Biomédico perfusionista é referência em cirurgia cardíaca minimamente invasiva

Por Brunno Câmara - segunda-feira, junho 24, 2019


Técnica minimamente invasiva para operações do coração (MICS) ganha espaço e é realizada em Goiás, graças ao empenho de equipe multidisciplinar coordenada por um cirurgião cardiovascular e um Biomédico perfusionista.



Cirurgia convencional x MICS

A cirurgia cardíaca tradicional, com abertura de tórax por esternotomia já é empregada há décadas com ótimos resultados, porém, requer um tempo longo de internação e um período relativamente longo de reabilitação dependendo do caso. Estamos falando de uma ciência não exata e com particularidades referentes a cada paciente.



Nas últimas décadas as tecnologias e tratamentos na área de saúde evoluíram rapidamente. A busca por procedimentos mais seguros, técnicas precisas e alternativas mais eficazes surgiram com o propósito de assegurar mais qualidade de vida aos pacientes e menor trauma.

A cirurgia minimamente invasiva é um método que oferece a máxima preservação da anatomia, com a mínima agressão ao organismo, e consiste em enorme aparato de material humano e tecnológico.

A técnica, quando utilizada em cirurgia cardíaca, traz inúmeros benefícios ao paciente: oferece menos dor, sangramento, menor risco de infecções, além de proporcionar uma recuperação mais rápida, menor tempo de hospitalização (três a cinco dias em média), menor tempo de ventilação mecânica, menor sangramento e por consequência menor necessidade de transfusões entre outros. Em apenas duas a três semanas há o retorno pleno às atividades, além da incisão e cicatrizes menores, menor tempo na UTI.

Vale ressaltar ainda que há melhor resultado estético em relação à cirurgia convencional devido a diminuição significativa do tamanho da incisão, que passa de 21 cm para algo entre 3 e 5 cm, sem fratura óssea.

Essas são vantagens da cirurgia cardíaca minimamente invasiva videoassistida quando comparada à cirurgia tradicional.

Cirurgia cardíaca minimamente invasiva

A técnica não é nova. Começou a ser desenvolvida nos Estados Unidos e Europa desde a década de 90, e já é amplamente utilizada para tratar inúmeras doenças do coração.

Muitas universidades americanas e europeias possuem um programa de cirurgia cardíaca minimamente invasiva, seja videoassistida ou robótica.

No nosso país é necessário um enorme trabalho para conseguirmos os mesmos resultados dos países desenvolvidos por várias razões, que passam pela estrutura hospitalar e da limitação para o SUS, sendo necessário criar meios de viabilizar tal procedimento com as tecnologias disponíveis para a cirurgia convencional.

No Brasil a técnica ainda engatinha, sendo necessário como toda novidade um treinamento intensivo e dedicação da equipe para que o hospital possa oferecer essa alternativa à cirurgia convencional de forma segura e eficiente.

Chama atenção a receptividade ao procedimento fora do Brasil. Aqui, por ser uma técnica que exige a aquisição de materiais mais caros e especialização específica, ainda não é tão disseminada, mas o reconhecimento ao redor do mundo é imenso.

Com o aprimoramento da técnica e o refinamento de procedimentos ecocardiográficos e de circulação extracorpórea que é bem mais complexa e exige um profissional bem mais capacitado, pois mescla os princípios da CEC, com a ECMO, tendo muitas particularidades com a técnica convencional.

Hoje raras equipes dominam tais habilidades nas salas de cirurgia no Brasil, porém as que as fazem, tornam a cirurgia cada vez mais segura e efetiva.

Ganhos

A maioria dos pacientes submetidos a esta técnica retorna precocemente às atividades físicas e de trabalho, pois no procedimento não é necessária a fratura do osso esterno. 

A incisão pode ser feita entre as costelas, parcialmente do esterno e até mesmo sem tais aberturas, ficando a cicatriz quase imperceptível. Em muitos casos, 15 dias após a cirurgia o paciente  volta a trabalhar e tomar as rédeas de sua vida normalmente.


É considerada uma técnica revolucionária do ponto de vista da recuperação do paciente e que a indicação da cirurgia cardíaca minimamente invasiva pode ser usada para tratar casos muito graves, mas depende de uma avaliação minuciosa que deve ser feita pelo cirurgião do paciente.

Vale ressaltar que mesmo sendo indicada para praticamente todos os casos, a técnica não reduz a gravidade das doenças cardíacas bem como, seus riscos.

Goiás desponta no cenário nacional

A equipe coordenada pelo Dr Rodrigo Ribeiro de Souza (Cirurgião Cardiovascular) e pelo Dr Jeffchandler Belém de Oliveira (Biomédico perfusionista), realizaram mais de 950 cirurgias deste tipo em Goiás, deixando o estado como referência nacional neste procedimento e atualmente recebem cirurgiões do Brasil todo para trocas de experiências e vivência em um grande centro especializado.

Goiás se notabiliza por ser um estado que fornece residência médica que oferece a técnica tradicional e minimamente invasiva como também possui centro formador de perfusão extracorpórea nesta área (Só é oferecida em 2 estados no Brasil). 

O mais incrível deste trabalho é a disponibilidade de realizar cirurgias com este grau de expertise em todos os convênios e até mesmo viabilizam para o atendimento aos pacientes oriundos do SUS.

A Sociedade Internacional para Cirurgia Cardíaca Minimamente Invasiva (ISMICS), reúne médicos de várias partes do mundo e realiza os maiores e melhores congressos da área. Recentemente, um trabalho realizado pela equipe de Goiás ficou entre os 10 melhores no congresso, realizado em Nova York (EUA).

Fonte

Prof. Jeffchandler Belém, biomédico perfusionista
Instagram - instagram.com/drjeffchandler

Brunno Câmara Autor

Brunno Câmara - Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Docente do Ensino Superior. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Mestre em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro (área de concentração: virologia). Coordenador e docente do curso de pós-graduação em Hematologia e Hemoterapia da AGD Cursos. Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast.
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