Clonalidade de linfócitos: diferença entre população policlonal, monoclonal e reacional
A clonalidade dos linfócitos indica se uma população linfocitária se originou de múltiplos clones diferentes ou da expansão predominante de um único clone.
Linfócitos policlonais
Em processos reativos, como infecções e estímulos imunológicos, ocorre geralmente uma expansão policlonal.
Isso significa que vários clones de linfócitos são ativados ao mesmo tempo, cada um com receptores diferentes.
É uma resposta fisiológica e heterogênea do sistema imune.
Linfócitos monoclonais
Nas neoplasias linfoproliferativas, como a LLC, ocorre expansão clonal ou monoclonal.
Nesse caso, grande parte das células deriva de um mesmo clone e compartilha características imunofenotípicas semelhantes.
Nos linfócitos B, essa clonalidade pode ser demonstrada pela restrição de cadeia leve, com predomínio de kappa ou lambda, em vez da distribuição mista esperada em uma população policlonal.
Como avaliar a clonalidade no laboratório
No laboratório, a clonalidade linfocitária é avaliada principalmente pela imunofenotipagem por citometria de fluxo. Nos linfócitos B, verifica-se a expressão das cadeias leves das imunoglobulinas, kappa (κ) e lambda (λ).
Em uma população policlonal, como ocorre habitualmente em respostas reacionais, encontram-se células expressando tanto kappa quanto lambda, mantendo uma distribuição relativamente heterogênea.
Já em uma população clonal, observa-se restrição de cadeia leve, ou seja, predomínio marcante de kappa ou de lambda, indicando que grande parte das células deriva do mesmo clone.
A avaliação não deve se limitar à relação kappa/lambda.
É necessário analisar conjuntamente o padrão de expressão dos demais marcadores e procurar uma população celular com fenótipo anormal e uniforme.
Na LLC, por exemplo, a demonstração de uma população B clonal costuma ser feita pela associação entre restrição de cadeia leve e o imunofenótipo característico, como CD19+, CD5+, CD23+ e CD200+, com expressão geralmente fraca de CD20 e imunoglobulina de superfície.
Em resumo
Policlonalidade sugere resposta reacional.
Monoclonalidade sugere expansão clonal e levanta a possibilidade de neoplasia.
Em ambos os casos, sempre deve-se interpretar os resultados junto com morfologia, imunofenótipo e contexto clínico.

