O que o Biomédico precisa saber sobre o diagnóstico laboratorial da COVID-19

Por Brunno Câmara - sexta-feira, março 20, 2020



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Segundo o Boletim Epidemiológico sobre coronavírus do Ministério da Saúde, o protocolo para o diagnóstico laboratorial da infecção pelo SARS-COV-2 a ser seguido é o disponibilizado pela OMS, desenvolvido pelo Hospital Charité, Berlim, Alemanha.

Biologia Molecular


Como o material do vírus é RNA, é necessário a técnica de transcrição reversa para se obter o cDNA.

Para isso, a metodologia de escolha é a PCR em tempo real após transcrição reversa (rRT-PCR).

Segundo o protocolo, podem ser utilizados três marcadores diferentes.

Para a primeira linha de triagem, devem ser pesquisados ou o gene E ou o gene N viral.

Para a confirmação, o gene RdRp deve ser usado.

Os ensaios para os genes E e N destinam-se a protocolos de triagem para detectar qualquer beta-coronavírus associado a morcego (não detectar coronavírus humano comum).

O gene RdRp é específico para o coronavírus SARS, incluindo o SARS-COV-2 (agente etiológico da COVID-19).

Sorologia

Apesar de já existirem testes para a detecção de anticorpos contra o SARS-COV-2, como ELISA e imunocromatografia, os protocolos ainda não estão incluindo tal metodologia para realizar o diagnóstico da infecção.

Essa semana, a Anvisa aprovou os primeiros testes rápidos para COVID-19.

Coleta de amostras

No mínimo, material respiratório deve ser coletado:

  • Via respiratória superior: swabs ou lavados de nasofaringe e orofaringe; e/ou
  • Via respiratória inferior: escarro (se presente) ou aspirado endotraqueal ou lavado broncoalveolar.

Amostras adicionais podem ser coletadas, como sangue, urina e fezes.

Em pacientes sobreviventes, amostras de soro pareadas (aguda e convalescente) podem ser úteis para definir casos retrospectivamente.

Transporte das amostras clínicas

As amostras devem ser enviadas ao laboratório o mais rápido possível após a coleta.

Se não for possível, devem ser armazenadas a 2-8ºC e enviadas.

Se for demorar muito tempo, armazená-las a -20ºC ou, preferencialmente, a -70ºC e enviadas em gelo seco.

Rede pública


Os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACEN) dos 26 estados e do Distrito Federal estão aptos, a partir de 18 de março de 2020, a realizarem exames para o coronavírus.

Os kits são produzidos pelo Instituto Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A produção atual é de 3,5 mil a 4 mil testes a cada três dias, sendo enviados semanalmente aos estados.

Leia também: Alterações laboratoriais em pacientes com COVID 2019


Referências

Corman VM, Landt O, Kaiser M, et al. Detection of 2019 novel coronavirus (2019-nCoV) by real-time RT-PCR. Euro Surveill. 2020;25(3):2000045. doi:10.2807/1560-7917.ES.2020.25.3.2000045

OPAS/BRA/nCov/20.009. Diretrizes Laboratoriais para o Diagnóstico e Detecção de Infecção pelo Novo Coronavírus (2019-nCoV). 2020.

Ministério da Saúde. Todos os laboratórios públicos do país podem realizar exame para coronavírus. 2020. (link)

OMS. Laboratory testing for coronavirus disease 2019 (COVID-19) in suspected human cases. 2020.

Brunno Câmara Autor

Brunno Câmara - Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Docente do Ensino Superior. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Mestre em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro (área de concentração: virologia). Coordenador e docente do curso de pós-graduação em Hematologia e Hemoterapia da AGD Cursos. Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast.
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