7 podcasts sobre medicina e ciência que você deve ouvir

O podcast é como um programa de rádio, porém sua diferença e vantagem primordial é o conteúdo sob demanda. Você pode ouvir o que quiser, na hora que bem entender. Basta acessar e clicar no play ou baixar o episódio. E eles estão cada vez mais presentes no dia a dia do brasileiro.

Com isso, resolvi relacionar aqui alguns podcasts sobre medicina e ciência que considero bem interessantes. Alguns já são veteranos, outros novos, porém todos são legais. Assine o feed de todos, fique bem informado e aproveite para ouvi-los onde e quando quiser.

Biomedcast

Biomedcast

Se você ainda não conhece, o Biomedcast é o podcast da biomedicina, criado em 2014. Nele são abordados temas sobre a biomedicina, ciência e saúde, de maneira divertida e informativa, dando dicas, informações e debatendo os mais diversos assuntos relacionados à nossa área. À frente do Biomedcast estão Brunno Câmara, Octávio Augusto, Rogério Vilas Boas (biomédicos) e Luiz Guilherme (estudante de biomedicina).

Site: biomedcast.com

Dragões de Garagem

Dragões de Garagem

O Dragões de Garagem é um podcast de divulgação científica criado em 2012. Os integrantes falam de ciência de forma natural, incentivando o pensamento crítico e a curiosidade dos ouvintes. A missão é divulgar ciência de forma abrangente e interessante, mostrando a importância desse corpo de conhecimento em nosso dia-a-dia social e profissional.

Site: scienceblogs.com.br/dragoesdegaragem

Podentender

PODEntender

PodEntender é um podcast de divulgação científica que tem como principal objetivo apresentar e aproximar a realidade e produção da ciência brasileira para o público brasileiro. O PodEntender também inclui blogs dos integrantes, abordando diversos temas sob a perspectiva de quem produz ciência no Brasil.

Site: www.podentender.com

SBD

Sociedade Brasileira de Diabetes

Filiada à International Diabetes Federation (IDF), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), é uma associação civil, sem fins lucrativos, com número ilimitado de sócios, fundada em dezembro de 1970. Tem como membros, médicos e profissionais de saúde com interesse em diabetes mellitus.

Site: soundcloud.com/diabetes_sbd

Fronteiras da Ciência

Fronteiras da Ciência

Um programa que explica como funciona a Ciência. A Ciência faz parte do nosso dia-a-dia. Vivemos imersos num mar de ideias, objetos e instrumentos que definem muito do que somos e fazemos, mas muitas vezes não compreendemos todo seu significado. Numa atmosfera descontraída - como numa roda de mate - cientistas conversam sobre assuntos do momento e tentam preencher as lacunas deixadas pelo sistema educacional e pela desinformação dominante na mídia. Por que saber é um direito de todos.

Site: www.ufrgs.br/frontdaciencia

Neuropod

Neuropod

Neuropod, o podcast sobre neurociência! À todas as pessoas que se interessam por neurociência, pesquisadores da área, estudantes ou curiosos! Fernanda Aragão fala como é feita a pesquisa científica nessa área, como é a vida dos neurocientistas, novidades, o que tem sido feito na neurociência do Brasil. Fala também sobre assuntos intrigantes, como são passadas e armazenadas as informações no nosso cérebro, o que é consciência, vamos entender a formação dos sentimentos, dos sonhos e muito mais.

Site: neuropod.podbean.com

MedCast

MedCast

Conteúdo diversificado na área de medicina.

Site: www.profissaomedica.com


Dr. Bactéria participa do programa Pânico no Rádio (vídeo)

Roberto Martins Figueiredo, popularmente conhecido como Dr. Bactéria, alertou as pessoas para a provável chegada de novos vírus por conta dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, que acontecem de 5 a 21 de agosto. Em entrevista ao Pânico, nesta terça-feira (17), o biomédico revelou que há 20 novos vírus “passeando” pela Ásia e a chance deles desembarcarem no Brasil é grande.

