NLR e PLR como novos marcadores inflamatórios

Por Brunno Câmara - segunda-feira, janeiro 27, 2020



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O hemograma é o exame mais solicitado na prática médica. É um exame simples, mas fornece informações importantes por meio da avaliação das hemácias, leucócitos e plaquetas.

Para aproveitar a popularidade e facilidade que o hemograma oferece, pesquisadores estão estudando dois novos marcadores provenientes de parâmetros que já são liberados no laudo do hemograma.
São eles:

  • Razão neutrófilo-linfócito (Neutrophil-to-lymphocyte ratio / NLR)
  • Razão plaqueta-linfócito (Platelet-to-lymphocyte ratio / PLR)

Esses novos parâmetros são resultado da divisão entre o número absoluto (#) de neutrófilos e linfócitos ou plaquetas e linfócitos.


Resposta inflamatória

Os neutrófilos são os leucócitos mais abundantes no sangue de pessoas saudáveis, e desempenham uma papel importante nos processos inflamatórios/infecciosos agudos e crônicos.

Tanto neutrófilos como plaquetas são marcadores de resposta inflamatória sistêmica.

Vários estudos têm demonstrado que tanto a NLR quanto a PLR podem ser utilizados como marcadores de inflamação, encontrando correlação entre esses índices e doenças inflamatórias, cardiovasculares, vários tipos de câncer e diabetes.

A NLR e a PLR também são consideradas fatores prognósticos, sendo associados com atividade, morbidade e mortalidade em diferentes doenças.

Por exemplo, em doenças como lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatoide, observou-se que a NLR e PLR encontram-se significativamente elevadas quando comparadas com grupo controle.

Associação com mau prognóstico

A neutrofilia, como uma resposta inflamatória, inibe o sistema imune por meio da supressão da atividade citolítica de linfócitos e células NK.

Os linfócitos por sua vez, são importantes no combate às células cancerígenas, infiltrando-se nos tumores.

A sua inibição por citocinas e quimiocinas inflamatórias, produzidas pelo tumor e outras células, contribui para a progressão da doença.

Por isso, uma NLR elevada está associada com mau prognóstico.

Limitações

A principal limitação, até o momento, de utilizar esses dois parâmetros é a falta de um ponto de corte (valor de referência) para estabelecer o que seria normal e o que seria alterado.

Alguns fatores devem ser considerados na hora de analisar o ponto de corte, como tipo de doença, sexo, idade e etnia do paciente.

Referências

Wu, L., Zou, S., Wang, C. et al. Neutrophil-to-lymphocyte and platelet-to-lymphocyte ratio in Chinese Han population from Chaoshan region in South China. BMC Cardiovasc Disord 19, 125 (2019). doi.org/10.1186/s12872-019-1110-7

Arnoud J. Templeton, Mairéad G. et al. Prognostic Role of Neutrophil-to-Lymphocyte Ratio in Solid Tumors: A Systematic Review and Meta-Analysis, JNCI: Journal of the National Cancer Institute, Volume 106, Issue 6, June 2014.

Brunno Câmara Autor

Brunno Câmara - Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Docente do Ensino Superior. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Mestre em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro (área de concentração: virologia). Coordenador e docente do curso de pós-graduação em Hematologia e Hemoterapia da AGD Cursos. Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast.
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