4 vagas para Perito Criminal (biomedicina) no Instituto-Geral de Perícias, RS

O Diretor-Geral do Instituto-Geral de Perícias – IGP-RS torna público que estarão abertas, a contar da data de publicação do Edital de Abertura, as inscrições para a prestação de Concurso Público destinado ao provimento do cargo público efetivo de Perito Criminal e Cadastro de Reserva (CR), sob o regime estatutário, em conformidade com a Lei nº 14.519, de 08 de abril de 2014, alterada pela Lei nº 14.985, de 16 de janeiro de 2017, certame que observará o disposto no Regulamento dos Concursos Públicos do Estado do Rio Grande do Sul.

Cargo

Perito Criminal

Área 11 – Biomedicina/ Farmácia/ Biologia

Diploma, devidamente registrado, de conclusão de curso de graduação de nível superior em Biomedicina, ou Ciências Farmacêuticas ou Ciências Biológicas, fornecido por instituição de ensino superior reconhecida pelo Ministério da Educação e registro no Conselho da Classe.

Quantidade

São ofertadas 4 vagas, sendo 2 para ampla concorrência, 1 para pessoa com deficiência e 1 para pessoa negra ou parda.

Carga horária

40 horas semanais.

Remuneração

Vencimento básico R$ 5.309,32 + Gratificação de Risco (80%) R$ 4.247,46.

Total: R$ 9.556,78.

Atribuições

1. Diligenciar ou pesquisar visando à coleta de dados complementares para a elaboração de laudos periciais;

2. Proceder a exames periciais relativos aos conhecimentos de sua área de formação acadêmica;

3. Executar perícias em locais relacionados à prática de delitos;

4. Realizar coletas de materiais destinados a exames complementares;

5. Proceder à perícia na área de balística forense e de documentoscopia;

6. Realizar perícias na área de reprodução simulada dos fatos;

7. Executar perícias na área de identificação humana em pessoas vivas e cadáveres;

8. Acompanhar perícias nas áreas de Odontologia e Medicina Legal; e

9. Executar outras atividades correlatas de acordo com o grau de complexidade das atribuições e investidura no cargo.

Localidade

Porto Alegre e Pelotas, RS.

Inscrição

Taxa: R$ 182,41

De 20/04 a 11/05/2017

Link para o edital


Resposta imunológica contra os parasitos

Resposta imunológica contra os parasitos

Para que uma infecção desenvolva-se em um indivíduo são necessárias complexas interações entre o micro-organismo e o hospedeiro, como por exemplo a entrada do patógeno, a invasão e colonização dos tecidos, o escape do sistema imune e a lesão tecidual.

As infecções parasitárias são aquelas causados por protozoários (Plasmodium sp., T. gondii, T. cruzi etc.), helmintos (S. mansoni, Taenia sp., F. hepatica, E. vermicularis etc.) e ectoparasitos (pulgas, carrapatos, piolhos etc.).

A maioria dessa infecções é crônica devido a fraca imunidade inata e a capacidade de os parasitas evadirem ou resistirem à eliminação pela imunidade adaptativa.

Imunidade inata

Protozoários e helmintos ativam mecanismos diferentes de imunidade inata.

A principal resposta imunológica inata aos protozoários é a fagocitose, porém a maioria desses são resistentes à morte fagocítica, replicando-se dentro de macrófagos.

Os helmintos são muito grandes para serem fagocitados e, além disso, possuem tegumentos espessos que os tornam resistentes às substâncias microbicidas secretadas pelos fagócitos (neutrófilos e macrófagos).

Leia também: Como micro-organismos fagocitados são destruídos

Imunidade adaptativa

Helmintos e protozoários variam muito suas propriedades estruturais e bioquímicas e ciclos de vida, por isso induzem a imunidade adaptativa.

O principal mecanismo de defesa contra protozoários intracelulares é semelhante à defesa contra bactérias intracelulares, ou seja, imunidade mediada por células, particularmente a ativação de macrófagos por citocinas derivadas de linfócitos Th1.

