Novos parâmetros da Perícia Criminal na investigação de homicídios

Por Brunno Câmara · Publicado em

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Em investigações de homicídio, o tempo é crucial. Após 36 horas da morte, fica muito difícil coletar amostras devido à decomposição e outros fatores físicos limitantes.

Cientistas estão tentando descobrir novos parâmetros para investigações de morte. Um deles é a análise da modificação de enzimas e proteínas musculares; outro, a mudança de cor das manchas de sangue.

O método de análise de proteínas musculares foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Salzburg, Áustria. Observando a decomposição de proteínas e enzimas em porcos mortos, eles conseguiram estimar a hora da morte com precisão de até 240 horas. Outras moléculas naturais, como tropomiosina e actina, podem fornecer uma precisão de tempo de morte ainda maior.

Outra tecnologia forense proposta, que pode ajudar os peritos, é a espectrometria de luz. Apesar de serem estudadas por mais de 100 anos, resultados das análises da mudança de cor das manchas de sangue são tão variáveis que, geralmente, não são consideradas nos tribunais.

A cor fornece mais dados úteis do que muitos pensam. A espectrometria é uma técnica valiosa em muitas áreas, desde descobrimentos de novas drogas a monitoramento ambiental. Espectrômetros se tornaram instrumentos indispensáveis. Porém, eles tendem a ser caros e complexos. Os mais precisos são muito grandes para serem usados no local de um crime, por exemplo.

Agora, cientistas construíram um espectrômetro ótico que é pequeno, poderoso, e potencialmente barato. O estudo é um trabalho colaborativo entre a Universidade de Beijing, MIT e Instituto de Tecnologia da Califórnia.

As imagens são capturadas com uma câmera de smartphone. Essa câmera é convertida em um espectroscópio usando uma suspensão de partículas chamada de pontos coloidais quânticos (colloidal quantum dots). Quando expostas à luz, essas pequenas partículas produzem cores vívidas, com o tamanho e tonalidade determinadas pelo tamanho da partícula. Com a mistura certa de partículas, uma camada pode ser aplicada, filtrando e analisando o comprimento de onda (consequentemente a cor) da luz que entra.

A mudança da cor da mancha de sangue, na cena do crime, então, pode ser analisada e a hora da morte pode ser estimada, com o auxílio dessa nova tecnologia.

Esperamos que essas tecnologias comecem a ser utilizadas o mais breve possível, e que cheguem ao Brasil, melhorando e acelerando a identificação dos indivíduos vítimas de homicídios.

Referências

A colloidal quantum dot spectrometer – Link

Scientists Pinning Time of Death Using Muscle Proteins, Blood Color – Link

Brunno Câmara, biomédico e autor do Biomedicina Padrão
SOBRE O AUTOR

Brunno Câmara

Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em Patologia Clínica e Hematologia. Responsável técnico e gestor da qualidade no Laboratório Clínico do HC-UFG/Ebserh. Especialista em Hematologia e Hemoterapia e mestre em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro. Atua também na formação de biomédicos e é criador do Biomedicina Padrão.


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