O isolamento das bactérias é feito por meio do cultivo em meios apropriados, que fornecem os nutrientes necessários para o crescimento.
Esses meios podem ser mais simples, usados para o crescimento de diferentes tipos de bactérias, ou enriquecidos com componentes como sangue e soro, que ajudam no desenvolvimento de microrganismos mais exigentes.
Também existem os meios seletivos, que favorecem o crescimento de alguns microrganismos e dificultam o de outros.
Já os meios diferenciais permitem observar características específicas das bactérias, como mudanças de cor no meio ou diferentes tipos de hemólise.
Alguns meios conseguem ser seletivos e diferenciais ao mesmo tempo, como o MacConkey e o EMB.
Por isso, observar o crescimento, a cor, a morfologia das colônias e as alterações no meio é uma etapa importante na identificação presuntiva das bactérias.
Meios de cultura mais comuns utilizados na microbiologia laboratorial
Ágar TSA (Tryptic Soy Agar)
Classificação: meio nutritivo, de uso geral e não seletivo.
O que favorece: crescimento de uma ampla variedade de bactérias não fastidiosas e de diversos outros microrganismos.
Princípio: contém peptonas derivadas de caseína e soja, que fornecem nitrogênio, aminoácidos e peptídeos necessários ao crescimento microbiano. Também apresenta componentes que fornecem energia e mantêm o equilíbrio osmótico. Pode servir como base para meios enriquecidos, como o TSA acrescido de sangue.
Exemplos típicos:
- Escherichia coli: bom crescimento
- Staphylococcus aureus: bom crescimento
- Pseudomonas aeruginosa: bom crescimento
- Bacillus spp.: bom crescimento
Importante: o TSA não foi desenvolvido para diferenciar espécies bacterianas. A morfologia colonial pode fornecer informações preliminares, mas outros testes são necessários para a identificação.
Ágar sangue
Classificação: enriquecido e diferencial.
O que favorece: crescimento de uma ampla variedade de bactérias, inclusive muitos microrganismos com maiores exigências nutricionais.
Princípio: uma base nutritiva é enriquecida com sangue, frequentemente sangue de carneiro desfibrinado. Além de favorecer o crescimento, as hemácias permitem observar a capacidade dos microrganismos de produzir hemólise.
Como interpretar:
Alfa hemólise: lise parcial das hemácias, produzindo uma região esverdeada ou acastanhada ao redor das colônias.
Beta hemólise: lise completa das hemácias, produzindo uma zona clara e transparente ao redor das colônias.
Ausência de hemólise: não ocorre alteração perceptível das hemácias ao redor da colônia. Tradicionalmente esse padrão também é chamado de Gama hemólise, embora não corresponda propriamente a uma hemólise.
Exemplos típicos:
- Streptococcus pyogenes: beta-hemólise
- Streptococcus pneumoniae: alfa-hemólise
- Estreptococos do grupo viridans: geralmente alfa-hemólise
- Enterococcus faecalis: frequentemente ausência de hemólise
- Staphylococcus aureus: algumas cepas apresentam beta-hemólise
Importante: o padrão de hemólise é uma característica importante para a identificação presuntiva, principalmente de estreptococos, mas não deve ser utilizado isoladamente para identificar uma espécie.
Ágar chocolate
Classificação: meio enriquecido e não seletivo, quando não possui antimicrobianos adicionados.
O que favorece: principalmente o crescimento de bactérias fastidiosas, ou seja, microrganismos com maiores exigências nutricionais.
Princípio: durante o preparo, o aquecimento provoca lise das hemácias e liberação de nutrientes intracelulares. Entre eles estão a hemina, conhecida como fator X, e o NAD, fator V, importantes para o crescimento de determinadas bactérias fastidiosas.
Como interpretar:
O crescimento deve ser avaliado principalmente pela presença, quantidade e morfologia das colônias.
Diferentemente do ágar sangue, o ágar chocolate não é utilizado rotineiramente para avaliar padrões de hemólise, pois as hemácias já foram lisadas durante sua preparação.
Exemplos típicos:
- Haemophilus influenzae: crescimento
- Neisseria gonorrhoeae: crescimento
- Neisseria meningitidis: crescimento
Importante: apesar do nome, o meio não contém chocolate. A coloração marrom é produzida pelo aquecimento do sangue e pela lise das hemácias. Formulações seletivas de ágar chocolate podem conter antimicrobianos e apresentar finalidade diferente do ágar chocolate convencional.
Ágar MacConkey
Classificação: seletivo e diferencial.
O que seleciona: principalmente bacilos Gram-negativos, especialmente bactérias entéricas.
Princípio: os sais biliares e o cristal violeta inibem grande parte das bactérias Gram-positivas. A presença de lactose e do indicador vermelho neutro permite diferenciar bactérias fermentadoras de lactose das não fermentadoras.
Como interpretar:
Lactose positiva: colônias rosadas ou avermelhadas.
Lactose negativa: colônias incolores, claras ou pálidas.
Alguns fermentadores intensos podem apresentar precipitação de sais biliares ao redor das colônias.
Exemplos típicos:
- Escherichia coli: lactose positiva, geralmente colônias rosadas a avermelhadas
- Klebsiella pneumoniae: lactose positiva, frequentemente com aspecto mucoide
- Salmonella spp.: lactose negativa
- Shigella spp.: lactose negativa
- Pseudomonas aeruginosa: lactose negativa
Importante: A coloração da colônia fornece identificação presuntiva, não identificação definitiva.
Eosin-methylene Blue Agar (EMB)
Tipo: Diferencial (lactose) e seletivo (inibição da coloração e
precipitação em pH ácido)
Propósito: Diferencia fermentadores de
lactose (E. coli) de não fermentadores (Salmonella,
Shigella)
Interpretação: Fermentadores: azul/preto; não
fermentadores: sem cor ou roxo claro
EXEMPLOS
E.
coli
K.
pneumoniae
S. enteritidis
Tipo: Seletivo e diferencial
Propósito: Seleciona
Staphylococci, que crescem em altas concentrações de sal; Diferencia
Staphylococcus aureus de outros Staphylococci
Interpretação:
Staphylococcus aureus é amarelo (fermenta o manitol), outros
staphylococci são brancos
EXEMPLOS
S.
aureus
S.
epidermidis
E. coli
Ágar Hektoen
Tipo: Seletivo e diferencial
Propósito: Detecta
fermentação de lactose, produção de H2S, inibe não-entéricas
Interpretação: Fermentados de lactose: amarelo ou salmão; não
fermentadores: sem cor; produção de H2S produz precipitado preto
EXEMPLOS
Referências
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Microbiologia clínica para o controle de infecção relacionada à assistência à saúde: módulo 5: tecnologias em serviços de saúde: descrição dos meios de cultura empregados nos exames microbiológicos. Brasília, DF: Anvisa, 2013. 95 p.
MICHIGAN STATE UNIVERSITY. Cultivation Media for Bacteria. Virtual Interactive Bacteriology Laboratory. East Lansing: Michigan State University, [s.d.]. Disponível em: https://learn.chm.msu.edu/vibl/content/differential/index.html. Acesso em: 1 out. 2026.