Protozoários que se replicam no interior de células do hospedeiro e causam lise dessas células, como por exemplo o Plasmodium sp., estimulam a produção de anticorpos específicos e ativação dos linfócitos T CD8+ (similar à resposta contra os vírus citopáticos).

A principal defesa contra os helmintos é mediada por linfócitos Th2, resultando na produção de IgE e ativação de eosinófilos.

A interleucina 4 (IL-4) estimula a produção de anticorpos IgE e a IL-5 a ativação e desenvolvimento de eosinófilos e mastócitos. Os eosinófilos produzem enzimas oxidativas e hidrolíticas que são tóxicas para os parasitos.

Dentre os mecanismos de escape estão a mudança de antígenos de superfície; os protozoários “se escondem” do sistema imunológico (vivem dentro da célula ou formam cistos); e há estímulo de linfócitos T reguladores que suprimem a resposta imunológica.

Confira o vídeo abaixo em que eosinófilos atacam um parasito (C. elegans):

Caso não consiga visualizar clique aqui

Referência: Abbas, A. K et al. Imunologia Celular e Molecular. Elsevier, 8ª ed. 2015.


XIV Encontro Mineiro de Biomedicina em Uberaba - MG

O curso de Biomedicina UFTM, juntamente com o Diretório Acadêmico Valéria Fazan e a coordenação do curso, realizará o XIV EMBM nos dias 19, 20 e 21 de Maio, na cidade de Uberaba - MG.

A décima quarta edição do encontro abordará temas importantes e inovadores para a biomedicina, entre eles a bioinformática, atuação do biomédico na veterinária, perfusão extracorpórea, e assim, promover o intercâmbio de informações entre palestrantes e ouvintes. 

A mesa redonda terá um novo formato, composta por biomédicos em vários estágios de formação, permitirá que ocorra uma troca de experiências acadêmicas e profissionais entre a mesa e os ouvintes.

Além de palestras, o encontro conta com uma gama de minicursos teóricos e teóricos-práticos, onde o participante terá contato com temas das mais de 36 áreas de atuação do biomédico.

E para a confraternização entre os ouvintes, palestrantes, professores e ministrantes dos minicursos, o coquetel (que já está incluso no valor da inscrição) vem para fechar esse fim de semana de imersão na biomedicina.

A comissão organizadora espera todos vocês em Uberaba.

Para mais informações acesse o site: xivembm.com.br


15 de abril – Dia internacional do Biomédico Analista Clínico (2017)

Em 1996 no Congresso Mundial em Oslo, foi aprovada a criação do Biomedical Laboratory Science Day, todo dia 15 de abril, um dia especial para comemorar e promover o papel importante dos profissionais dos laboratórios clínicos de todo o mundo no diagnóstico e tratamento dos pacientes.

O tema anual é selecionado pela International Federation of Biomedical Laboratory Science (IFBLS) de acordo com as metas do milênio da OMS.

O tema de 2017 é: "Antibiotic Resistance: Biomedical Laboratory Scientists respond to the global threat" (Resistência aos antibióticos: Biomédicos respondam à ameaça global).

Importância

Biomédicos analistas clínicos compõem um dos maiores grupos de profissionais da saúde em todo mundo, mas muitas vezes seu papel na medicina é mal compreendida.

Pacientes, famílias e até colegas de outras profissões da saúde não tem um bom entendimento do papel vital que temos na medicina e saúde pública.

A melhor pessoa para promover nossa profissão é um biomédico analista clínico confiante. Nós somos os especialistas e entendemos nosso papel na área da saúde e somos os melhores para transmitir a mensagem.

Ajudando a divulgar

Então, você estudante de biomedicina e biomédico, tem a missão de divulgar esse dia entre seus colegas e sociedade.

Vamos ajudar na difusão do conhecimento da importância do papel do biomédico na medicina e na vida das pessoas.

Baixe aqui o pôster desse ano: link

www.ifbls.org


Esse microscópio digital é o sonho de qualquer Biomédico

Microscópio multitouch

Integrando duas tecnologias existentes – microscopia virtual e uma tela multitoque gigante – pesquisadores desenvolveram uma nova maneira de fazer microscopia.