Confira o vídeo:


6 condições médicas que utilizam a toxina botulínica A como tratamento

O Botox® (nome da marca) é produzido através da toxina botulínica A e, além de ser usado para diminuir as tão indesejadas rugas, ele tem outras aplicações na medicina.

A toxina botulínica é um bloqueador neuromuscular, ou seja, ela paralisa o músculo no qual foi injetada. E, devido aos vários problemas musculares em diferentes condições médicas, a gama de aplicação da toxina tem se expandido.

TOXINA BOTULÍNICA
Origem - Bactéria Clostridium botulinum
Forma de contaminação - Inalação ou ingestão de água ou alimentos contaminados
Dose letal - 0,4 nanograma/kg
Antídoto - Antitoxina trivalente equina

Dez mil vezes mais potente do que os venenos de cobra, essa toxina age sobre o sistema neurológico, causando paralisia dos músculos respiratórios e morte. Curiosamente, em pequenas doses, essa substância é usada em tratamentos estéticos para amenizar rugas - é o famoso Botox.

Se você é biomédico esteta ou pretende ser, saiba que há várias outras utilidades para a toxina. Confira seis situações em que a toxina botulínica é utilizada.

6 – Estrabismo

A primeira vez em que o Botox foi utilizado como tratamento médico foi em 1981, para pessoas com estrabismo, patologia oftalmológica que consiste no desalinhamento dos olhos. Em 1989, o órgão americano Food and Drug Administration (FDA), equivalente à ANVISA no Brasil, aprovou oficialmente o uso da substância para essa condição. Injetando a toxina nos músculos que movimentam o olho, há redução da aparência de desalinhamento dos olhos.

5 – Hiperidrose

O uso do Botox na redução do excesso de suor pode ser útil. Ele inibe a liberação pré-sináptica de acetilcolina, limitando assim a estimulação simpática das glândulas sudoríparas que causam o excesso de transpiração. No caso da hiperidrose focal primária, as glândulas sudoríparas são normais em tamanho, número e densidade, por isso a toxina botulínica atua inibindo as fibras colinérgicas simpáticas pós-ganglionares hiperativas que inervam essas glândulas. O tratamento da hiperidrose foi aprovado pelo FDA em 2004.

Artigo recomendado: Vlahovic, TC. Plantar Hyperhidrosis: An Overview. Clin Podiatr Med Surg. 2016. (link)

4 – Dor crônica

O Botox pode ajudar no tratamento de pessoas com a Síndrome da dor miofascial, uma condição crônica que envolve dor muscular.

Em um estudo de 2014, publicado no periódico Anesthesia & Analgesia, pesquisadores injetaram toxina botulínica nos músculos do pescoço e ombro de 114 pacientes com a síndrome. Eles descobriram que as dores dos participantes diminuíram após as injeções.

3 – Sialorreia na doença de Parkinson

Pessoas com a doença de Parkinson que desenvolvem problemas nas funções musculares e engolem com menos frequência do que o normal, podem ter saliva em excesso (sialorreia). O uso do Botox pode ajudar no tratamento desse sintoma.

Em um estudo de 2006, publicado no periódico Movement Disorders, pesquisadores administraram a toxina nas glândulas salivares de 32 pessoas com Parkinson que estavam sofrendo com o excesso de saliva. O resultado foi que após o tratamento, as pessoas produziram menos saliva. Não houve efeitos colaterais, segundo o estudo.

2 – Enxaquecas crônicas

A enxaqueca crônica é outra condição na qual o Botox pode ajudar a tratar, pois certos mecanismos musculares têm sido relacionados com o desenvolvimento de enxaquecas. Para ser considerada crônica a pessoa tem que ter enxaqueca por mais de 14 dias no mês, por mais de três meses.

Não se sabe ao certo qual o mecanismo de atuação da toxina na enxaqueca. Um estudo americano recente, por Rami Burstein e colaboradores, usando modelos animais, sugeriu que a toxina botulínica inibe a enxaqueca crônica reduzindo a expressão de certas vias da dor, envolvendo células nervosas no sistema trigeminovascular.

