Estudantes de Biomedicina criam a Liga Acadêmica de Reprodução Humana Assistida (LARHA)
A Liga Acadêmica de Reprodução Humana Assistida (LARHA) da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID) é uma entidade sem fins lucrativos, com duração ilimitada e caráter disciplinar. Organizada pelos acadêmicos do Curso de Biomedicina, podendo haver membros das graduações em biomedicina, ciências biológicas, medicina, nutrição, enfermagem, e radiologia da instituição vigente.
Nós visamos cumprir objetivos de ensino, pesquisa e extensão acadêmica, de forma integrada, trabalhando em prol da comunidade e da divulgação e atualização do conhecimento científico como um todo.
Para isso, complementamos o aprendizado acadêmico dos graduandos permitindo a compreensão fina dos mecanismos moleculares fisiológicos e patológicos relacionados à embriogênese e desenvolvimento embrionário, além das técnicas utilizadas na reprodução humana assistida, tanto as convencionais, quanto as mais modernas.
Estimulamos a elaboração, estudo e discussão de trabalhos e pesquisas científicas que possam aprimorar a formação acadêmica dos membros da Liga. Fazemos a organização e participação de cursos, palestras, jornadas, congressos, simpósios e outras atividades informativas relacionadas com as áreas de atuação da liga.
Por ser uma liga extremamente jovem, sendo fundada no segundo semestre do ano de 2017, ainda estamos planejando e desenvolvendo de muitas destas atividades, bem como o apadrinhamento de uma ONG. Além disso, estamos desenvolvendo um projeto de impacto social, alertando e informando a sociedade sobre os problemas de infertilidade e as opções de tratamento, e prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis.
Curtam a página no facebook - facebook.com/ligadereproducaohumanaunicid
Instagram - instagram.com/larha_unicid/
Email para contato: larha.unicid@gmail.com
Fertilização in vitro com DNA de 3 pais
Um bebê nasceu utilizando o DNA de três pessoas. Ele foi o primeiro caso de sucesso de uma nova técnica que pode mudar a vida de diversas pessoas que querem ter filho, mas possuem doenças genéticas raras que podem afetar o feto.
O pai e a mãe do bebê já haviam perdido duas crianças devido a uma doença genética rara chamada Síndrome de Leigh. A mãe carregava genes para essa doença no seu DNA mitocondrial. Enquanto nós herdamos DNA de ambos os pais, o DNA mitocondrial é apenas herdado da mãe.
Então, para evitar esta transmissão vertical, cientistas utilizaram a mitocôndria de um óvulo de outra mulher (doadora anônima).
Para saber mais ouça o #10 Biomed Express – Fertilização In Vitro com DNA de 3 Pais (biomedcast.com/e10)
Gostou? Curte aí a página do Biomedcast no Facebook: facebook.com/biomedcast
Clique aqui para ouvir no seu iPod, iPhone e iPad
Acesse o site: www.biomedcast.com
Entrevista sobre Reprodução Humana Assistida com a Biomédica Aline Bomfim
Confira a entrevista com a Biomédica Aline Bomfim que atua na área de Reprodução Humana Assistida.
Conte-nos um pouco da sua trajetória acadêmica e profissional.
Aline Bomfim: Eu me formei em 2011 na Faculdade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC em Ipatinga/MG, o que foi um grande privilégio ter o curso de Biomedicina na cidade onde eu morava. Fiz minha especialização em Reprodução Humana Assistida na Associação Instituto Sapientiae em São Paulo/SP, um curso de 12 meses, concluído em 2012, em uma instituição de renome na área, o que fez valer o esforço das viagens mensais para São Paulo. Durante a especialização, iniciei um estágio na Clínica Pró Vida Medicina Reprodutiva em Ipatinga/MG, onde trabalhei por dois anos com uma excelente equipe de profissionais e adquiri toda experiência que tenho hoje na área. Porém, sempre tive muita afinidade pela área acadêmica, o que me fez buscar algo a mais para minha carreira, foi então que em 2014 me mudei para Ribeirão Preto/SP para iniciar meu mestrado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP).
Como você conheceu a área de RHA?