O novo microscópio foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto Finlandês de Medicina Molecular, em colaboração com a fabricantes de tela MultiTouch.

Tocando a tela gigante, o usuário pode navegar e ampliar a imagem da amostra como nos microscópios convencionais. Através do toque é possível passar do tamanho natural até um aumento de 1000 vezes, em que detalhes celulares e subcelulares podem ser vistos.

A microscopia tradicional só pode ser utilizada para digitalizar uma pequena parte da amostra. Com o microscópio virtual é possível criar uma montagem da amostra, composta por mais de 50.000 imagens.

O microscópio multitoque pode ser utilizado em vários campos científicos, incluindo a patologia, a hematologia, a microbiologia e a biologia celular.

Além disso, ele é muito útil em instituições de ensino. Para ensinar com um microscópio tradicional, geralmente, apenas uma pessoa por vez pode visualizar a amostra. O microscópio multitoque adiciona uma nova dimensão interativa nas aulas.

Confira o vídeo e fique de queixo caído:

Caso não consiga visualizar, clique aqui


Promoção – Concorra a 10 vales desconto de 50% em cursos rápidos na AGD Cursos

Que tal ganhar 50% de desconto nos cursos rápidos da Asgard Cursos, em Goiânia? São cursos com durações variadas entre 4 e 20 horas, que acontecerão em maio desse ano, com emissão de certificados que valem como horas extracurriculares e ministrados por professores atuantes nas áreas.

Serão sorteados 10 vales desconto entre as pessoas que seguirem os passos a seguir. Para saber as datas e valores clique aqui.

Como concorrer

Para concorrer você deve seguir as instruções abaixo:

Regulamento

- Promoção válida em todo o território nacional;

- Para concorrer você deve seguir todas as instruções acima citadas;

- Serão 10 ganhadores, cada um recebendo 1 vale desconto;

- O período de participação será do dia 10 de abril a 30 de abril de 2017;

- O sorteio será realizado no dia 01 de maio de 2017, através do site sorteador.com.br;

- O ganhador será anunciado no dia 01 de maio de 2017, em todos os meios de divulgação do blog;

- Caso o sorteado não tenha cumprido o regulamento, será realizado um novo sorteio para determinar outro ganhador, e assim sucessivamente;

- Cada pessoa pode participar apenas uma vez. Caso seja detectada duplicidade, o participante será automaticamente excluído do sorteio;

- Não é cobrada qualquer quantia em dinheiro em troca de participação;

- O prêmio deverá ser retirado na Asgard Cursos;

- Os cursos rápidos acontecerão em Goiânia – GO, na sede da Asgard Cursos;

- Preenchendo o formulário você está concordando com o regulamento da promoção.

asgard


“Toxoplasma gondii” e Toxoplasmose

Toxoplasma gondii

A toxoplasmose é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, que tem distribuição geográfica mundial e apresenta alta prevalência sorológica, ou seja, muitas pessoas já entraram em contato com o mesmo.

A doença é uma zoonose, frequente em várias espécies de mamíferos (carneiro, cabra, porco, gato e outros felídeos) e aves.

O T. gondii é um parasito heteroxênico, ou seja, possui hospedeiro definitivo (HD) e intermediário (HI). Os gatos e outros felídeos não imunes são os hospedeiros definitivos. Ele tem como habitat vários tecidos, células (exceto hemácias) e líquidos orgânicos (saliva, leite, esperma, líquido peritoneal, etc.).

Morfologia do protozoário

No HD podem ser encontradas tantas formas sexuadas como assexuadas, enquanto que no HI apresentam-se apenas com formas assexuadas.

Ciclo coccidiano – fase assexuada e sexuada:

  • Taquizoítos;
  • Bradizoítos;
  • Merozoítos;
  • Gametócitos;
  • Oocisto imaturo;

Ciclo assexuado:

  • Taquizoítos;
  • Bradizoítos;
  • Merozoítos;

Formas evolutivas Toxoplasma gondii

Formas infectantes

Taquizoíto – sua multiplicação é rápida; presente na fase aguda da infecção. Encontrado dentro do vacúolo parasitóforo de várias células, como nos líquidos orgânicos, excreções, macrófagos, células hepáticas, pulmonares, nervosas e musculares.

