Cultivando bactérias em locais remotos e com recursos limitados

Por Brunno Câmara - quarta-feira, agosto 14, 2013


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Com o intuito de isolar, estudar e efetivamente tratar doenças bacterianas, é vital que sejamos capazes de crescer, armazenar e identificar as cepas das bactérias que causam essas doenças. Enquanto esse processo é relativamente simples em um laboratório bem equipado, é muito mais difícil alcançar realizar essa tarefa em locais remotos, como regiões rurais ou com difícil acesso, onde os recursos são escassos.

Um artigo publicado recentemente mostra como a bactéria Salmonella enterica pode ser cultivada e identificada em locais como esses.

Ao invés de usar uma incubadora convencional, os pesquisadores usaram uma caixa térmica (antes usada para armazenar vacinas!) e sachês de mudança de fase para controlar a temperatura. Esses sachês contêm uma substância que mantém a temperatura a 38ºC, mudando sua forma líquida para sólida.


a. sachês contendo uma substância que muda de fase quando é aquecida com água ou luz solar. b. depois do aquecimento do sachê (direita), o material aparece como um líquido claro (esquerda). c. os sachês e garrafas, contendo sangue dos pacientes suspeitos de febre tifoide, são colocados numa caixa térmica. d. as garrafas são inspecionadas a cada 24h para verificar mudança de cor do detector de CO2, que distingue culturas positivas (esquerda) de culturas negativas (direita).

Uma vez incubada, as garrafas contendo as culturas foram checadas todos os dias, durante sete dias, para observar a descoloração de um indicador feito de dióxido de carbono, colocado no fundo das garrafas e verificar se as bactérias ainda estavam vivas e crescendo. Simultaneamente, culturas foram incubadas pelo modo convencional para futura comparação.

Resultados

De 65 indivíduos confirmados com febre entérica, 55 (84.6%) foram identificadas pelo procedimento convencional e 60 (92.3%) foram identificadas pelo método experimental. A porcentagem global de concordância entre os dois métodos foi de 94.4%.

O estudo prova que é possível levar o diagnóstico para regiões distantes e com pouco recursos por um baixo custo e sem utilizar técnicas muito avançadas.

Com informações de

Andrews JR, Prajapati KG, Eypper E, Shrestha P, Shakya M, et al. (2013) Evaluation of an Electricity-free, Culture-based Approach for Detecting Typhoidal Salmonella Bacteremia during Enteric Fever in a High Burden, Resource-limited Setting. PLoS Negl Trop Dis 7(6): e2292. doi:10.1371/journal.pntd.0002292

Brunno Câmara Autor

Brunno Câmara - Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Docente do Ensino Superior dos cursos de graduação em Biomedicina e Farmácia. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Mestrando no Programa de Pós-graduação em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública - UFG (IPTSP-UFG). Coordenador e docente do curso de pós-graduação em Hematologia e Hemoterapia da AGD Cursos. Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast.

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