Anticorpos contra antígenos eritrocitários
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Anticorpos naturais
O sistema ABO apresenta anticorpos naturais circulantes no plasma.
Esses são chamados de iso-hemaglutininas (IgM) e reconhecem antígenos ABO.
As iso-hemaglutininas foram identificadas por Landsteiner.
A presença dos anticorpos naturais começa a ser detectada a partir dos 3-6 meses de idade, atingindo o título máximo por volta dos 5 a 10 anos de vida e permanecendo desta forma até a fase adulta.
A produção dessas isoaglutininas é induzida por polissacarídeos provenientes de células bacterianas ou lectinas de vegetais e que são semelhantes aos antígenos do sistema ABO.
Assim, o indivíduo do tipo A terá contato com antígenos dessas fontes exógenas (polissacarídeos ou lectina) semelhantes ao A e B, mas apenas produzirá anticorpos anti-B.
Essa resposta imune é do tipo T-independente.
| Grupo | Antígeno na hemácia | Anticorpo esperado no plasma |
|---|---|---|
| A | A | anti-B |
| B | B | anti-A |
| AB | A e B | Nenhum anti-A/anti-B |
| O | Nenhum A/B | anti-A, anti-B e frequentemente anti-A,B |
Anticorpos imunes ou aloanticorpos
Pode existir a formação de anticorpos anti-A e anti-B do tipo IgG (imunes) em função de estímulos com substâncias grupo-específicas A ou B nas seguintes situações:
- Aloimunização por gravidez
- Aloimunização após transfusão sanguínea incompatível
Esses anticorpos não se apresentam de forma natural.
Exemplos importantes:
- anti-D
- anti-C
- anti-E
- anti-c
- anti-K
- anti-Fya
- anti-Jka
- anti-S
São chamados assim porque são formados em resposta a uma aloimunização, quando um indivíduo recebe hemácias com antígenos diferentes, por transfusão ou gestação, e seu organismo o reconhece como não-próprio.
Geralmente os mais relevantes são IgG, reativos a 37 °C e detectáveis na fase de antiglobulina, embora existam exceções.
- Veja: Teste de Coombs Indireto
Anticorpos frios e quentes
- Anticorpos frios reagem melhor em temperaturas abaixo de 37 °C e muitas vezes têm menor relevância transfusional.
- Anticorpos quentes apresentam maior reatividade em torno de 37 °C e tendem a ter maior importância clínica.
Eles normalmente estão envolvidos em reação hemolítica transfusional, imediata ou tardia, e alguns também podem provocar anemia hemolítica do recém-nascido.
Um paciente com anti-K, por exemplo, não deve receber hemácias que expressem o antígeno K.
A agência transfusional deve selecionar unidades compatíveis e negativas para o antígeno correspondente.
Importância na gestação
Na gestação, alguns anticorpos contra antígenos eritrocitários têm especial importância porque pertencem à classe IgG e conseguem atravessar a placenta.
Quando o feto apresenta o antígeno correspondente, esses anticorpos maternos podem se ligar às hemácias fetais e promover sua destruição, levando à doença hemolítica do feto e do recém-nascido (DHFRN).
Entre os anticorpos de maior relevância estão anti-D, anti-c e anti-K.
O anti-D é classicamente associado à isoimunização Rh, enquanto o anti-c também pode causar quadros importantes de hemólise fetal.
O anti-K merece atenção especial porque, além da destruição das hemácias, pode comprometer a eritropoiese fetal, reduzindo a produção de células vermelhas.
Por esse motivo, a investigação de anticorpos eritrocitários irregulares durante o pré-natal é fundamental.
Quando um anticorpo clinicamente significativo é identificado, a gestante deve ser acompanhada de acordo com sua especificidade, título e risco de o feto expressar o antígeno correspondente.