Como organizar o plantão biomédico quando há alta demanda
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Continue agora com a sua leitura do texto. Espero que goste.
Um biomédico no plantão tem que ser estratégico. Tem dias que é tranquilo; outros parecem que um furacão passou.
Mas devemos estar preparados para tudo.
Quando a rotina aperta e você está à frente da execução e liberação dos exames é preciso ser eficiente.
Como se organizar em plantões de alta demanda
O sucesso do seu plantão depende de como você irá priorizar as demandas, de como irá dividir as tarefas e como irá controlar o fluxo.
A primeira etapa é saber se no laboratório clínico há instruções escritas (POP, manual, protocolo etc.) em relação a classificação por prioridades, como uma triagem interna.
Se houver, ótimo. Basta seguir as instruções e você estará respaldado pelo documento. Caso contrário, é importante que você elabore ou informe à gestão do laboratório sobre a importância dessas instruções.
Vamos supor que não haja um documento sobre prioridades. O que fazer?
Prioridades
Sempre comece pelas procedências de prioridade máxima, como:
- UTI;
- Pronto socorro;
- Centro cirúrgico;
- Gasometria, troponina e outros exames de urgência e emergência.
Se no seu laboratório não há uma lista com esses exames é importante que isso seja elaborado em conjunto com o corpo clínico do hospital.
Geralmente, no sistema de informação laboratorial (LIS) os pedidos urgentes vem identificados com alertas ou sinais visuais.
Depois, siga para os exames com prioridade intermediária e de rotina, como:
- Pré-operatório;
- Internação;
- Ambulatório.
Na dúvida, use essa regra prática: o que impacta decisão clínica imediata vem primeiro.
Divisão do trabalho
Aqui, podemos ter duas situações: há mais de um biomédico no plantão ou você está sozinho.
Se houver mais de um profissional, vocês podem se organizar e dividir de forma
inteligente, por exemplo:
- Por setor: um fica com bioquímica e hematologia; outro fica com urinálise e imunologia;
- Por prioridade: um fica com as urgências; outro fica com a rotina de baixa prioridade.
Se estiver sozinho:
- Trabalhar por “blocos de prioridade” (ex: 20 min só urgência);
- Evitar alternar exames a todo momento (reduz erro).
Gestão de amostras
Separe fisicamente bandejas de amostras de urgências das demais.
Não deixe acumular amostras na triagem e as processe em lotes sempre que possível.
Isso evita o aumento de erro pré-analítico devido à desorganização.
Gestão do tempo e equipamentos
É importante que você verifique os controles internos e calibrações dos equipamentos no início do plantão.
Faça as manutenções e verificações para garantir a qualidade dos resultados e evitar atrasos por falhas nos equipamentos analisadores.
Dependendo da demanda e porte do laboratório, é importante que haja equipamentos de reserva ("backup").
Além disso, fique sempre de olho nos estoques de reagentes "on board" (dentro do equipamento) e insumos.
Alguns reagentes e controles precisam ser preparados, ou estar em temperatura ambiente, e isso pode levar um bom tempo.
Lembre-se também de verificar equipamentos acessórios, como centrífugas, banho-maria e microscópios.
Se você sabe que novas amostras de urgência estão prestes a chegar, não comece a analisar as amostras de rotina. Aguarde um momento mais oportuno.
Comunicação estratégica
Caso algum atraso ocorra, é importante que a equipe demandante seja informada.
Deixe todas as intercorrências causadoras de atraso registradas, seja em livro Ata ou no LIS.
Resultados com valores críticos devem ser comunicados à equipe médica o mais rápido possível. Além disso, essa comunicação deve ser registrada em formulário específico.
Se no seu laboratório ainda não tem instruções escritas para comunicação de resultados críticos é necessário que esse documento seja elaborado.
Uma comunicação bem feita reduz pressão e evita conflitos.
Erros comuns de biomédico no plantão
- Tentar fazer tudo ao mesmo tempo;
- Não priorizar;
- Pular etapa de conferência;
- Liberar sem validar coerência clínica;
- Não pedir ajuda quando necessário.