O FDA aprovou o uso do Botox para esse fim no ano de 2010, com injeções da droga administradas nas áreas do pescoço e cabeça, a cada 12 semanas, durante 56 semanas.

1 – Síndrome da bexiga hiperativa

Em 2013, o FDA aprovou o uso do Botox para tratar a síndrome da bexiga hiperativa em adultos que não podem usar, ou não foram ajudados por, medicamentos que normalmente são utilizados no tratamento dessa condição. A síndrome é uma condição em que a bexiga comprime-se frequentemente ou comprime-se sem aviso. Sintomas incluem incontinência urinária, necessidade urgente de urinar e micção frequente.

Quando a toxina é injetada no músculo da bexiga, ocorre seu relaxamento, aumentando a capacidade de armazenamento de urina e reduzindo os episódios de incontinência urinária.

Com informações de LiveScience e FDA


Sorteio de um pingente de Biomedicina. Participe!

Que tal ganhar um lindo pingente personalizado com o símbolo da biomedicina, de madrepérola e banhado a ouro?

Quem está oferecendo este presente é a Marine Pierre Semijoias. Se você ficou interessado em adquirir este, ou outro pingente, basta entrar em contato com a Marine Pierre pelo WhatsApp (43) 8474-7431 ou (43) 9170-0757.

Promoção – Como concorrer:

Para concorrer você deve seguir as instruções abaixo:

Formulário

Regulamento

- Promoção válida em todo o território nacional;

- Para concorrer você deve seguir todas as instruções acima citadas;

- Haverá apenas um ganhador;

- O período de participação será do dia 25 de maio a 10 de junho de 2016;

- O sorteio será realizado no dia 11 de junho de 2016, através do site sorteador.com.br;

- O ganhador será anunciado no dia 12 de junho de 2016 (domingo), em todos os meios de divulgação do blog;

- Caso o sorteado não tenha cumprido o regulamento, será realizado um novo sorteio para determinar outro ganhador, e assim sucessivamente;

- Cada pessoa pode participar apenas uma vez. Caso seja detectada duplicidade, o participante será automaticamente excluído do sorteio;

- Não é cobrada qualquer quantia em dinheiro em troca de participação;

- O prêmio será entregue de forma gratuita diretamente pela Marine Pierre Semijoias;

- Preenchendo o formulário você está concordando com o regulamento da promoção.


Diferença entre Homeostase e Hemostasia

Hemostasia e Homeostase

Já ficou na dúvida se esses dois termos eram a mesma coisa? Descubra a diferença entre Homeostase e Hemostasia

Homeostase

Em 1878, Claude Bernard apresentou a ideia de que o organismo é dividido em meio externo e meio interno. A habilidade de manter o meio interno em constante equilíbrio, funcionando contra as mudanças no meio externo, é chamada Homeostase.

Em humanos, a temperatura corporal é mantida aproximadamente em 36°C, a pressão arterial média fica em torno de 100 mmHg e a pressão osmótica plasmática gira em torno de 300 mOsm. Algumas flutuações nos fatores externos raramente afetam esses parâmetros.

O conceito de homeostase foi usado pela primeira vez por Walter Cannon em 1926. O termo “homeo-” refere-se a similar (ao contrário de “homo-”, que significa igual) e o termo “-stase” refere-se a condição.

Os sistemas Nervoso e Endócrino têm um papel importante na manutenção da homeostase. Acredita-se também que o sistema imunológico tenha um papel importante na manutenção da homeostase. Mudanças no meio externo que afetam um organismo são consideradas estressantes como estresse físico ou químico, assim como o biológico, por exemplo pela exposição a bactérias.

Hemostasia

Já a Hemostasia é uma série complexa de fenômenos biológicos que ocorre em resposta à lesão de um vaso sanguíneo com objetivo de parar uma hemorragia.