Vacúolo Parasitóforo

Vacúolo parasitóforo com taquizoítos em seu interior

Bradizoítos – sua multiplicação é lenta e ocorre dentro do cisto; presente na fase crônica da infecção. Encontrado dentro do vacúolo parasitóforo dos tecidos muscular esquelético, cardíaco, nervoso e retiniano.

Cisto com bradizoítos no cérebro

Cisto com bradizoítos no cérebro

Oocisto – são produzidos na células intestinais (enterócitos) dos felídeos não imunes e eliminados nas fezes ainda imaturos. No meio ambiente ocorre a esporulação, em que há aumento do volume do parasito e produção de esporozoítos em seu interior.

Oocisto maduro

Ciclo biológico

Um hospedeiro intermediário suscetível, como por exemplo o ser humano, outros mamíferos ou aves, podem ingerir água ou alimentos contaminados com oocistos maduros (contendo os esporozoítos), ou carne crua ou má cozida contendo bradizoítos ou leite contaminado contendo taquizoítos.

O oocisto se rompe no intestino, liberando os esporozoítos que invadem os enterócitos. Dentro dessas células, cada parasito é denominado taquizoíto.

O taquizoíto se divide várias vezes, de forma assexuada até o rompimento da célula hospedeira. Esse processo se repete várias vezes, liberando grande número de taquizoítos para a invasão de novas células, no sangue e nos tecidos parenquimatosos.

Ciclo biológico

Logo após a invasão de uma nova célula por um taquizoíto, o ciclo assexuado pode levar à formação de bradizoítos intracelulares. A formação de bradizoítos começa a ocorrer com maior intensidade quando o hospedeiro intermediário desenvolve imunidade específica, caso contrário os taquizoítos continuam infectando novas células.

Os bradizoítos se multiplicam bem mais lentamente que os taquizoítos, mas estão menos acessíveis a resposta imune, no interior de cistos teciduais.

O ciclo se completa, quando o felídeo ingere os tecidos infectados do hospedeiro intermediário. Isso possibilita aos bradizoítos encistados infectarem o seu intestino, levando a formação final de oocistos.

Transmissão

O ser humano adquire a infecção por três vias principais:

1. Ingestão de oocistos presentes em alimento ou água contaminadas, jardins, caixas de areia, latas de lixo ou disseminados mecanicamente por moscas, baratas, minhocas etc.

2. Ingestão de cistos (contendo bradizoítos) em carne crua ou mal cozida especialmente de porco e carneiro.

3. Congênita ou transplacentária – transmissão dos taquizoítos para o feto.

Patogenia e infecção

A patogenia depende da virulência da cepa do T. gondii, da imunidade do hospedeiro entre outros.

A infecção pode ser assintomática (maioria dos casos) ou até levar à morte.

Na fase aguda da infecção há o rompimento celular e liberação de novos taquizoítos no sangue e linfa, assim como desenvolvimento da imunidade e eliminação das formas extracelulares.

Fase crônica há evolução das formas intracelulares para a forma cística – bradizoítos.

Existem várias manifestações da toxoplasmose, dependendo do tecido infectado:

  • Congênita ou pré-natal;
  • Pós-natal;
  • Ganglionar ou febril aguda;
  • Ocular;
  • Cutânea;
  • Cerebro-espinal ou meningoencefálica;
  • Generalizada;

Na congênita, a mãe encontra-se na fase aguda da doença ou em quadro de reagudização durante a gestação.

Alterações fetais:

- Primeiro trimestre: aborto.

- Segundo trimestre: aborto, nascimento prematuro com anomalias, calcificações cerebrais, perturbações neurológicas, retardamento psicomotor, alterações no volume craniano (micro ou macrocefalia).

