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| Imagem: CDC |
Apresentam-se como bacilos retos ou levemente curvados, com 1 a 4 mm de comprimento por 0,3 a 0,6 mm de largura.
Algumas vezes, podem apresentar-se na forma cocobacilar ou filamentosa, variando de espécie para espécie.
São, de maneira geral, bacilos imóveis, não esporulados, aeróbios ou microaerófilos, sendo, sua principal característica, a capacidade de resistir à descoloração quando tratadas com álcool-ácido
Demonstrada pelo método de Ziehl-Neelsen, a resistência ao álcool-ácido é baseada no fato de que as micobactérias, quando tratadas pela fucsina fenicada, resistem à descoloração subsequente por uma solução de álcool-ácido, permanecendo coradas em vermelho.
A álcool-ácido resistência é uma propriedade do organismo intacto, como também de sua estrutura química, particularmente de seu conteúdo em ácido micólico.
Algumas micobactérias, tais como o bacilo da tuberculose, contêm mais ácido micólico do que as espécies saprofíticas e isso pode justificar o fato de eles serem mais fortemente ácido resistentes.
A integridade física da parede celular é também essencial à ácido resistência, pois esta propriedade se perde quando ocorre a desintegração bacteriana, apesar de não haver destruição do ácido micólico, sugerindo que a resistência à descoloração depende de uma membrana semipermeável da parede da célula bacteriana.
Essa membrana permitiria a difusão da fucsina nas células, mas não permitiria a saída da fucsina ácida.
De acordo com o grau de patogenicidade, as micobactérias são divididas em três grupos:
- Estritamente patogênicas: M. tuberculosis, M. leprae e M. africanum.
- Potencialmente patogênicas: M. avium, M. intracellulare, M.scrofulaceum, M. kansasii, M. ulcerans, M. xenopi, M. haemophilum, M. genavense, M. simiae, M. malmoense, M. asiaticum, entre outras.
- Raramente patogênicas: M. thermoresistibile, M. gordonae, M. triviale, M. gastri, M. terrae, M. flavenscens e outras.
Diagnóstico laboratorial
Microscopia
A baciloscopia é considerada o procedimento mais rápido e fácil permitindo ao laboratório detectar a presença de bacilos álcool- ácido resistentes (BAAR).
É menos sensível que a cultura, pois para que haja visualização de BAAR nos esfregaços realizados a partir de espécimes de origem pulmonar é necessário que se tenha de 5.000 a 10.000 bacilos/mL da amostra.
É também utilizada quando se deseja confirmar a presença de BAAR no crescimento de culturas em meio sólido.
Cultura
O diagnóstico laboratorial da tuberculose pulmonar e outras micobacterioses depende da detecção e isolamento de BAAR a partir de espécimes clínicos de origem pulmonar e extrapulmonar, podendo ser contaminados (escarro, lavado gástrico, urina) ou estéreis (líquor, sangue, líquido pleural, medula óssea).
O meio mais utilizado para o isolamento de micobactérias é o Lowenstein-Jensen, que é um meio solidificado à base de ovo que contém glicerol e asparagina como fontes de carbono e nitrogênio.
Outros meios solidificados à base de ágar, como o 7H10 e 7H11 de Middlebrook, também podem ser utilizados.
- Leia também: Diagnóstico laboratorial da Tuberculose
Referência
Diltor Vladimir Araujo, Opromolla Ida Maria, Foschiani Dias Baptista. Microbactérias.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Microbiologia clínica para o controle de infecção relacionada à assistência à saúde: módulo 7: detecção e identificação de micobactérias de importância médica. Brasília, DF: Anvisa, 2013. 43 p. il. (Microbiologia Clínica para o Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde, v. 7).