O mecanismo hemostático inclui três processos: hemostasia primária, coagulação (hemostasia secundária) e fibrinólise. Esses processos têm em conjunto a finalidade de manter a fluidez necessária do sangue, sem haver extravasamento pelos vasos ou obstrução do fluxo pela presença de trombos.

Aqui, estão envolvidos vasos sanguíneos, plaquetas, fatores pró-coagulantes e fatores anticoagulantes. Tudo em equilíbrio para parar o sangramento e depois dissolver o coágulo formado.

Conclusão

Podemos dizer então, que, a hemostasia faz parte da homeostase. Ou seja, a hemostasia é um mecanismo do organismo para manter o equilíbrio do meio interno.

Cagnolati, D. et al. Hemostasia e distúrbios da coagulação. Faculdade de Medicina da USP.
A comprehensive approach to Life Science. The University of Tokyo.

Caso clínico – qual sua hipótese diagnóstica? #5

Paciente A.R.F., 51 anos, sexo masculino, caminhoneiro, dá entrada no pronto socorro com icterícia, apresentando hepatomegalia dolorosa. Relata que há uns dias vem tendo náuseas, vômitos, diarreia, febre baixa, cefaleia e mal-estar.

Foram solicitados alguns marcadores hepáticos e hemograma.

Hematologia

Devido aos resultados dos exames clínico e laboratorial, foram solicitados marcadores sorológicos para Hepatite B e Hepatite C. Seguem os resultados:

Sorologias

Com base nas informações dadas, qual o provável diagnóstico?

Caso não esteja visualizando corretamente clique aqui

Em breve a resposta. Fique ligado!


Entrevista sobre Reprodução Humana Assistida com a Biomédica Aline Bomfim

Entrevista Reprodução Humana

Confira a entrevista com a Biomédica Aline Bomfim que atua na área de Reprodução Humana Assistida.

Conte-nos um pouco da sua trajetória acadêmica e profissional.

Aline Bomfim: Eu me formei em 2011 na Faculdade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC em Ipatinga/MG, o que foi um grande privilégio ter o curso de Biomedicina na cidade onde eu morava. Fiz minha especialização em Reprodução Humana Assistida na Associação Instituto Sapientiae em São Paulo/SP, um curso de 12 meses, concluído em 2012, em uma instituição de renome na área, o que fez valer o esforço das viagens mensais para São Paulo. Durante a especialização, iniciei um estágio na Clínica Pró Vida Medicina Reprodutiva em Ipatinga/MG, onde trabalhei por dois anos com uma excelente equipe de profissionais e adquiri toda experiência que tenho hoje na área. Porém, sempre tive muita afinidade pela área acadêmica, o que me fez buscar algo a mais para minha carreira, foi então que em 2014 me mudei para Ribeirão Preto/SP para iniciar meu mestrado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP).

Como você conheceu a área de RHA?

Aline Bomfim: Eu conheci a Reprodução Humana Assistida (RHA) em um curso sobre a área durante a graduação e foi “amor à primeira vista”, fiquei encantada com a possibilidade de poder ajudar as pessoas a realizarem o sonho de ter filho. Naquele momento tudo ainda era muito novo pra mim, mas ao mesmo tempo fascinante, pois ainda não tinha nenhuma área na Biomedicina que me interessava verdadeiramente. Desde então procurei me informar à respeito de locais de especialização, custos, remuneração, mercado de trabalho, me preparando para que ao final da graduação logo conseguisse seguir esse caminho.

Quais são as atribuições do biomédico nessa área?

Aline Bomfim: As atribuições do biomédico nessa área são diversas, desde a realização de um espermograma, até o acompanhamento do desenvolvimento embrionário. Na RHA, na maioria das vezes, os laboratórios se dividem em Andrologia e Embriologia, que são responsáveis pela realização de exames que avaliam a qualidade do sêmen, e a manipulação de gametas e embriões, respectivamente. Os profissionais da área, chamados Embriologistas, podem atuar em um dos laboratórios ou em ambos, dependendo da organização de cada clínica.

