramento ativo ou preventivo em caso de procedimentos invasivos em casos de:

  • Hipofibrinogenemia ou disfibrinogenemia;
  • Deficiência de Fator XIII da coagulação;
  • Doença de von Willebrand quando não responsivo ao DDAVP;
  • Sangramento microvascular difuso com fibrinogênio < 100 mg.

Apesar desses casos, a utilização do CRIO só é recomendada quando não se tem disponível o hemoderivado (produto purificado e liofilizado) do fator específico.

Como fazer para doar sangue

(Imagem: araucaria.pr.gov.br)

O ato de doar sangue deve ser altruísta e voluntário, por isso não aceite nada em troca. Não vá para ganhar um dia de folga ou para fazer exames. Doação de sangue não é para isso.

Procure saber onde é o hemocentro ou banco de sangue da sua cidade. Leve sua identidade e você passará por uma triagem para ver se está apto a doar.

Não precisa estar em jejum.

Do mesmo modo que alguém está precisando da sua doação agora, lá na frente pode ser você a precisar.

O material utilizado é descartável e não há risco de contrair doenças durante a doação. Sempre que você doa o sangue é submetido a rigorosos testes laboratoriais.

São tirados cerca de 450 mL de sangue, procedimento que demora poucos minutos. O volume colhido não faz falta ao doador e o organismo se encarrega, rapidamente, de sua reposição.

E você, já doou sangue?

Se sim, conte para a gente como foi a experiência. Qual a sensação de poder ajudar outras vidas?

Se não, conte quais os motivos que te levam a não doar. É receio da agulha? É alguma história que te contaram? É a religião?

Referências

Fundação Hemominas e ANVISA

Brunno Câmara Biomédico

Biomédico, CRBM-GO 5596. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast (biomedcast.com).