- Terceiro trimestre: criança pode nascer normal, assintomática ou apresentar doença após o parto.

As formas graves da doença incluem comprometimento ganglionar, icterícia, hepatoesplenomegalia, edema, miocardite, anemia, lesões oculares, etc. É extremamente grave em pacientes imunocomprometidos com sintomas de febre, dor de cabeça, alteração das funções cerebrais como confusão, letargia, alucinações e psicose, perda de memória e coma.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico é de difícil realização.

Forma aguda:

  • Pesquisa de taquizoítos no leite, sangue, líquor, saliva etc.
  • Realização de esfregaço do material centrifugado com coloração pelo método de Giemsa;
  • Biópsia e realização de cortes histológicos em gânglios enfartados, fígado, baço e músculo corados por hematoxilina e eosina.

Diagnóstico imunológico

São feitos testes imunológicos que detectem anticorpos circulantes que correspondam a fase da doença:

IgM - Aparecem na primeira semana de infecção com pico até 1 mês; indicam quadro agudo.

IgG - Surge após 4 semanas; indica infecção crônica ou cura (imunidade).

Métodos sorológicos:

  • ELISA para IgM e IgG;
  • Imunofluorescência indireta;
  • Quimioluminescência;
  • Hemoaglutinação indireta;
  • Aglutinação em látex.

Outros exames também podem ser realizados, como ressonância magnética e biologia molecular.

Tratamento

As drogas atuam na fase proliferativa (taquizoítos) e não na forma cística.

O tratamento é feito apenas na fase aguda, na toxoplasmose ocular e em indivíduos imunocomprometidos.

Associação de sulfadiazina e pirimetamina.

Referências:

NEVES, D. P. Parasitologia Humana. Atheneu, 11ª ed.

REY, L. Bases da parasitologia médica. Guanabara Koogan, 3ª ed.


Pesquisa de biomédico é publicada na “Nature Cell Biology”

Em colaboração com instituições dos Estados Unidos e do Japão, o pesquisador biomédico Alexander Birbrair  teve mais um artigo publicado, dessa vez no periódico Nature Cell Biology.

O estudo identifica aspectos até então desconhecidos de microambientes dos ossos, onde se localizam dois tipos de células-tronco hematopoiéticas. Uma, mais potente, permanece "adormecida" na medula até o momento em que precisa formar células iguais a ela. A outra é acionada em casos de emergência para o organismo e se diferencia em vários tipos de células mais maduras, como macrófagos e linfócitos, capazes de eliminar micro-organismos. "Descobrimos basicamente a comunicação existente entre os microambientes vasculares e essas células na medula óssea", comenta Birbrair.

Segundo Birbrair, diferentemente de outras células-tronco, as hematopoiéticas ainda não são obtidas eficientemente por multiplicação in vitro, já que, quando reproduzidas artificialmente, perdem a capacidade de formar todas as células sanguíneas. "Para criar esse ambiente artificial, precisamos compreender muito bem como funcionam no organismo vivo. Por isso, temos estudado os nichos onde elas se localizam, já que o osso é formado de várias estruturas e possui diferentes tipos de células", diz.

Entre as descobertas do trabalho está a presença, em locais específicos da estrutura óssea, de um tipo especial de célula, os pericitos. "As células se comunicam entre si por emissão de vários sinais químicos, como proteínas e citocinas. Observamos que os pericitos localizados nas arteríolas e nos sinusoides dos ossos se comunicam respectivamente com um dos tipos de células-tronco hematopoiéticas e enviam mensagens diferentes, levando a comportamentos distintos", informa Birbrair. De acordo com o trabalho, as células-tronco hematopoiéticas dormentes ficam especificamente perto das arteríolas, e as outras, próximas aos sinusoides.