No laboratório de Andrologia, o exame mais rotineiro é o espermograma, que avalia características relevantes do sêmen. Além disso, é realizado o preparo do sêmen para as técnicas de RHA e uma série de testes funcionais que não são necessariamente realizados na rotina laboratorial, mas são úteis em certos casos diagnósticos e podem ser feitos em algumas clínicas. No laboratório de Embriologia, procura-se mimetizar in vivo o que acontece in vitro, portanto é um local que depende de um rigoroso controle de qualidade, pois ocorre a micromanipulação de gametas masculino e feminino, a fim de realizar a fertilização e o desenvolvimento de um embrião, até o momento da sua transferência para o útero da mulher.

O que o biomédico não pode fazer na RHA?

Aline Bomfim: O biomédico não pode fazer na RHA os procedimentos clínicos que são de competência médica. Para iniciar o tratamento, o médico avalia o casal a fim de encontrar a causa da infertilidade, para tanto se solicita uma série de exames, em sua maioria de responsabilidade médica. A partir daí, o médico indica o melhor tipo de tratamento para o paciente, que começa com intervenções farmacológicas, clínicas ou até mesmo cirúrgicas, todas acompanhados pelo médico até o dia do procedimento, que pode ser de baixa complexidade com o depósito dos espermatozoides dentro do útero, ou de alta complexidade com a retirada dos óvulos de dentro da mulher e ao final a transferência dos embriões para o útero. Também é de responsabilidade médica acompanhar o resultado do teste de gravidez e a confirmação por meio de ultrassonografia.

Você considera a RHA um campo ainda muito fechado para o biomédico?

Aline Bomfim: Acredito que a RHA já foi um campo fechado para o biomédico, porém atualmente com a saturação de algumas especialidades biomédicas, acompanhada do aumento da procura de tratamento de RHA por pessoas em busca do sonho de ter um filho, aumentou a demanda de profissionais especializados na área e, consequentemente, a abertura para profissionais competentes, como os biomédicos, para assumir os laboratórios de RHA. Como prova disso, felizmente, algumas faculdades têm inserido disciplinas relacionadas à grade curricular e têm aumentado o número de palestras sobre a área em eventos acadêmicos, para que os alunos conheçam e despertem interesse pela RHA.

Como é o mercado de trabalho e qual a forma de inserção do biomédico nessa área?

Aline Bomfim: O mercado de trabalho na RHA é otimista em relação as outras áreas mais procuradas pelos biomédicos, como a de análises clínicas por exemplo. Mas, ao mesmo tempo, ele exige um profissional especializado e capacitado para exercer a profissão. Portanto, acredito que a melhor forma de inserção do biomédico nessa área é, primeiramente, através de um curso de pós-graduação lato sensu, que possibilita uma formação teórica e prática a respeito de todas atribuições de competência biomédica, seguida de uma pós-graduação stricto sensu, se possível, para aprofundar o conhecimento sobre um determinado assunto da área e estar próximo da literatura, assim como das tecnologias mais recentes.

Que dicas você dá para quem quer seguir nessa área?

Aline Bomfim: Para quem quer seguir essa área, eu aconselho, primeiramente, procurar saber melhor a respeito antes de se especializar, pois apesar de ser uma profissão fascinante e muito gratificante, exige muita dedicação do profissional, pois trabalhamos em finais de semana, feriados e muitas vezes em horários fora do habitual.

Lidamos com estruturas delicadas, gametas e embriões, que exigem cuidados especiais, muitos dos quais com dia e horário devidamente marcado para determinado procedimento ou avaliação. Como assim? Lembrando que mimetizamos in vivo o que acontece in vitro, portanto procuramos fidelizar ao máximo em laboratório o que aconteceria em determinado período dentro do ambiente intrauterino.

Além disso, eu aconselho muita determinação e força de vontade, para estar sempre em busca de aperfeiçoamento e atualização, pois só assim nos tornamos um profissional competente e reconhecido. E, apesar de tudo, eu afirmo que vale a pena o esforço, e quem realmente tem interesse pela área, ao ver um lindo embrião se desenvolvendo ou um teste de gravidez positivo, irá concordar comigo.

