Teste da Antiglobulina Direto (Coombs direto)

Por Brunno Câmara - sexta-feira, dezembro 28, 2018


Precisando de conteúdo para complementar seus estudos?
Conheça as Apostilas e kits de Estudo Biomedicina Padrão: biomedicinapadrao.com.br/apostilas


Coombs direto - Teste da antiglobulina direto

O teste de Coombs ou Teste da Antiglobulina Direto (TAD) é uma técnica laboratorial para determinar se os eritrócitos foram fixados in vivo (opsonizados) por imunoglobulinas, complemento, ou ambos.

É usado principalmente na investigação de:

  • Reações transfusionais hemolíticas;
  • Doença hemolítica do recém-nascido;
  • Anemia hemolítica auto-imune;
  • Hemólise induzida por drogas.

Os anticorpos ditos incompletos ‘imunes”, quando em contato com hemácias que contenham o antígeno correspondente, fixam-se na membrana das mesmas, bloqueando o antígeno; não têm, entretanto, a capacidade de aglutinar estas hemácias.

O soro de Coombs (soro antiglobulina humana) é capaz de promover a aglutinação dessas hemácias, ditas sensibilizadas.

Coombs direto - Teste da antiglobulina direto

Tipo de amostra utilizada

Sangue total colhido com o anticoagulante EDTA (tampa roxa/lilás).

Reagentes necessários

  • Reagente de antiglobulina humana (soro de Coombs) – antiglobulina poliespecífica, anti-IgG ou anti-complemento;
  • Reagente controle negativo (salina ou albumina 6%);
  • Reagente controle positivo (hemácias sensibilizadas com IgG ou complemento).

Técnica em tubo

  1. Prepare uma suspensão salina (2 - 5%) das hemácias a serem testadas (paciente);
  2. Lavagem:
    a) coloque 2 gotas (100 µL) desta suspensão em 1 tubo;
    b) adicione solução fisiológica até preencher 2/3 do tubo;
    c) centrifugue a 3000 r.p.m. por cerca de um minuto;
    d) despreze o sobrenadante com cuidado para deixar o “botão” de hemácias no fundo do tubo;
    e) repita esse passo mais duas vezes (total = 3 lavagens); na última vez, com auxílio de um papel de filtro/toalha, despreze toda a salina;
    f) quando se tratar de sangue umbilical, lave as hemácias no mínimo oito vezes;
  3. Adicione 2 gotas (100 µL) do reagente de antiglobulina humana e homogeneize;
  4. Centrifugue em rotação baixa (~1000 r.p.m) por 15 segundos;
  5. Leitura:
    a) agitar levemente o tubo;
    b) observe se há aglutinação das hemácias;
    c) faça a semi-quantificação do resultado (0, +, ++, +++).

Técnica em gel

  1. Prepare uma suspensão de hemácias a 1%:
    a) Centrifugue o tubo com a amostra para sedimentar as hemácias;
    b) 1000 µL da solução de diluição (consulte a marca do kit);
    c) 10 µL das hemácias concentradas por centrifugação;
  2. Pipete 50 µL da suspensão no microtubo do cartão específico para Coombs (consulte a marca do kit);
  3. Centrifugue de acordo com as recomendações da marca do kit;
  4. Realize a leitura e faça a semi-quantificação.

Interpretação 

Sem aglutinação visível = teste negativo.

Presença de aglutinação (+, ++ e +++) = teste positivo.

Resultado - aglutinação coombs direto

Resultado - aglutinação coombs direto em gel

Notas importantes!

  • O teste inicial deve ser realizado utilizando-se o reagente poliespecífico. Se o TAD for negativo com esse reagente, nenhum teste adicional é necessário. Se o TAD for positivo com a antiglobulina poliespecífica, é necessário utilizar os reagentes monoespecíficos (anti-IgG e anti-complemento) para saber qual globulina está presente.
  • O TAD é positivo quando aglutinação é observada tanto imediatamente após a centrifugação quanto após a centrifugação seguida de incubação à temperatura ambiente;
  • Hemácias sensibilizadas por IgG geralmente reagem imediatamente, enquanto que as sensibilizadas pelo complemento podem ser melhor demonstradas após a incubação à temperatura ambiente;
  • Um TAD negativo não necessariamente significa que não há moléculas de globulinas fixadas nas hemácias. Os reagentes antiglobulina poliespecífica e anti-IgG detectam de 150 a 500 moléculas de IgG por célula, mas alguns pacientes podem apresentar hemólise quando a sensibilização por IgG está abaixo desse nível.

Referências

1. Klein HG, Anstee DJ. Mollison’s blood transfusion in clinical medicine. 12th ed. Oxford: Wiley-Blackwell, 2014.

2. Petz LD, Garratty G. Immune hemolytic anemia. Philadelphia: Churchill-Livingstone, 2004.

3. Leger RM. The positive direct antiglobulin test and immune-mediated hemolysis. In: Fung M, Grossman BJ, Hillyer CD, Westhoff CM, eds. Technical manual, 18th ed. Bethesda, MD: AABB, 2014:427-53.

Brunno Câmara Autor

Brunno Câmara - Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Docente do Ensino Superior. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Mestre em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro (área de concentração: virologia). Coordenador e docente do curso de pós-graduação em Hematologia e Hemoterapia da AGD Cursos. Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast.
| @brunnocamara | LinkedIn | Lattes |

  • Compartilhar:

Artigos relacionados

0 comentários