A equipe também descobriu que os pericitos localizados nos sinusoides sinalizam com a citocina Stem Cell Factor (SCF), enquanto aqueles alojados nas arteríolas se comunicam com a citocina CXCL12. "Investigamos se a citocina (ou sinal) CXCL12 é importante para a manutenção das células-tronco hematopoiéticas derivadas de todos os pericitos e vimos que não. Cada tipo de pericito é importante em seu microambiente vascular", observa o pesquisador. Testes foram realizados com modelos de animais transgênicos, manipulados para evitar que os pericitos arteriolares produzissem a CXCL12. "Observamos que, quando removíamos essa citocina dos pericitos arteriolares, as células-tronco hematopoiéticas desapareciam. Trata-se, pois, de um sinal muito importante para mantê-las no estado de dormência nas arteríolas", conclui.

Leia o artigo:

Noboru Asada, Yuya Kunisaki, Halley Pierce, Zichen Wang, Nicolas F. Fernandez, Alexander Birbrair, Avi Ma’ayan & Paul S. Frenette. Differential cytokine contributions of perivascular haematopoietic stem cell niches. Nature Cell Biology, 2017.

Fonte: Boletim UFMG nº 1968 e Alexander Birbrair


Pesquisadores descobrem que pulmão produz plaquetas e armazena células progenitoras hematopoéticas

Capilares do pulmão em vermelho e plaquetas e megacariócitos em verde

Usando microscopia em vídeo em pulmões de camundongos, pesquisadores descobriram que os pulmões têm um papel, antes não reconhecido, na produção de sangue. O artigo intitulado The lung is a site of platelet biogenesis and a reservoir for haematopoietic progenitors foi publicado na Nature em 22 de março de 2017.

Aproximadamente 50% do total de plaquetas são produzidas no pulmão, gerando 10 milhões de plaquetas a cada hora.

Eles detectaram que os pulmões produzem mais da metade das plaquetas da circulação sanguínea dos camundongos. Além disso, em outra descoberta surpreendente, os cientistas identificaram um pool de células hematopoéticas capazes de restaurar a produção de sangue quando as células progenitoras da medula óssea estão depletadas.

Segundo os pesquisadores, esses achados em camundongos sugerem que o pulmão pode ter um papel importante também na produção de sangue em seres humanos.

A descoberta

Enquanto examinavam as interações entre o sistema imune e as plaquetas circulantes nos pulmões, usando um tipo de camundongo modificado no qual suas plaquetas emitem fluorescência verde, o grupo observou uma grande população de megacariócitos – células precursoras das plaquetas – na vasculatura pulmonar.

Apesar de os megacariócitos já terem sido observados no pulmão antes, pensava-se que eles apenas viviam e produziam plaquetas primariamente na medula óssea.

Com a descoberta, eles realizaram mais sessões com a microscopia em vídeo que mostrou que os megacariócitos produziam mais de 10 milhões de plaquetas por hora dentro da vasculatura pulmonar, sugerindo que a produção de mais da metade do total de plaquetas nos camundongos acontece no pulmão, não na medula óssea, como presumia-se por muito tempo.

A técnica utilizada também revelou uma grande variedade de células progenitoras de megacariócitos e também células-tronco hematopoéticas localizadas fora dos capilares pulmonares, estimadas em um milhão por pulmão.

O pulmão também é um reservatório de células progenitoras hematopoéticas

Com todos esses achados, surgiram dúvidas sobre como essas células movimentam-se indo do pulmão para a medula óssea, e vice-versa.

Para descobrir, os pesquisadores transplantaram pulmões de camundongos normais em camundongos receptores cujos megacariócitos são fluorescentes, e observaram que esses logo apareceram na vasculatura pulmonar, sugerindo que os megacariócitos encontrados no pulmão originam-se na medula óssea.

Em outro experimento, eles transplantaram pulmões com células progenitoras de megacariócitos fluorescentes em camundongos modificados para apresentar trombocitopenia. O transplante produziu um grande aumento na quantidade de plaquetas fluorescentes que rapidamente normalizaram os níveis de plaqueta, um efeito que persistiu por vários meses de observação (período maior que o tempo de vida dessas células).