Qual a sensação de saber que você está ajudando casais a realizar o sonho de ter um (ou mais) filho?

Aline Bomfim: A sensação de saber que está ajudando casais a realizar o sonho de ter filho é sensacional! Ver a criança, após seu nascimento, que você ajudou em sua formação, é mais sensacional ainda! E é essa sensação que nos impulsiona a tentarmos ser cada vez melhores no que fazemos, que renova os ânimos e nos dá mais gás para continuar tentando e ajudando cada vez mais pessoas a realizarem esse sonho. Realmente sou muito realizada e feliz com a escolha que fiz em seguir essa área.

Fale sobre as palestras e cursos que você oferece sobre o tema.

Aline Bomfim: Desde 2012, ministro palestras sobre RHA e minicursos de espermograma em eventos acadêmicos e cursos da área da saúde, em todo o Brasil. Aos interessados, podem entrar em contato através do e-mail: alinebs@msn.com.

Suas considerações finais.

Aline Bomfim: Agradeço imensamente a oportunidade, é sempre um prazer falar sobre a minha área. E melhor ainda é saber que a partir do compartilhamento de nossas experiências, podemos contribuir na decisão de um futuro profissional. Desejo muito sucesso na carreira de todos atuais e futuros profissionais Biomédicos Embriologistas de nosso país.

Agradeço a biomédica Aline Bomfim por ter aceito o convite e ter tirado tantas dúvidas, inclusive minhas, sobre a RHA. Parabéns pelo trabalho.

Estudantes de Biomedicina publicam artigo na “Nature”

Cecília Benazzato e Nathalia Almeida. Imagem: blog Cadê a Cura

Ainda na graduação, as alunas de biomedicina Cecília Benazzato (FMU) e Nathalia Almeida (UNIFESP), participam do grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), que por meio de experimentos com camundongos, mostrou que o Zika Vírus é capaz de atravessar a barreira placentária, infectar e matar as células que dariam origem ao cérebro dos animais em gestação.

O artigo publicado na Nature contou com a colaboração do coordenador da Rede Zika, Paolo Zanotto (ICB-USP), e de Alysson Muotri, pesquisador na Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos. As análises foram conduzidas principalmente pelas pós-graduandas da FMVZ-USP Fernanda Cuogola, Isabella Fernandes e Fabiele Russo.

As estudantes ficaram responsáveis pela manutenção das neurosferas e dos minicérebros (organoides cerebrais) usados na pesquisa. Elas também cuidaram da confecção das figuras do artigo científico. Outra parte que ficou por conta das meninas foi a extração de RNA de células nervosas.

Em entrevista ao blog Cadê a Cura, Nathalia afirma: “Eu ia dormir e fica pensando em RNA, Trizol [reagente usado para extrair RNA]…”. “Aluno de Iniciação Científica não tem muita experiência… Eu fiz o que pude, dei minha vida. Tinha uma doutoranda responsável, a gente fazia de tudo para ajudar: extraia [RNA], quantificava, limpava o laboratório, acompanhava…”.

Dados de testes in vitro sugerem ainda que a linhagem brasileira do vírus é mais agressiva do que a linhagem africana, que originalmente infectava macacos.

Para complementar os ensaios in vivo, foram realizados nos diversos tecidos dos camundongos recém-nascidos testes moleculares do tipo de PCR (reação em cadeia da polimerase) em tempo real, capazes de detectar o RNA viral durante a fase aguda da infecção.

Nos testes in vitro foram usados três diferentes modelos desenvolvidos a partir de células humanas: culturas bidimensionais (em placa de vidro) de neurônios e de células progenitoras neurais (um tipo de célula-tronco capaz de se diferenciar em neurônios e células da glia); culturas tridimensionais de células progenitoras neurais (cultivadas em suspensão para formar as chamadas neuroesferas); e organoides cerebrais ou minicérebros (estruturas tridimensionais milimétricas criadas em laboratório a partir de células-tronco pluripotentes induzidas e capazes de mimetizar o cérebro de fetos no primeiro trimestre de gestação).

