Estudo liderado por biomédico identifica alvos vacinais em comum em arbovírus

Por Brunno Câmara - segunda-feira, setembro 23, 2019



📚🔬 Apostilas e Livro Digitais

Utilize nossas apostilas digitais como material complementar aos seus estudos - hematologia, uroanálise, parasitologia e líquor.

Vai estudar para um processo seletivo de concurso público ou residência multiprofissional? - Conheça nosso livro de questões comentadas



Um estudo liderado pelo biomédico Prof. Jaime Henrique Amorim, do Laboratório de Agentes Infecciosos e Vetores da UFOB, identificou alvos vacinais em comum em flavivírus.

A pesquisa deve servir de referência no desenvolvimento de uma vacina multivalente contra dengue, zika, febre amarela e outras doenças relacionadas.

Arbovírus

Agentes infecciosos como Vírus da dengue (DENV), Vírus da zika (ZIKV) e Vírus da febre amarela (YFV-  do inglês Yellow fever virus) fazem parte do gênero Flavivirus, os quais são transmitidos pelo mosquito vetor Aedes aegypti, e por isso são denominados arbovírus (do inglês arthropod borne virus – vírus transmitido por artrópode).

O Brasil apresenta um histórico de importação destes vírus, pois apresenta fauna e condições geográficas e climáticas apropriadas à fixação e circulação dos patógenos.  O primeiro vírus a chegar foi o YFV, seguido do DENV e depois, mais recentemente, o ZIKV.

Acontece que o desenvolvimento de vacinas para cada espécie viral nova pode levar anos. Além disso, a importação de novos vírus pode comprometer a eficácia protetora de vacinas em uso.

Alvos vacinais

Por isso, Lorrany Franco, estudante de medicina da UFOB e Letícia Gushi, bióloga doutora em ciências, realizaram análises para buscar alvos em comum nos flavivírus.

Em colaboração com o também biomédico, Prof. Wilson Luiz, da UESC, os pesquisadores encontraram alvos em comum tanto para anticorpos quanto para linfócitos T.

Os alvos para anticorpos estão localizados principalmente no peptídio de fusão e no domínio III da glicoproteína de envelope dos flavivírus. Já os alvos em comum para linfócitos T estão concentrados nas proteínas NS3 e NS5.

Esses resultados são inéditos e poderão levar ao desenvolvimento de uma única vacina capaz de proteger contra vários flavivírus de uma só vez.

O estudo foi publicado no periódico internacional Frontiers in Immunology, uma das mais conceituadas revistas de imunologia.

Artigo

dos Santos Franco L, Gushi LT, Luiz WB and Amorim JH (2019) Seeking Flavivirus Cross-Protective Immunity. Front. Immunol. 10:2260. doi: 10.3389/fimmu.2019.02260

Brunno Câmara Autor

Brunno Câmara - Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Docente do Ensino Superior. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Mestre em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro (área de concentração: virologia). Coordenador e docente do curso de pós-graduação em Hematologia e Hemoterapia da AGD Cursos. Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast.
| @biomedicinapadrao | LinkedIn | Lattes |