Aline Bomfim: Eu conheci a Reprodução Humana Assistida (RHA) em um curso sobre a área durante a graduação e foi “amor à primeira vista”, fiquei encantada com a possibilidade de poder ajudar as pessoas a realizarem o sonho de ter filho. Naquele momento tudo ainda era muito novo pra mim, mas ao mesmo tempo fascinante, pois ainda não tinha nenhuma área na Biomedicina que me interessava verdadeiramente. Desde então procurei me informar à respeito de locais de especialização, custos, remuneração, mercado de trabalho, me preparando para que ao final da graduação logo conseguisse seguir esse caminho.
Quais são as atribuições do biomédico nessa área?
Aline Bomfim: As atribuições do biomédico nessa área são diversas, desde a realização de um espermograma, até o acompanhamento do desenvolvimento embrionário. Na RHA, na maioria das vezes, os laboratórios se dividem em Andrologia e Embriologia, que são responsáveis pela realização de exames que avaliam a qualidade do sêmen, e a manipulação de gametas e embriões, respectivamente. Os profissionais da área, chamados Embriologistas, podem atuar em um dos laboratórios ou em ambos, dependendo da organização de cada clínica.
No laboratório de Andrologia, o exame mais rotineiro é o espermograma, que avalia características relevantes do sêmen. Além disso, é realizado o preparo do sêmen para as técnicas de RHA e uma série de testes funcionais que não são necessariamente realizados na rotina laboratorial, mas são úteis em certos casos diagnósticos e podem ser feitos em algumas clínicas. No laboratório de Embriologia, procura-se mimetizar in vivo o que acontece in vitro, portanto é um local que depende de um rigoroso controle de qualidade, pois ocorre a micromanipulação de gametas masculino e feminino, a fim de realizar a fertilização e o desenvolvimento de um embrião, até o momento da sua transferência para o útero da mulher.
O que o biomédico não pode fazer na RHA?
Aline Bomfim: O biomédico não pode fazer na RHA os procedimentos clínicos que são de competência médica. Para iniciar o tratamento, o médico avalia o casal a fim de encontrar a causa da infertilidade, para tanto se solicita uma série de exames, em sua maioria de responsabilidade médica. A partir daí, o médico indica o melhor tipo de tratamento para o paciente, que começa com intervenções farmacológicas, clínicas ou até mesmo cirúrgicas, todas acompanhados pelo médico até o dia do procedimento, que pode ser de baixa complexidade com o depósito dos espermatozoides dentro do útero, ou de alta complexidade com a retirada dos óvulos de dentro da mulher e ao final a transferência dos embriões para o útero. Também é de responsabilidade médica acompanhar o resultado do teste de gravidez e a confirmação por meio de ultrassonografia.
Você considera a RHA um campo ainda muito fechado para o biomédico?
Aline Bomfim: Acredito que a RHA já foi um campo fechado para o biomédico, porém atualmente com a saturação de algumas especialidades biomédicas, acompanhada do aumento da procura de tratamento de RHA por pessoas em busca do sonho de ter um filho, aumentou a demanda de profissionais especializados na área e, consequentemente, a abertura para profissionais competentes, como os biomédicos, para assumir os laboratórios de RHA. Como prova disso, felizmente, algumas faculdades têm inserido disciplinas relacionadas à grade curricular e têm aumentado o número de palestras sobre a área em eventos acadêmicos, para que os alunos conheçam e despertem interesse pela RHA.
Como é o mercado de trabalho e qual a forma de inserção do biomédico nessa área?
Aline Bomfim: O mercado de trabalho na RHA é otimista em relação as outras áreas mais procuradas pelos biomédicos, como a de análises clínicas por exemplo. Mas, ao mesmo tempo, ele exige um profissional especializado e capacitado para exercer a profissão. Portanto, acredito que a melhor forma de inserção do biomédico nessa área é, primeiramente, através de um curso de pós-graduação lato sensu, que possibilita uma formação teórica e prática a respeito de todas atribuições de competência biomédica, seguida de uma pós-graduação stricto sensu, se possível, para aprofundar o conhecimento sobre um determinado assunto da área e estar próximo da literatura, assim como das tecnologias mais recentes.
Que dicas você dá para quem quer seguir nessa área?
Aline Bomfim: Para quem quer seguir essa área, eu aconselho, primeiramente, procurar saber melhor a respeito antes de se especializar, pois apesar de ser uma profissão fascinante e muito gratificante, exige muita dedicação do profissional, pois trabalhamos em finais de semana, feriados e muitas vezes em horários fora do habitual.
