Quando Revisar a Lâmina no Hemograma? Critérios e Flags
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Definir critérios para revisão de lâminas hematológicas ajuda o laboratório a reconhecer alterações que exigem avaliação microscópica, investigar resultados potencialmente incorretos e manter uma conduta padronizada entre os microscopistas.
Mas, atenção! Esses critérios devem ser validados para o analisador utilizado no seu laboratório e também para o tipo da população atendida (adulta, pediátrica, internada, ambulatorial etc.).
A seguir você encontra recomendações gerais que podem ser usadas como base para que seu laboratório possa adaptar de acordo com a sua rotina.
🎯 Condutas
Revisar lâmina
O que fazer Examinar o esfregaço e registrar os achados relevantes.
Fazer diferencial manual
O que fazer Examinar o esfregaço e registrar os achados relevantes.
Investigar antes de liberar
O que fazer Conferir amostra, histórico, gráficos do equipamento e possíveis interferências. Repetir ou usar método alternativo conforme o caso.
Menu de navegação:
🔴 Eritrograma
Critério: Hemoglobina muito baixa ou alta
Resultado Hb < 7 g/dL ou > 2 g/dL acima do limite superior para idade e sexo, na primeira ocorrência.
Conduta Revisar a lâmina e conferir a integridade da amostra.
Critério: Microcitose ou macrocitose acentuada
Resultado VCM < 75 fL ou > 105 fL em adulto, na primeira ocorrência.
Conduta Revisar a morfologia eritrocitária e considerar o tempo de armazenamento da amostra.
Critério: Anisocitose acentuada
Resultado RDW > 22%, na primeira ocorrência.
Conduta Revisar a lâmina.
Critério: Suspeita de fragmentação
Resultado Flag de esquizócitos
Conduta Revisar com prioridade e avaliar a presença de esquizócitos.
🟣 Leucograma
As contagens absolutas abaixo estão expressas por µL (mm³).
Critério: Leucopenia ou leucocitose acentuada
Resultado Leucócitos < 4.000 ou > 30.000, na primeira ocorrência.
Conduta Revisar a lâmina.
Critério: Neutropenia ou neutrofilia acentuada
Resultado Neutrófilos < 1.000 ou > 20.000, na primeira ocorrência.
Conduta Revisar a lâmina e fazer diferencial manual.
Critério: Lifocitose
Resultado Linfócitos > 5.000 em adultos ou > 7.000 em menores de 12 anos, na primeira ocorrência.
Conduta Revisar morfologia linfocitária.
Critério: Monocitose
Resultado Monócitos > 1.500 em adultos ou > 3.000 em menores de 12 anos, na primeira ocorrência.
Conduta Revisar a lâmina.
Critério: Eosinofilia ou basofilia acentuada
Resultado Eosinófilos > 2.000 ou basófilos > 500, na primeira ocorrência.
Conduta Revisar a lâmina.
Critério: Diferencial ausente ou não confiável
Resultado Equipamento não forneceu diferencial válido.
Conduta Revisar a lâmina e fazer diferencial manual.
Critério: Suspeita de blastos
Resultado Flag de blastos
Conduta Revisar a lâmina com prioridade e fazer diferencial manual.
Critério: Suspeita de linfócitos atípicos ou anômalos
Resultado Flag de linfócitos atípicos
Conduta Revisar a lâmina e fazer diferencial manual, se necessário.
Critério: Granulócitos imaturos
Resultado Flag de granulócitos imaturos (IG)
Conduta Revisar a lâmina e fazer diferencial manual.
Critério: Presença de eritroblastos
Resultado Flag de NRBC
Conduta Revisar lâmina; confirmar o achado e verificar se a contagem de leucócitos precisa de correção.
🟠 Plaquetograma
Critério: Trombocitopenia ou trombocitose acentuada
Resultado Plaquetas < 100.000/µL ou > 1.000.000/µL, na primeira ocorrência.
Conduta Revisar a lâmina e conferir a estimativa plaquetária.
Critério: Mudança inesperada da contagem
Resultado Falha no delta check de plaquetas.
Conduta Revisar a lâmina e investigar a causa da variação.

Regras gerais
Primeira amostra de recém-nascido: revisar a lâmina. Criar limites pediátricos próprios para as demais situações.
Resultado fora da faixa analítica, parâmetro não liberado pelo equipamento ou suspeita de coágulo: resolver primeiro a confiabilidade da contagem. A lâmina pode ajudar na investigação, mas não substitui repetição, diluição ou método alternativo quando necessários.
Alteração previamente confirmada: usar histórico e delta check validados para decidir se é necessária nova revisão. Isso não dispensa a investigação de um novo flag suspeito ou de uma mudança clínica relevante.
Morfologia digital: pode apoiar a triagem e a pré-classificação, desde que o fluxo seja validado e a interpretação de células suspeitas permaneça sob responsabilidade de profissional habilitado.
Referências
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PALMER, L.; BRIGGS, C.; MCFADDEN, S.; ZINI, G.; BURTHEM, J.; ROZENBERG, G.; PROYTCHEVA, M.; MACHIN, S. J. ICSH recommendations for the standardization of nomenclature and grading of peripheral blood cell morphological features. International Journal of Laboratory Hematology, v. 37, n. 3, p. 287-303, 2015. DOI: 10.1111/ijlh.12327.
KRATZ, A.; LEE, S.-H.; ZINI, G.; RIEDL, J. A.; HUR, M.; MACHIN, S. Digital morphology analyzers in hematology: ICSH review and recommendations. International Journal of Laboratory Hematology, v. 41, n. 4, p. 437-447, 2019. DOI: 10.1111/ijlh.13042.