Diphyllobothrium latum: a tênia do peixe

quarta-feira, junho 28, 2017 0 Comentários


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Diphyllobothrium latum

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Além de espécies já conhecidas de tênias, como a Taenia solium (porcinos) e Taenia saginata (bovinos), existem também o Diphyllobothrium latum, conhecido como a tênia do peixe, considerado o maior cestoide parasito do homem.

Esse parasito causa a difilobotríase, que além do quadro clínico comum às outras teníases, pode apresentar anemia perniciosa devido a falta de vitamina B12.

O D. latum tem entre 3 e 10 metros de comprimento, podendo chegar a 15 metros.

Ciclo biológico

O parasito adulto elimina cerca de um milhão de ovos diariamente. Esses ovos, em contato com água limpa, começam a embrionar e, após dez dias ou mais, uma larva, chamada coracídio, é produzida.

O coracídio eclode e começa a nadar até que seja ingerido por seu primeiro hospedeiro intermediário, que são artrópodes dos gêneros Cyclops e Diaptomus. Dentro desses, forma-se uma larva sólida e alongada.

O ciclo prossegue quando esses artrópodes são comidos por um peixe, seu segundo hospedeiro intermediário. No intestino deles, a larva atravessa a mucosa e invade os músculos, as vísceras ou o tecido conjuntivo do peixe, e formam-se em um organismo vermiforme maior, o espargano.

Ao fim de três meses, o espargano cresce até cerca de 3 a 5 centímetros, e quando o peixe é ingerido pelo hospedeiro definitivo, que pode ser o homem ou certos mamíferos que se alimentam de peixes, transforma-se em verme adulto.

No homem, o adulto localiza-se principalmente no jejuno. Seu crescimento é rápido, com cerca de 30 proglotes novas produzidas pro dia. Após um mês, a tênia já mede 1,5 metros de comprimento. Ela pode viver de 10 a 30 anos.

Transmissão

O parasito é adquirido pelo homem, então, quando esse alimenta-se com peixes, como salmão e truta, crus ou mal cozidos.

Apesar disso, o homem é um hospedeiro ocasional e não participa do ciclo que assegura a existência do D. latum.

Patologia

Há desde pacientes assintomáticos na infecção pelo D. latum até aqueles que têm sintomatologia semelhante a produzida por Taenia spp.

O parasito tem a capacidade de absorver intensamente a vitamina B12, provocando em alguns casos anemia macrocítica.

O diagnóstico é feito através da pesquisa de ovos não embrionados nas fezes e, eventualmente, proglotes eliminadas.

O tratamento é feito com praziquantel ou com niclosamida, da mesma forma que nas infecções por Taenia spp.

Referência: REY, L. Bases da parasitologia médica. Guanabara Koogan, 3ª ed. | Imagens: CDC

Brunno Câmara Biomédico

Brunno Câmara - Biomédico, CRBM-GO 5596. Mestrando no Programa de Pós-graduação em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública - UFG (IPTSP-UFG). Coordenador do curso de pós-graduação em Hematologia e Hemoterapia da AGD Cursos. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast.