Quando Revisar a Lâmina no Hemograma? Critérios e Flags

Por Brunno Câmara - sexta-feira, setembro 18, 2026

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Definir critérios para revisão de lâminas hematológicas ajuda o laboratório a reconhecer alterações que exigem avaliação microscópica, investigar resultados potencialmente incorretos e manter uma conduta padronizada entre os microscopistas.

Mas, atenção! Esses critérios devem ser validados para o analisador utilizado no seu laboratório e também para o tipo da população atendida (adulta, pediátrica, internada, ambulatorial etc.).

A seguir você encontra recomendações gerais que podem ser usadas como base para que seu laboratório possa adaptar de acordo com a sua rotina.

🎯 Condutas

Revisar lâmina

O que fazer Examinar o esfregaço e registrar os achados relevantes.

Fazer diferencial manual

O que fazer Examinar o esfregaço e registrar os achados relevantes.

Investigar antes de liberar

O que fazer Conferir amostra, histórico, gráficos do equipamento e possíveis interferências. Repetir ou usar método alternativo conforme o caso.

Menu de navegação:

🔴 Eritrograma

Critério: Hemoglobina muito baixa ou alta

Resultado Hb < 7 g/dL ou > 2 g/dL acima do limite superior para idade e sexo, na primeira ocorrência.

Conduta Revisar a lâmina e conferir a integridade da amostra.

Critério: Microcitose ou macrocitose acentuada

Resultado VCM < 75 fL ou > 105 fL em adulto, na primeira ocorrência.

Conduta Revisar a morfologia eritrocitária e considerar o tempo de armazenamento da amostra.

Critério: Anisocitose acentuada

Resultado RDW > 22%, na primeira ocorrência.

Conduta Revisar a lâmina.

Critério: Suspeita de fragmentação

Resultado Flag de esquizócitos

Conduta Revisar com prioridade e avaliar a presença de esquizócitos.

🟣 Leucograma

As contagens absolutas abaixo estão expressas por µL (mm³).

Critério: Leucopenia ou leucocitose acentuada

Resultado Leucócitos < 4.000 ou > 30.000, na primeira ocorrência.

Conduta Revisar a lâmina.

Critério: Neutropenia ou neutrofilia acentuada

Resultado Neutrófilos < 1.000 ou > 20.000, na primeira ocorrência.

Conduta Revisar a lâmina e fazer diferencial manual.

Critério: Lifocitose

Resultado Linfócitos > 5.000 em adultos ou > 7.000 em menores de 12 anos, na primeira ocorrência.

Conduta Revisar morfologia linfocitária.

Critério: Monocitose

Resultado Monócitos > 1.500 em adultos ou > 3.000 em menores de 12 anos, na primeira ocorrência.

Conduta Revisar a lâmina.

Critério: Eosinofilia ou basofilia acentuada

Resultado Eosinófilos > 2.000 ou basófilos > 500, na primeira ocorrência.

Conduta Revisar a lâmina.

Critério: Diferencial ausente ou não confiável

Resultado Equipamento não forneceu diferencial válido.

Conduta Revisar a lâmina e fazer diferencial manual.

Critério: Suspeita de blastos

Resultado Flag de blastos

Conduta Revisar a lâmina com prioridade e fazer diferencial manual.

Critério: Suspeita de linfócitos atípicos ou anômalos

Resultado Flag de linfócitos atípicos

Conduta Revisar a lâmina e fazer diferencial manual, se necessário.

Critério: Granulócitos imaturos

Resultado Flag de granulócitos imaturos (IG)

Conduta Revisar a lâmina e fazer diferencial manual.

Critério: Presença de eritroblastos

Resultado Flag de NRBC

Conduta Revisar lâmina; confirmar o achado e verificar se a contagem de leucócitos precisa de correção.

🟠 Plaquetograma

Critério: Trombocitopenia ou trombocitose acentuada

Resultado Plaquetas < 100.000/µL ou > 1.000.000/µL, na primeira ocorrência.

Conduta Revisar a lâmina e conferir a estimativa plaquetária.

Critério: Mudança inesperada da contagem

Resultado Falha no delta check de plaquetas.

Conduta Revisar a lâmina e investigar a causa da variação.

Critério: Suspeita de agregados

Resultado Flag de agregados plaquetários

Conduta Verificar coágulos na amostra e examinar a lâmina, inclusive bordas e cauda do esfregaço.

Regras gerais

Primeira amostra de recém-nascido: revisar a lâmina. Criar limites pediátricos próprios para as demais situações.

Resultado fora da faixa analítica, parâmetro não liberado pelo equipamento ou suspeita de coágulo: resolver primeiro a confiabilidade da contagem. A lâmina pode ajudar na investigação, mas não substitui repetição, diluição ou método alternativo quando necessários.

Alteração previamente confirmada: usar histórico e delta check validados para decidir se é necessária nova revisão. Isso não dispensa a investigação de um novo flag suspeito ou de uma mudança clínica relevante.

Morfologia digital: pode apoiar a triagem e a pré-classificação, desde que o fluxo seja validado e a interpretação de células suspeitas permaneça sob responsabilidade de profissional habilitado.

Referências

BARNES, P. W.; MCFADDEN, S. L.; MACHIN, S. J.; SIMSON, E. The International Consensus Group for Hematology Review: suggested criteria for action following automated CBC and WBC differential analysis. Laboratory Hematology, v. 11, n. 2, p. 83-90, 2005.

COURVILLE, E. L. et al. Performance of automated hematology analyzer criteria in detecting peripheral blood smear abnormalities: a systematic literature review. International Journal of Laboratory Hematology, v. 48, n. 5, p. 1008-1022, 2026. DOI: 10.1111/ijlh.70139. 

CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE (CLSI). Reference leukocyte differential count (proportional) and evaluation of instrumental methods. 3. ed. Wayne, PA: Clinical and Laboratory Standards Institute, 2026. (CLSI H20). ISBN 978-1-68440-318-9.

PALMER, L.; BRIGGS, C.; MCFADDEN, S.; ZINI, G.; BURTHEM, J.; ROZENBERG, G.; PROYTCHEVA, M.; MACHIN, S. J. ICSH recommendations for the standardization of nomenclature and grading of peripheral blood cell morphological features. International Journal of Laboratory Hematology, v. 37, n. 3, p. 287-303, 2015. DOI: 10.1111/ijlh.12327. 

KRATZ, A.; LEE, S.-H.; ZINI, G.; RIEDL, J. A.; HUR, M.; MACHIN, S. Digital morphology analyzers in hematology: ICSH review and recommendations. International Journal of Laboratory Hematology, v. 41, n. 4, p. 437-447, 2019. DOI: 10.1111/ijlh.13042.

Brunno Câmara Autor

Brunno Câmara - Biomédico responsável técnico e gestor da qualidade no Laboratório Clínico do HC-UFG/Ebserh, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do HC-UFG/Ebserh. Mestre em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro. Tutor da residência multiprofissional de Biomedicina do HC-UFG/Ebserh. Criador do blog Biomedicina Padrão.
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