Lidamos com estruturas delicadas, gametas e embriões, que exigem cuidados especiais, muitos dos quais com dia e horário devidamente marcado para determinado procedimento ou avaliação. Como assim? Lembrando que mimetizamos in vivo o que acontece in vitro, portanto procuramos fidelizar ao máximo em laboratório o que aconteceria em determinado período dentro do ambiente intrauterino.
Além disso, eu aconselho muita determinação e força de vontade, para estar sempre em busca de aperfeiçoamento e atualização, pois só assim nos tornamos um profissional competente e reconhecido. E, apesar de tudo, eu afirmo que vale a pena o esforço, e quem realmente tem interesse pela área, ao ver um lindo embrião se desenvolvendo ou um teste de gravidez positivo, irá concordar comigo.
Qual a sensação de saber que você está ajudando casais a realizar o sonho de ter um (ou mais) filho?
Aline Bomfim: A sensação de saber que está ajudando casais a realizar o sonho de ter filho é sensacional! Ver a criança, após seu nascimento, que você ajudou em sua formação, é mais sensacional ainda! E é essa sensação que nos impulsiona a tentarmos ser cada vez melhores no que fazemos, que renova os ânimos e nos dá mais gás para continuar tentando e ajudando cada vez mais pessoas a realizarem esse sonho. Realmente sou muito realizada e feliz com a escolha que fiz em seguir essa área.
Fale sobre as palestras e cursos que você oferece sobre o tema.
Aline Bomfim: Desde 2012, ministro palestras sobre RHA e minicursos de espermograma em eventos acadêmicos e cursos da área da saúde, em todo o Brasil. Aos interessados, podem entrar em contato através do e-mail: alinebs@msn.com.
Suas considerações finais.
Aline Bomfim: Agradeço imensamente a oportunidade, é sempre um prazer falar sobre a minha área. E melhor ainda é saber que a partir do compartilhamento de nossas experiências, podemos contribuir na decisão de um futuro profissional. Desejo muito sucesso na carreira de todos atuais e futuros profissionais Biomédicos Embriologistas de nosso país.
Pesquisadores do Reino Unido ganham autorização para editar genes em embriões humanos
A autorização é para a edição do genoma de embriões humanos, apenas para a pesquisa científica. Essa é a primeira aprovação no mundo desse tipo de pesquisa por uma autoridade regulatória nacional, a Human Fertilisation and Embryology Authority (HFEA).
A autorização foi dada para a bióloga experimental Kathy Niakan, no Instituto Francis Crick, em Londres, para usar a técnica de edição de genoma que foi o destaque da ciência em 2015, a CRISPR–Cas9.
Seu grupo de pesquisa planeja alterar genes que estão ativos nos primeiros dias depois da fertilização. Os pesquisadores irão parar os experimentos após sete dias, e os embriões serão destruídos.
As modificações genéticas poderão ajudar a desenvolver tratamentos para a infertilidade, mas não serão a base da terapia.
E você o que acha disso? Será que é um avanço para a ciência ou uma abertura para a eugenia?
Para refletir: assista ao filme Gattaca – Experiência genética – link
Com informações de Nature.com | Imagem: youtube
Biomedicina e Reprodução Humana

O Biomédico especializado nessa área poderá:

A Reprodução Assistida é o conjunto de técnicas onde uma equipe multidisciplinar tem participação no acompanhamento do desenvolvimento folicular, detecção e indução da postura ovular, facilitação ou mesmo realização do encontro dos gametas assim como na otimização da fase lútea.
Dentro deste conjunto, as técnicas de Fertilização in vitro com Transferência de Pré-Embriões, um dos maiores avanços obtidos nas últimas três décadas para a terapêutica da infertilidade conjugal, ocupam com certeza lugar de destaque já que permitiu a solução de problema até então insolúvel, a ausência da função tubária, além de trazer em seu rastro o desenvolvimento de um moderno e eficiente arsenal de drogas de indução e estimulação ovulatória.
Mais de uma década depois, com o desenvolvimento da técnica de micromanipulação de gametas agregou-se ao arsenal terapêutico das técnicas de reprodução assistida, a Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide (ICSI, IntraCitoplasmic Sperm Injection) que permitiu então o tratamento da infertilidade masculina severa de maneira eficiente e o início das pesquisas com o objetivo do tratamento direto dos gametas (Assisted Hatching, Defragmentação, Transferência de Citoplasma etc...) e também a prevenção da transmissão de patologias cromossômicas ou gênicas a partir da biópsia do oócito (corpo polar) ou do pré-embrião (blastômero), caracterizando o Diagnóstico Genético Pré- Implantacional (PGD).
