Diagnóstico laboratorial da Tuberculose

Por Brunno Câmara - quarta-feira, maio 22, 2019



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A tuberculose tem como espécie mais importante em saúde pública a Mycobacterium tuberculosis. Porém, outras seis espécies do complexo M. tuberculosis podem causar a doença.

O M. tuberculosis, também conhecido como bacilo de Koch (BK), é fino, ligeiramente curso e mede de 0,5 a 3 μm. É um bacilo álcool-ácido resistente (BAAR), aeróbio, com parede celular rica em lipídios, como ácidos micólicos e arabinogalactano.

A composição da parede celular reduz a efetividade da maioria dos antibióticos e facilita sua sobrevida nos macrófagos.


Diagnóstico laboratorial

A pesquisa de bacilos é fundamental tanto para o diagnóstico como para avaliar o tratamento da tuberculose.

Baciloscopia - exame microscópico direto

Autor: CDC/Dr. George P. Kubica

É um método simples, em que é realizada a pesquisa de BAAR pelo método de Ziehl-Neelsen.

Em adultos, a baciloscopia de escarro permite detectar de 60-80% dos casos de tuberculose pulmonar. Em crianças sua sensibilidade diminui devido a dificuldade de obtenção de amostra com boa qualidade.

A baciloscopia de escarro deve ser realizada em duas amostras diferentes, coletadas em momentos distintos: uma na primeira consulta médica e a outra no dia seguinte, pela manhã.


Teste rápido molecular (TRM-TB)


É um teste semi-quantitativo, indicado para o diagnóstico de tuberculose pulmonar e laríngea em adultos e adolescentes. Encontra-se disponível na rede pública de alguns municípios.

O nome comercial do teste é Xpert MTB/RIF® destinado a ser utilizado com o sistema GeneXpert®
da empresa Cepheid.


O TRM-TB utiliza como princípio a técnica de nested PCR em tempo real para amplificação do DNA bacteriano. Além disso, serve como triagem de cepas resistentes à rifampicina.

Apenas uma amostra de escarro é necessária. Outras amostras podem ser usadas, como:

  • Lavado broncoalveolar;
  • Lavado gástrico;
  • Líquor;
  • Linfonodos e outros tecidos.

Em amostras de escarro, sua sensibilidade é de 90%, maior que a da baciloscopia. Possui também 95% de sensibilidade na detecção de resistência à rifampicina.

Este teste deve ser utilizado apenas no diagnóstico de casos novos de tuberculose, pois o DNA bacteriano de bacilos mortos ou inviáveis pode ser detectado.

Sendo assim, não deve ser usado em casos de retratamento da doença. Nesses casos, deve-se fazer a baciloscopia e cultura para microbactérias, seguida do teste de sensibilidade antimicrobiano.



Cultura para micobactéria e teste de sensibilidade

© Agarwal et al / BioMed Central Ltd., courtesy of the Biology Image Library / CC-BY-2.0

É um método de elevada sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de tuberculose.

Os meios de cultura podem ser sólidos ou líquidos. Os mais comumente utilizados são os sólidos à base de ovo, Lowenstein-Jensen e Ogawa-Kudoh.

A desvantagem do meio sólido é o tempo de crescimento, que varia de 14 a 30 dias, podendo chegar a oito semanas.

O meio líquido é usado na automação, como no BD BACTEC™ MGIT™. O tempo de resultado varia de 4 e 13 dias quando positivo, e 42 dias quando negativo.

A identificação da espécie é feita por métodos bioquímicos e fenotípicos ou por métodos moleculares.

O teste de sensibilidade aos antimicrobianos pode ser realizado por métodos que utilizam meios sólidos (mais demorado) e líquidos (mais rápidos).

Os antibióticos testados são:

  • Estreptomicina;
  • Isoniazida;
  • Rifampicina;
  • Etambutol;
  • Pirazinamida.
Para confirmar o diagnóstico de tuberculose, é necessária a identificação da espécie que foi detectada na cultura.

Referência

Brasil. Ministério da saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Manual de Recomendações para o controle da tuberculose no Brasil. – Brasília: Ministério da Saúde, 2018.

Brunno Câmara Autor

Brunno Câmara - Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Docente do Ensino Superior. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Mestre em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro (área de concentração: virologia). Coordenador e docente do curso de pós-graduação em Hematologia e Hemoterapia da AGD Cursos. Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast.
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