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A jornada de um estudante de biomedicina no Ciência sem Fronteiras – Capítulo 1

terça-feira, setembro 30, 2014 0 Comentários


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A partir de hoje você poderá acompanhar uma série de posts sobre a jornada do Luiz Guilherme, estudante de biomedicina e criador da página Vida de Biomédico, que se aventurou no programa Ciência sem Fronteiras (CsF) e atualmente faz intercâmbio nos Estados Unidos.

Nesse primeiro capítulo Luiz compartilha conosco como foi sua preparação para o processo seletivo, emoções, dúvidas e como uma mudança como essa pode afetar positivamente sua vida pessoal e profissional.

Um pequeno passo para um homem, um grande salto para a vida

Olá. Me chamo Luiz Guilherme Hendrischky Santos Aragão, um nome bem grande, tenho 21 anos e curso Biomedicina. Atualmente, sou bolsista de graduação-sanduíche (não é comida) do programa Ciência Sem Fronteiras, na State University of New York, na cidade de Plattsburgh. Minha história começa em 2013, em um dia em que tudo deu errado e decidi que precisava mudar a minha vida. Antes de tudo, vou explicar o que é o programa Ciência Sem Fronteiras. O CsF “é um programa que busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. A iniciativa é fruto do esforço conjunto dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC), por meio de suas respectivas instituições de fomento — CNPq e Capes —, e Secretarias de Ensino Superior e de Ensino Tecnológico do MEC.” (Fonte)

Essa é a explicação formal, toda bonitinha e política. No entanto, o programa é muito mais que isso, é uma oportunidade para mudar a sua vida, a forma de ver o mundo e pensar. Mas vocês podem perguntar: você não conseguiria fazer isso no Brasil? Não. Precisamos ficar longe de tudo e todos, somos transportados para um novo mundo de desafios, onde o seu maior adversário é você mesmo. Mas isso é outra história, que será contada em outro dia. Hoje, quero falar sobre como foi a minha trajetória até o momento em que saí do Brasil. Como disse no início do texto, resolvi mudar a minha vida e o CsF me pareceu o melhor caminho. Quando as inscrições abriram, demorei algumas semanas para decidir para qual país eu tentaria ir. Pensei no Canadá, mas não tinha o campo de pesquisa em que eu queria trabalhar. Cogitei o Reino Unido, mas eu não era tão chique para ter sotaque britânico. Pensei em tudo, menos ficar no Brasil. Quase todos os artigos que eu lia faziam referência a pesquisas em universidades norte-americanas e foi a partir desse pensamento que decidi vir para os Estados Unidos.

“Precisamos ficar longe de tudo e todos, somos transportados para um novo mundo de desafios, onde o seu maior adversário é você mesmo.”

Escolher foi a parte fácil, mas, quando as inscrições encerraram, passei a viver os meses mais difíceis de todos os tempos. Devem achar que estou exagerando, mas sim… foi uma “loucura louca’’. O sistema educacional americano é totalmente diferente do Brasil. Aqui, são as universidades que escolhem os alunos e não o contrário. Não há um “vestibular” ou alguma prova que decida quem é aprovado ou não. Para começo de conversa, no caso do CsF, antes de preencher qualquer papel, é preciso fazer um teste de proficiência chamado TOEFL (Test of English as a Foreign Language), que mede o nível de conhecimento da língua inglesa e verifica se você estará apto ou não a concorrer a uma bolsa de estudos. Quando abriram as vagas para realizar o teste, não hesitei e marquei para a primeira data disponível, no caso, uma semana depois (hahahahahahaha sim, eu tive 7 dias para estudar). Nessa época, eu estava no final do semestre, com muitas provas e trabalhos a fazer. Confesso que já tinha uma base de inglês.

Joguei tudo para o alto e estudei intensamente durante esses dias, já não aguentava mais… mas, toda vez que pensava em parar, lembrava do meu objetivo. Fiz a prova e saí arrasado, pois tinha quase certeza de que havia falhado. Recebi o apoio da família e amigos, pois dei o meu máximo. O resultado? Só em janeiro/2014, uma espera (interminável) de quase 3 meses. Durante esse tempo, tentava manter o pensamento distante de qualquer coisa relacionada ao Ciência Sem Fronteiras, o que não deu certo (haha). Passei quase todos os dias interagindo com candidatos de todo o Brasil em grupos no Facebook (e, por falar nisso, fiz grandes amizades a partir daí, pessoas com os mesmos sonhos e corajosas/malucas o suficiente para encarar esse desafio).

Janeiro chegou e eu estava de férias no país onde seria a minha futura casa. Um belo dia, tomando café em Orlando, Estados Unidos, recebi uma mensagem de um amigo: ‒ “Luiz, pelo amor de Deus, saiu a nota e eu não quero olhar, vou morrer.’’ Bom, eu morri por 10 segundos, morri de medo. Fiquei pensando se eu olhava a nota ou não, pois só tinham duas possibilidades: passar ou não. Bom, se eu não passasse, meu dia seria triste… mas eu estaria triste na Disney, então a tristeza não seria tão triste (haha). Resolvi abrir o site e deixei carregar a página, demorou uns minutos até aparecer algumas palavras e números. Primeiro, fechei um pouco os olhos e li meu nome no topo da página… bom, OK, sou eu mesmo. Depois, fui descendo e li a palavra “pontuação”… parei um pouco e decidi ver de uma só vez POWWWWWWWWWWWWWWW BOOOMMMM (barulho de explosão) eu PASSEI, gente, que alegria… gritei como se não houvesse amanhã.

Depois da euforia, veio a dor de cabeça chamada Common Application. O CoA (apelido carinhoso) é um documento enorme a ser enviado para as universidades daqui. Nele, você precisa contar sua vida, da sua família, dos seus pais e de quem esteve perto de você por mais de 5 anos (exagero/brincadeira haha). Simplesmente, é necessário preencher um milhão de formulários com todos os seus dados, currículo, cartas de recomendação de dois professores, carta do coordenador do curso, redações, histórico… e o MELHOR, para dar um tempero, tudo em inglês. Foi muito desgastante, já que não tive muito tempo. Foram meses de espera até ter uma resposta definitiva. Em junho deste ano, descobri que viria para a State University of New York, em Plattsburgh. A partir desse momento, tudo passou rápido. Começaram as despedidas, os conselhos, as encomendas de iPhone, PS4… e foi então que decidi que os meus últimos meses no Brasil seriam dedicados à parte mais importante de mim, minha família. Abracei como nunca, disse “eu te amo” infinitas vezes, senti o quanto eles foram e são importantes pra mim. Em agosto/2014, o grande dia tinha chegado, estava pronto para viver o maior desafio de todos os tempos.

Dizem que quando “quase morremos” passa um filme da nossa vida na cabeça. Foi mais ou menos isso que aconteceu no caminho até o aeroporto. Lembrei do meu primeiro dia na universidade, dos problemas que enfrentei, das histórias engraçadas com os amigos, dos momentos felizes em minha casa… tudo ao mesmo tempo. Não tenho vergonha em dizer que estava com medo, mas tinha duas grandes mulheres para me segurar e empurrar para frente naquele momento, minha mãe e irmã. Fui para a porta de embarque, respirei fundo e, depois de um longo abraço, caminhei para o meu novo mundo. Não sabia o que estava por vir, apenas segui em frente. Sentei no avião, afivelei o cinto e ouvi: “Atenção senhores passageiros, uma nova vida está prestes a começar.”

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Brunno Câmara Biomédico

Biomédico, CRBM-GO 5596. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast (biomedcast.com).