O primeiro nascimento após fertilização in vitro de um oócito humano e transferência de pré-embrião, foi publicado há mais de 20 anos. A partir de então, os numerosos levantamentos e registros nacionais e continentais documentam em centenas de milhares as gestações obtidas com as técnicas de Reprodução Assistida pelo mundo, de tal maneira que estas técnicas são responsáveis na atualidade por 1 a 3% dos nascimentos nos EUA e Europa.
Dados do registro americano (CDC) para 2002, mostram 115.392 ciclos de fertilização in vitro realizados naquele ano, com o consequente nascimento de 45.751 bebês, o que representou uma taxa de sucesso(nascidos vivos por transferência) de 34,8%, sem a inclusão dos programas de doação e recepção de oócitos e ou pré-embriões. Por outro lado, vale observar que quase 50% destas gestações foram múltiplas. Resultados muito semelhantes são obtidos do registro de 2001 de 23 países europeus, onde se observou em 120.946 ciclos de fertilização in vitro uma distribuição de um, dois, três e quatro pré-embriões transferidos em 12.0, 51.7, 30.8 e 5.5%, respectivamente. As taxas de nascimentos a partir de gestações múltiplas, neste registro, foram de 25.5%.
Principais técnicas de Reprodução Assistida
Com tubas saudáveis e pérvias
1. Relação programada (coito programado)
2. Inseminação Artificial Intra-uterina
3. Transferência de Gametas Intratubária (GIFT)
4. Fertilização in vitro com transferência de Zigoto (ZIFT) e/ou Embriões (TET) intratubária.
Sem tubas saudáveis e/ou com tubas impérvias
1. Fertilização in vitro Convencional e Transferência Intra-uterina de Pré-Embriões (FIV e TE).
2. Fertilização in vitro com Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide (ICSI).
Técnicas auxiliares ou acessórias
1. Criopreservação de gametas (espermatozoides e óvulos)
2. Criopreservação de Pré-embriões
3. Assisted Hatching
4. Cultura Prolongada até Blastocisto
5. Defragmentação de Pré-embriões
6. Transferência de citoplasma
7. Transplante de Núcleo
Guideline de Reprodução Assistida, Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH)
Reprodução assistida no Brasil atinge padrão internacional
Foto: Hermínio Nunes / Agencia RBS
Os serviços de reprodução assistida no país estão alcançando boas taxas de fertilização, revelando a eficácia do serviço oferecido no Brasil. A média nacional em 2012 foi de 73% de sucesso, dentro dos padrões de qualidade sugeridos na literatura internacional, que variam entre 65% a 75%. O dado consta do 6º relatório do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio) elaborado pela Anvisa.
O relatório revela que o número de embriões congelados no Brasil em 2012 foi de 32.181. Em todo o Brasil, existem 91 Bancos de Células e Tecidos Germinativos, mais conhecidos com clínicas de Reprodução Humana Assistida.
O levantamento mostra que a maior parte dos embriões congelados está no estado de São Paulo, que reune 42,2% de todos os congelamentos no país. Em seguida vêm os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Ceará.
Em relação à doação para pesquisa de células tronco, em 2012 foram doados 315 embriões. As doações vieram de apenas quatro estados: São Paulo (281), Rio de Janeiro (25), Minas Gerais (5) e Goiás (4). O relatório revela ainda que desde a publicação da Lei de Biossegurança (Lei 11.105/05), 3.900 embriões foram destinados para pesquisa no Brasil.
No critério Taxa de Clivagem, que é a divisão que dá origem ao embrião, as clinicas brasileiras também estão bem posicionadas. Em 2012, a taxa nacional ficou em 93%, bem acima dos 80% recomendados pela literatura.
Em 2012, os serviços de reprodução assistida produziam 93.320 embriões em estágio de divisão celular e realizaram 21.074 ciclos de fertilização in vitro, com um total de 34.964 embriões transferidos para o útero das mulheres. Por serem considerados inviáveis, 25.984 embriões foram descartados.
Para ler o relatório na íntegra, clique aqui.
Veja aqui o que o Biomédico pode fazer nessa área.
Fonte: