Estudo mostra a resposta de anticorpos em pacientes com COVID-19

Por Brunno Câmara - quinta-feira, abril 02, 2020



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Atualmente, a detecção do SARS-CoV-2 é baseada na técnica de rRT-PCR e é, praticamente, a única maneira de confirmar o diagnóstico da COVID-19.

Visto que o SARS-CoV-2 é um vírus emergente, a resposta sorológica na infecção é desconhecida até o momento.

Por isso, pesquisadores da China estudaram a dinâmica da produção de anticorpos durante a progressão da doença.

Metodologia

Pacientes

Um total de 173 pacientes foram incluídos no estudo.

Todos os casos foram confirmados para a presença do SARS-CoV-2 por rRT-PCR.

Foram coletadas, de forma seriada, 535 amostras de plasma durante o período de hospitalização.

Detecção de anticorpos

A metodologia utilizada para a detecção dos anticorpos contra o SARS-CoV-2 foi o ensaio de imunoabsorção enzimática (ELISA).

Foram pesquisados os seguintes anticorpos:

  • Anticorpos totais - ELISA sanduíche (duplo antígeno);
  • IgM - ELISA direto;
  • IgG - ELISA indireto.

A especifidade dos testes foi maior ou igual a 99,0%.

Principais resultados

As taxas de soroconversão foram as seguintes:

  • Anticorpos totais: 93,1%;
  • IgM: 82,7%;
  • IgG: 64,7%.
A soroconversão cumulativa mostrou que a taxa para os anticorpos totais e IgM atingiu 100% cerca de um mês após o início da infecção.

A sequência e mediana de dias da soroconversão foram o seguinte:

  1. Anticorpos totais: 11 dias;
  2. IgM: 12 dias;
  3. IgG: 14 dias.

Discussão

Esse estudo mostrou que a resposta sorológica da COVID-19 é semelhante a de outras infecções virais agudas.

Os níveis de anticorpos aumentaram rapidamente durante as duas primeiras semanas da doença, chegando a 100% de positividade após um mês.

A combinação da detecção do RNA viral com a detecção de anticorpos aumentou significativamente o diagnóstico da infecção.

A detecção de anticorpos totais foi mais sensível do que IgM e IgG para a confirmação da infecção.

Importância da sorologia na COVID-19

1. Para casos suspeitos que ainda não tenham a confirmação pela rRT-PCR, a positividade dos anticorpos aumenta a confiança para fazer o diagnóstico da doença.

2. Para indivíduos que tiveram contato próximo com pacientes infectados, a positividade de anticorpos indica que eles devem ser acompanhados com maior frequência.

3. Para pacientes com diagnóstico confirmado, a soropositividade indica que anticorpos específicos foram desenvolvidos.

Marcador de infecção recente

Os anticorpos totais podem ser considerados um marcador de infecção recente, similar à IgM.

Como a detecção de anticorpos totais obteve uma maior sensibilidade, sua detecção deve ter alta prioridade para ser implementada na prática clínica e saúde pública.

Fator de risco para gravidade

Esse estudo também encontrou uma forte correlação positiva entre a gravidade da COVID-19 e os títulos de anticorpos, a partir da segunda semana da infecção.

Sendo assim, altos níveis de anticorpos totais podem ser considerados um fator de risco para a gravidade da doença, independente de sexo, idade ou comorbidades.

Após a infecção, o paciente fica imune?

De acordo com os pesquisadores, o estudo não pode avaliar a persistência dos anticorpos nos pacientes, pois as amostras foram coletadas somente na fase aguda da infecção.

Conclusão

A pesquisa de anticorpos tem importância no diagnóstico, em adição à rRT-PCR.

Os achados do estudo fornecem fortes evidências para a aplicação dos testes sorológicos no diagnóstico e manejo clínico da COVID-19.

Referência

Zhao J, Yuan Q, Wang H, et al. Antibody responses to SARS-CoV-2 in patients of novel coronavirus disease 2019 [published online ahead of print, 2020 Mar 28]. Clin Infect Dis. 2020;ciaa344. doi:10.1093/cid/ciaa344

Brunno Câmara Autor

Brunno Câmara - Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Docente do Ensino Superior. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Mestre em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro (área de concentração: virologia). Coordenador e docente do curso de pós-graduação em Hematologia e Hemoterapia da AGD Cursos. Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast.
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