Cugola, FR et al. The Brazilian Zika virus strain causes birth defects in experimental models. Nature, 2016 (link).

Fontes: Agência Fapesp e Blog Cadê a Cura


Coordenação de cursos de Biomedicina é privativa de Biomédicos

Coordenação Biomedicina

Infelizmente, estudantes de alguns lugares do Brasil relatam que seus cursos não são coordenados por biomédicos. Você sabia que isso é ilegal?

De acordo com o Art. 1º da Resolução nº 163 de 04 de dezembro de 2008, do Conselho federal, a coordenação dos cursos de Biomedicina nas respectivas Universidades/Faculdades, é privativa dos profissionais Biomédicos, devidamente inscritos nos seus respectivos Conselhos de Biomedicina.

Nada mais justo do que um biomédico coordenar o curso que irá formar outros biomédicos. Nada contra as outras profissões, mas não faz sentido um profissional não biomédico decidir os caminhos de um curso de biomedicina.

Só um biomédico, conhecedor de todas as nossas áreas de atuação e habilitações, pode saber o que fazer de melhor para elevar a qualidade do curso e dos profissionais formados, assim como lutar pelos direitos dos estudantes, seguindo as diretrizes curriculares de biomedicina. Sendo assim, com um curso de biomedicina forte, fortalecemos a biomedicina como um todo.

Então, se você é estudante de biomedicina e na sua instituição a coordenação do curso é exercida por outro profissional, reporte isso ao conselho de biomedicina.

Não aceite outro profissional, exceto um biomédico, para ser coordenador do seu curso de biomedicina!

Por que a dengue pode ser mais grave depois da primeira vez?

A. aegypti

Muitas pessoas acham que o que determina a gravidade da doença é o tipo de vírus (na dengue são quatro sorotipos). Bem, na verdade não é.

As chances de você ter dengue hemorrágica, por exemplo, aumentam drasticamente se você já teve a doença anteriormente. Mas você já parou para pensar por que isso acontece?

Há algum tempo, o pesquisador Dr. Scott Halstead propôs um fenômeno chamado de “agravamento da infecção dependente de anticorpo” para explicar esse fato.

Você só tem imunidade ao sorotipo em que entrou em contato durante a infecção. Quando uma pessoa é infectada pela segunda vez, por um dos outros três sorotipos, os anticorpos da primeira infecção, na verdade, ajudam o vírus a se espalhar e aumentar a viremia (quantidade de vírus na corrente sanguínea).

Surpreendentemente, ao invés de destruir o vírus, os anticorpos existentes e os recém produzidos pelos Linfócitos B podem ajudar o vírus a infectar as células com maior eficiência. Ironicamente, a consequência do agravamento da infecção dependente de anticorpo é que o sistema imunológico responde de uma maneira mais agressiva e aumenta o risco de evolução para dengue grave ou hemorrágica.


Whitehead, S. S. et al. Prospects for a dengue virus vaccine. Nature Reviews Microbiology 5, 518–528 (2007).

Apesar de os sorotipos serem semelhantes, ainda existem diferenças. São essas pequenas diferenças que mediam a infecção. Então o corpo irá produzir anticorpos para o primeiro sorotipo em que ele entrou em contato, não conseguindo neutralizar o verdadeiro sorotipo que está causando a atual infecção.

Além disso, os anticorpos não-neutralizantes ligados aos vírus dão a eles uma vantagem. Antes, os vírus só podiam infectar as células que tinham em sua superfície os receptores certos. Quando tais anticorpos ligam-se a eles, outras células, como monócitos e macrófagos, tentam destruí-los através da fagocitose, mas acabam contribuindo para sua disseminação.

Referências
When Good Antibodies Go Bad: Antibody-Dependent Enhancement

Host Response to the Dengue Virus

Halstead S. B. Pathogenisis of dengue: challenges to molecular biology. Science. 1988;239(4839):476–481.

Imagem: CDC