 

Adicionalmente, os pesquisadores transplantaram pulmões saudáveis, em que todas as células eram marcadas por fluorescência, em camundongos modificados cuja medula óssea estava deficiente de células sanguíneas. As análises do receptor após a transplante mostraram que as células fluorescentes provenientes dos pulmões transplantados migraram para a medula óssea deficiente e ajudaram na produção não apenas de plaquetas, mas também de neutrófilos, linfócitos B e T.

De acordo com os cientistas, esses resultados têm relevância clínica direta e levanta vários questionamentos para futuros estudos da síntese e função das plaquetas e megacariócitos em doenças inflamatórias, sangramentos, tromboses e transplantes pulmonares.

Artigo: Lefrançais, E. et al. The lung is a site of platelet biogenesis and a reservoir for haematopoietic progenitors. Nature, 2017.

Fonte: University of California San Francisco | Imagem: vide artigo.


Como usar a autoclave no laboratório

Como usar a autoclave

A autoclave é um equipamento utilizado em serviços de saúde para realizar a desinfecção e esterilização através de um método físico, utilizando uma combinação de vapor, pressão e tempo. Com alta temperatura e pressão é possível eliminar micro-organismos e esporos.

Ela é utilizada para descontaminar certos materiais biológicos e esterilizar meios, instrumentos e materiais de laboratório. Segundo a legislação brasileira, resíduos provenientes de serviços de saúde e que possam conter bactérias, vírus e outros materiais biológicos devem ser inativados antes da disposição final.

O que autoclavar

Meios líquidos, líquidos não inflamáveis, soluções aquosas e resíduos biológicos líquidos.

Materiais compatíveis:

  • Frascos de cultura de células;
  • Instrumentos cirúrgicos;
  • Vidraria de laboratório;
  • Ponteiras;
  • Meios de cultura;
  • Polipropileno;
  • Aço inoxidável;
  • Luvas.

Líquidos devem preencher até 2/3 da capacidade total do recipiente e a tampa deve permanecer frouxa, nunca totalmente fechada.

O que NÃO autoclavar

Materiais inflamáveis, reativos, corrosivos, tóxicos ou radioativos. Hipoclorito também nunca deve ser autoclavado, nem líquidos em recipientes selados.

Materiais incompatíveis:

  • Ácidos, bases e solventes orgânicos;
  • Cloreto e sulfato;
  • Água do mar;
  • Água sanitária, hipoclorito e cloro;
  • Aço que não seja inoxidável;
  • Poliestireno (isopor);
  • Polietileno;
  • Poliuretano.

Como autoclavar

Utilize jaleco, óculos de proteção, sapatos fechados e luvas resistentes ao calor para remover os materiais, especialmente vidraria quente.

Prepare o material a ser autoclavado. Muitos materiais – principalmente novos – devem ser embalados em papel craft (cor marrom) antes do procedimento, como por exemplo, placas de Petri, caixas de pipetas, tubos, elermeyer, becker etc.

Não encha a autoclave até o máximo. Deixe espaço para a circulação do vapor. Utilize apenas sacos próprios para autoclavagem.

Sempre confira o nível de água, pois se estiver abaixo da resistência a autoclave pode ser danificada.

Procedimento

  1. Coloque os materiais na autoclave;
  2. Feche e sele a tampa;
  3. Ligue-a no máximo e quando começar a sair vapor, feche a válvula;
  4. Espere a temperatura atingir 121°C;
  5. Um vez nessa temperatura, mude para o médio e deixe 15 minutos;
  6. Após o período, desligue a autoclave e abra a válvula para o vapor sair;
  7. Só abra a tampa depois que o manômetro estiver no zero;
  8. Retire o material com luvas resistentes ao calor.

Esse é um procedimento básico e dependendo do seu objetivo ele pode variar.

Validação

Existe uma fita adesiva indicadora sensível ao calor que muda de cor ou mostra linhas diagonais (escrito estéril ou autoclavado) quando exposta a temperatura de 121°C.

Ela é colocada no exterior de algum material embalado que será autoclavado. Se a fita não mudar de cor significa que a temperatura 121°C não foi atingida e os materiais não podem ser considerados estéreis ou descontaminados.

Referências: Princeton University, BiteSizeBio, University of California San Diego