Entendendo o que é filtração, reabsorção, secreção e excreção renal

Por Brunno Câmara · Publicado em

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filtração, reabsorção, secreção e excreção renal

O rim tem um papel fundamental na homeostase do nosso corpo, por exemplo, filtrando líquidos corporais para eliminar substâncias tóxicas ao organismo e regulando o equilíbrio ácido-básico.

A formação da urina envolve três processos principais: filtração glomerular, reabsorção tubular e secreção tubular. 

Após essas etapas, ocorre a excreção urinária. Embora estejam relacionados, cada processo possui uma função específica.

Por serem termos semelhantes, muitos confundem seus significados e definições. 

Para vocês não terem mais dúvidas, vou explicar resumidamente o que cada um desses termos significa.

Filtração

A filtração glomerular é a primeira etapa da formação da urina. 

Nesse processo, a pressão de filtração promove a passagem de água e pequenos solutos do plasma sanguíneo para o espaço da cápsula de Bowman. 

A barreira de filtração glomerular apresenta seletividade, restringindo a passagem de células sanguíneas e da maior parte das proteínas plasmáticas.

A taxa de filtração glomerular (TFG) depende de fatores como o fluxo sanguíneo renal e as pressões hidrostáticas e oncóticas nos capilares glomerulares.

Reabsorção

O papel da reabsorção é de recuperar as moléculas que foram filtradas, mas são essenciais ao organismo e devem retornar para a circulação. 

Esse processo acontece, principalmente, no túbulo proximal do néfron. 

São exemplos dessas moléculas: 

  • aminoácidos
  • glicose
  • ureia
  • sódio
  • água

Curiosidade. Quando a glicose começa a aparecer na urina significa que o limiar de reabsorção foi atingido, que no caso da glicemia é de 160 a 180 mg/dL.

O transporte envolve proteínas especializadas, como o cotransportador de sódio e glicose (SGLT2), o trocador de sódio e hidrogênio (NHE3) e as aquaporinas, que participam da movimentação de água e solutos.

A reabsorção também é regulada pelo fluxo tubular. 

Quando o fluxo aumenta, mecanismos locais podem ajustar a atividade dos transportadores, contribuindo para o equilíbrio entre filtração e reabsorção.

Secreção

Do mesmo modo que existem moléculas que devem retornar à circulação, existem as que precisam ser eliminadas, mas não foram filtradas.

Esse processo contribui para a eliminação de compostos e para o controle do equilíbrio ácido-básico e das concentrações de eletrólitos.

Entre as substâncias que podem ser secretadas estão:

  • Íons hidrogênio (H⁺)
  • Potássio (K⁺)
  • Amônio (NH₄⁺)
  • Determinados medicamentos e metabólitos

A secreção de potássio, especialmente nos segmentos distais do néfron, também é influenciada pelo fluxo tubular e pela atividade de canais iônicos.

Excreção

A excreção é a eliminação das substâncias presentes na urina final, após os processos de filtração, reabsorção e secreção.

A urina segue pelos ductos coletores, cálices renais, pelve renal e ureteres até a bexiga, onde permanece armazenada até ser eliminada pela uretra durante a micção.

A quantidade de determinada substância excretada depende do equilíbrio entre os três processos renais:

Excreção = Filtração − Reabsorção + Secreção

Portanto, nem tudo que é filtrado será eliminado na urina, pois parte das substâncias retorna à circulação, enquanto outras são acrescentadas ao fluido tubular por secreção.

Processo Movimento Função principal Exemplos
Filtração glomerular Sangue → filtrado glomerular Filtrar água e pequenos solutos do plasma Água, glicose, ureia e eletrólitos
Reabsorção tubular Filtrado → sangue Recuperar água e substâncias úteis ao organismo Água, sódio, glicose, aminoácidos e bicarbonato
Secreção tubular Sangue → túbulo renal Adicionar substâncias ao fluido tubular para eliminação ou regulação H⁺, K⁺, NH₄⁺, medicamentos e metabólitos
Excreção urinária Urina → meio externo Eliminar as substâncias presentes na urina final Resultado de filtração − reabsorção + secreção

Referências

EDWARDS, Aurélie; MCDONOUGH, Alicia A.; ELLISON, David H. Flow-dependent transport processes 2024: filtration, absorption, and secretion. American Journal of Physiology-Renal Physiology, v. 328, n. 5, p. F627-F637, 2025. DOI: https://doi.org/10.1152/ajprenal.00303.2024

KINGSTON, Jennifer; KHAN, Shiraz; MOINUDDIN, Zia. Function of the nephron and the formation of urine. Anaesthesia & Intensive Care Medicine, v. 25, n. 5, p. 339-343, 2024. DOI: https://doi.org/10.1016/j.mpaic.2024.03.012

Como citar este artigo
Brunno Câmara, biomédico e autor do Biomedicina Padrão
SOBRE O AUTOR

Brunno Câmara

Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em Patologia Clínica e Hematologia. Responsável técnico e gestor da qualidade no Laboratório Clínico do HC-UFG/HU Brasil. Especialista em Hematologia e Hemoterapia e mestre em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro. Atua também na formação de biomédicos e é criador do Biomedicina Padrão.


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