5 dicas para fazer um esfregaço sanguíneo perfeito

quinta-feira, dezembro 08, 2016 0 Comentários


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Sinonímia: distensão sanguínea e extensão sanguínea.

O laboratório de hematologia evolui muito nas últimas décadas, com as contagens celulares geradas por aparelhos automatizados substituindo as técnicas manuais.

A tradicional revisão da contagem diferencial de leucócitos de cada amostra, através da análise microscópica, caiu em desuso na maioria dos laboratórios que possuem tais aparelhos.

O motivo para isso é a maior precisão das contagens automatizadas em comparação com os métodos de contagem manual.

Apesar disso, sabe-se que a superioridade da contagem automatizada é limitada a amostras com leucócitos maduros e bem caracterizados. Na presença de qualquer alteração nas células e de leucócitos imaturos deve-se realizar a revisão da lâmina hematológica para um diagnóstico mais preciso.

1. Fique de olho nos flags

Os analisadores hematológicos fornecem informações qualitativas na forma de “flags”, ou alarmes, que alertam o analista clínico para a presença de possíveis resultados errôneos devido a variáveis interferentes, assim como a presença de células anormais.

Baseado nisso, apenas amostras com resultados acima ou abaixo dos valores de referência e/ou com a presença de flags, precisam ser revisadas microscopicamente.

2. Componentes essenciais

Para ter valor significativo, o esfregaço sanguíneo deve ser bem realizado. Quatro componentes são essenciais para o resultado final:

  • A qualidade da distensão;
  • A qualidade da coloração;
  • A qualidade do microscópio;
  • A experiência do microscopista.

3. Fazendo o esfregaço sanguíneo

O esfregaço manual é feito colocando-se uma gota de sangue em um lado da lâmina, e espalhando-a rapidamente com uma outra lâmina ou extensora, em um determinado ângulo.

Uma boa distensão é grossa na extremidade onde a gota foi colocada e torna-se progressivamente mais fina, com uma boa separação das células na outra extremidade. Ela deve ocupar a área central e não tocar nas margens da lâmina.

Produzir uma distensão sanguínea de qualidade requer prática.

4. Fatores que influenciam na qualidade

Velocidade - Quanto mais rápida a lâmina distensora for movida, maior e mais fina será a distensão. Quanto mais lenta a lâmina for movida, menor e mais grossa a distensão será.

Ângulo - Um ângulo maior que 30° deixa a distensão mais grossa; menor que 30° a distensão fica mais fina.

Tamanho da gota de sangue - Uma pequena gota de sangue (10-15 µL) é o suficiente para preparar uma distensão com comprimento adequado; uma gota grande pode fazer com que a distensão se estenda além do comprimento da lâmina.

Hematócrito - A viscosidade (hematócrito) do sangue, também irá afetar a distensão. O sangue de um paciente com anemia terá uma menor viscosidade e a distensão ficará muito fina se o ângulo não for aumentado. O oposto também é verdadeiro no caso de um paciente com policitemia.

Esfregaço sanguíneo

a) esfregaço de má qualidade; b) esfregaço de boa qualidade

5. Distensões muito finas ou muito grossas são um problema

Quando são muito finas (causadas por gota pequena, movimento lento ou ângulo menor) as distensões podem fazer com que os eritrócitos pareçam esferócitos e também aumentar o número de leucócitos, como monócitos e neutrófilos, na cauda. O resultado é uma contagem diferencial incorreta.

Em casos em que a distensão fique muito grossa, a área de contagem será muito pequena. Pelo menos 10 campos, onde 50% dos eritrócitos não se sobrepõem, são necessários para uma contagem diferencial precisa.

Confira: Corantes utilizados no esfregaço hematológico

Referência: Dacie and Lewis, Practical Haematology, 9th edition, Edited by SM Lewis, BJ Bain, I Bates, Chapter 4: Preparation and staining methods for blood and bone marrow smears, pág. 50.

Brunno Câmara Biomédico

Brunno Câmara - Biomédico, CRBM-GO 5596. Mestrando no Programa de Pós-graduação em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro (Virologia) do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública - UFG (IPTSP-UFG). Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast (biomedcast.com).