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Dosagem de Cistatina C na avaliação da função renal

segunda-feira, dezembro 09, 2013 0 Comentários


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A avaliação da função renal é de extrema importância na prática clínica, tanto em termos de diagnóstico e prognóstico, quanto de análise de respostas terapêuticas. A Filtração Glomerular (FG) é uma maneira apropriada de avaliar a função renal.

Creatinina

A dosagem dos níveis séricos e o teste de depuração de creatinina são os parâmetros mais solicitados para avaliar tal função. Mas há algumas limitações no uso dessa molécula, por causa das interferências nos métodos de medida, além de baixa sensibilidade para detectar graus leves de perda de função renal.

Um marcador ideal para a medida da FG tem que ter uma produção constante, com pronta difusão no espaço extracelular, ser livremente filtrado, sem ligação a proteínas, sem reabsorção nem secreção tubular, sem eliminação extra-renal ou degradação, dispondo de ensaio acurado e reprodutível, sem interferência de outros componentes, de baixo custo, sendo o mais próximo possível dos valores reais de FG.

A dosagem da creatinina sérica possui algumas desvantagens, por exemplo, sofre secreção tubular, levando a uma superestimativa da FG, especialmente em pacientes com função renal diminuída. Outro problema é que alterações nos níveis de creatinina sérica só são detectados quando pelo menos 50% da função renal já esteja comprometida.

Cistatina C

A cistatina C é um dos 11 membros da superfamília dos inibidores da cisteína protease e é considerada a inibidora fisiologicamente mais importante das proteases endógenas da cisteína.

Sua taxa de produção é constante e menos variável que a da creatinina, além de não ser influenciada pela massa muscular, estado nutricional ou febre. Na ausência de dano tubular renal, não há passagem de cistatina C da vasculatura renal diretamente no túbulo. Esses dados reforçam que ela é uma candidata plausível para a medida da FG.

O método de dosagem é a imunoturbidimetria e/ou nefelometria.

A cistatina C tem se mostrado superior à creatinina como um marcador mais sensível e específico para avaliação da FG, particularmente em graus leves de perda de função renal, sendo útil em diversas situações clínicas, tais como doenças renais, diabete melito e transplante renal, além de ser um marcador de risco de morte por doenças cardiovasculares.

Estudo

Uma equipe internacional que participa do Consórcio de Prognóstico da Doença Renal Crônica, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, analisou os resultados de 11 estudos feitos com 90.750 pessoas dos EUA, Europa e Austrália, além de mais cinco estudos com 2.960 pacientes com doença renal crônica (DRC) que eram monitorados pelos níveis de creatinina sérica e cistatina C.

Foram comparadas a associação da função renal — segundo os cálculos de medição de creatinina, cistatina C ou a combinação das duas — com as taxas de morte por causas cardiovasculares e doença renal em etapa terminal, e também compararam os estágios da doença renal classificados alternadamente por creatinina ou por cistatina C.

Conclusão

A cistatina C define um período pré-clínico importante da função renal reduzida, antes que se possa diagnosticar a DRC com a creatinina. Este período pode ser de dez a 20 anos. A cistatina C permite determinar com mais exatidão a função renal dos pacientes, pode ajudar em um diagnóstico mais preciso da DRC e, no futuro, auxiliar na prevenção em pacientes com risco de desenvolvê-la.

Para saber mais leia este artigo: Avaliação da Filtração Glomerular Através da Medida da Cistatina C Sérica
Com informações de Lab Tests Online BR

Clearance ou depuração da Creatinina

Brunno Câmara Biomédico

Biomédico, CRBM-GO 5596. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast (biomedcast.com).