Por que o sistema imune da mãe não rejeita o feto em desenvolvimento

Por Brunno Câmara - terça-feira, junho 12, 2012


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Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Nova Iorque fizeram uma grande descoberta que, parcialmente, responde à uma antiga dúvida: Por que o sistema imune da mãe não rejeita um feto em desenvolvimento como um tecido estranho?

Eles descobriram que a implantação do embrião inicia um processo que no final desliga uma importante via, necessária para o sistema imune atacar corpos estranhos. Como resultado, as células imunes nunca são recrutadas para o local da implantação e assim não podem prejudicar o desenvolvimento do feto.

Esse processo é a produção de quimiocinas, resultantes da resposta inflamatória local. Elas recrutam vários tipos de células imunes, incluindo linfócitos T ativados, que acumulam-se e atacam o tecido ou patógeno. O recrutamento das células T pelas quimiocinas é uma parte integral da resposta imune.

A equipe descobriu que no começo da gravidez os genes responsáveis pelo recrutamento das células do sistema imune são desligados dentro da decídua (anexo embrionário encontrado somente nos mamíferos placentários).

Como resultado dessas mudanças, os linfócitos T não são capazes de acumular dentro da decídua e, consequentemente, não atacam o feto nem a placenta.

Os resultados vão ajudar os pesquisadores a estudar e entender mais sobre doenças autoimunes e até mesmo o câncer.

Artigo original

  1. P. Nancy, E. Tagliani, C.-S. Tay, P. Asp, D. E. Levy, A. Erlebacher. Chemokine Gene Silencing in Decidual Stromal Cells Limits T Cell Access to the Maternal-Fetal Interface. Science, 2012; 336 (6086): 1317 <Link>

Brunno Câmara Autor

Brunno Câmara - Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Docente do Ensino Superior dos cursos de graduação em Biomedicina e Farmácia. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Mestrando no Programa de Pós-graduação em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública - UFG (IPTSP-UFG). Coordenador e docente do curso de pós-graduação em Hematologia e Hemoterapia da AGD Cursos. Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast.

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