Como organizar o plantão biomédico quando há alta demanda

Por Brunno Câmara - quarta-feira, fevereiro 11, 2026

Antes de continuar a leitura do texto, quero te convidar para conhecer meus cursos:

Continue agora com a sua leitura do texto. Espero que goste.


Um biomédico no plantão tem que ser estratégico. Tem dias que é tranquilo; outros parecem que um furacão passou.

Mas devemos estar preparados para tudo. 

Quando a rotina aperta e você está à frente da execução e liberação dos exames é preciso ser eficiente.

Como se organizar em plantões de alta demanda

O sucesso do seu plantão depende de como você irá priorizar as demandas, de como irá dividir as tarefas e como irá controlar o fluxo.

A primeira etapa é saber se no laboratório clínico há instruções escritas (POP, manual, protocolo etc.) em relação a classificação por prioridades, como uma triagem interna.

Se houver, ótimo. Basta seguir as instruções e você estará respaldado pelo documento. Caso contrário, é importante que você elabore ou informe à gestão do laboratório sobre a importância dessas instruções.

Vamos supor que não haja um documento sobre prioridades. O que fazer?

Prioridades

Sempre comece pelas procedências de prioridade máxima, como:

  • UTI;
  • Pronto socorro;
  • Centro cirúrgico;
  • Gasometria, troponina e outros exames de urgência e emergência.

Se no seu laboratório não há uma lista com esses exames é importante que isso seja elaborado em conjunto com o corpo clínico do hospital.

Geralmente, no sistema de informação laboratorial (LIS) os pedidos urgentes vem identificados com alertas ou sinais visuais.

Depois, siga para os exames com prioridade intermediária e de rotina, como:

  • Pré-operatório;
  • Internação;
  • Ambulatório.

Na dúvida, use essa regra prática: o que impacta decisão clínica imediata vem primeiro.

Divisão do trabalho

Aqui, podemos ter duas situações: há mais de um biomédico no plantão ou você está sozinho.

Se houver mais de um profissional, vocês podem se organizar e dividir de forma inteligente, por exemplo:

  • Por setor: um fica com bioquímica e hematologia; outro fica com urinálise e imunologia;
  • Por prioridade: um fica com as urgências; outro fica com a rotina de baixa prioridade.

Se estiver sozinho:

  • Trabalhar por “blocos de prioridade” (ex: 20 min só urgência);
  • Evitar alternar exames a todo momento (reduz erro).

Gestão de amostras

Separe fisicamente bandejas de amostras de urgências das demais.

Não deixe acumular amostras na triagem e as processe em lotes sempre que possível.

Isso evita o aumento de erro pré-analítico devido à desorganização.

Gestão do tempo e equipamentos

É importante que você verifique os controles internos e calibrações dos equipamentos no início do plantão.

Faça as manutenções e verificações para garantir a qualidade dos resultados e evitar atrasos por falhas nos equipamentos analisadores.

Dependendo da demanda e porte do laboratório, é importante que haja equipamentos de reserva ("backup").

Além disso, fique sempre de olho nos estoques de reagentes "on board" (dentro do equipamento) e insumos.

Alguns reagentes e controles precisam ser preparados, ou estar em temperatura ambiente, e isso pode levar um bom tempo.

Lembre-se também de verificar equipamentos acessórios, como centrífugas, banho-maria e microscópios.

Se você sabe que novas amostras de urgência estão prestes a chegar, não comece a analisar as amostras de rotina. Aguarde um momento mais oportuno.

Comunicação estratégica

Caso algum atraso ocorra, é importante que a equipe demandante seja informada.

Deixe todas as intercorrências causadoras de atraso registradas, seja em livro Ata ou no LIS.

Resultados com valores críticos devem ser comunicados à equipe médica o mais rápido possível. Além disso, essa comunicação deve ser registrada em formulário específico.

Se no seu laboratório ainda não tem instruções escritas para comunicação de resultados críticos é necessário que esse documento seja elaborado.

Uma comunicação bem feita reduz pressão e evita conflitos.

Erros comuns de biomédico no plantão

  • Tentar fazer tudo ao mesmo tempo;
  • Não priorizar;
  • Pular etapa de conferência;
  • Liberar sem validar coerência clínica;
  • Não pedir ajuda quando necessário.



Brunno Câmara Autor

Brunno Câmara - Biomédico responsável técnico e gestor da qualidade no Laboratório Clínico do HC-UFG/Ebserh, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do HC-UFG/Ebserh. Mestre em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro. Tutor da residência multiprofissional de Biomedicina do HC-UFG/Ebserh. Criador do blog Biomedicina Padrão.
| Contato: @biomedicinapadrao |