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A jornada de um estudante de biomedicina no Ciência sem Fronteiras – Capítulo 2

terça-feira, outubro 21, 2014 0 Comentários


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Nesse capítulo, Luiz fala de como foi sua chegada aos Estados Unidos, como foi ouvir as pessoas falando inglês, de sua chegada ao dormitório, das primeiras aulas, da comida e muito mais. Confira! Clique aqui para ler o primeiro capítulo.

Oi, sou eu de novo, só para avisar que o avião pousou… e já faz dois meses. Acredito que estou um pouco atrasado, mas mesmo assim voltarei para o momento em que desembarquei nos Estados Unidos. Era um domingo ensolarado, dia perfeito para alguém se mudar para o exterior. Quando fui buscar minha mala, comecei a lembrar das coisas que deixei para trás e tomar consciência de que a partir daquele momento era comigo. Era engraçado ouvir conversas em inglês, pois meu cérebro ainda estava no Brasil. O meu primeiro contato com algum americano foi para pedir informação sobre qual lado era a saída e a resposta foi: “Siga as placas, rapaz.” Provavelmente ele não estava tendo um dia feliz.

A minha universidade mandou alguém buscar os novos alunos internacionais e eu estava lá entre eles, apavorado. Com medo de não ter a opção “voltar”, queria um controle para pausar e refletir se tinha feito a escolha certa. Nesse momento, lembrei que o medo faz parte dessa experiência e que se eu não enfrentasse o primeiro obstáculo, os próximos seriam ainda mais difíceis. Respirei fundo e sorri, fingi que tudo estava maravilhoso (acredito que os meus colegas faziam o mesmo). Seguimos em direção à universidade. Foi uma viagem engraçada, pois todos estavam contando como foram parar lá, relembrando todas as etapas difíceis que o Ciência sem Fronteiras nos fez passar e quais eram as expectativas nessa nova vida. Minha universidade fica na cidade de Plattsburgh (não é Pittsburgh, mãe!). Quando cheguei, vi que era pequena, mas bonita. Para falar a verdade, eu pensei: NÃO TEM APPLE STORE (hahaha).


Dormitório

Chegando no campus, entrei em choque: era totalmente diferente de tudo o que já vi, parecia uma cidade dentro de outra cidade. Achei que nada superaria minha alegria com a estrutura da universidade, porém, quando me levaram ao meu quarto, mudei de ideia, já que os dormitórios são gigantes. Fiquei em um prédio chamado de Fredenburgh Hall (demorei três semanas para decorar o nome). Aqui, os dormitórios ou são suíte ou quarto normal. O meu é em uma suíte, com quatro quartos (duas pessoas em cada), um banheiro e uma sala. Agora imaginem: 10 andares com quatro quartos desse tipo (é muito grande). A minha expectativa era para saber quem seria o meu colega de quarto… que nunca apareceu (hahaha). Isso mesmo, eu moro sozinho, sou meu próprio roomate.

Na primeira semana, já fomos apresentados às festas americanas e posso dizer: É LOUCA! Fiquei vários dias recebendo as instruções iniciais e foi nesse momento que as primeiras amizades começaram a ser construídas. Já ouviu a frase: “Não se misture com os brasileiros, você não vai aprender inglês.” Meu querido, isso é falso. Só aqui é possível perceber a importância de se ter amigos do Brasil, compartilhar com pessoas que estão na mesma situação, que entendem os seus medos e podem te ajudar (além de adorarem festas).

Já ouviu a frase: “Não se misture com os brasileiros, você não vai aprender inglês.” Meu querido, isso é falso. Só aqui é possível perceber a importância de se ter amigos do Brasil, compartilhar com pessoas que estão na mesma situação, que entendem os seus medos e podem te ajudar (além de adorarem festas).

O primeiro dia de aula estava se aproximando e, por incrível que pareça, estava tranquilo. Um dia antes, fiz minha mochila com o material de sobrevivência universitário: dois lápis, uma caneta e uma borracha. Desta vez eu quis começar o semestre mais chique, então comprei um caderno em vez das folhas soltas (hahaha). Quando cheguei na aula, sentei-me na frente e ali esperei. Nos primeiros minutos, veio a primeira diferença: pontualidade. A professora começou a aula no horário e disse apenas: “Sejam bem-vindos, parabéns por estarem aqui, vamos começar.” Poxa, nem uma conversinha? (hahaha). No início, foi um pouco difícil entender tudo o que era dito em aula, pois eles são americanos nativos e partem do princípio de que você entende a grande maioria das palavras. Meu cérebro traduzia as palavras para o português, mas com um atraso de alguns segundos. Pensei: FERROU (pra não falar a outra palavra que rima com Romeu), NUNCA VOU APRENDER INGLÊS, ME TIREM DAQUI. O desespero durou cinco minutos, usei a técnica do “respire fundo and keep calm”.

Primeiro Dia
Primeiro dia

Quando a aula estava terminando, a segunda diferença: homework. Caro leitor, pense na pior coisa que existe no mundo, multiplique por dois, é igual à homework. A tradução para o português é “trabalho de casa”, pode parecer um pouco primário e infantil, mas não é. Aqui, nos Estados Unidos, os professores passam diariamente tarefas para você realizar em casa e o pior: eles não sentem pena. Às vezes, precisamos ler textos enormes para o dia seguinte e, se você não fizer, passará vergonha. Como quase todas as aulas começam com debates sobre o tema que era para ser estudado, você precisa estar preparado para defender seu ponto de vista e criticar o do outro. Algumas vezes, sinto-me em uma batalha, do tipo “o último que continuar respirando ganha”.

O professor fica incentivando os alunos a debater e sempre colocando “lenha na fogueira” como, por exemplo:

- Na minha opinião, o arroz vai embaixo do feijão (afirma um aluno).
- Não concordo (responde baixinho o aluno no fundo da sala).
- Ele não concorda com a sua opinião, acho melhor resolverem isso (diz o professor com uma excelente audição).

É como se ele falasse “chamou sua mãe de galinha, dá um soco nele”. Brincadeiras à parte, isso reflete o estilo americano de incentivar o debate, a crítica e a construção de um futuro líder. As emoções de um intercâmbio são infinitas, desde a primeira aula até a comida.

Por falar em comer, aqui vai a realidade: a comida é ruim. Eu não sei se acho ela ruim por não ser boa ou porque a comida brasileira é maravilhosa, ainda preciso decidir. O grande problema é a quantidade de pimenta que eles colocam, parece um jeito preguiçoso de temperar. Quando contei para alguns americanos o que usamos na nossa comida, eles falaram “nossa, pra que tanta coisa?”. Ah, meu querido, para ter gosto! Quase tudo que comemos aqui caminha para uma “via única” de sabor: apimentado, um pouco doce e com gosto de sei-lá-o-quê. Mas EXISTEM OPÇÕES. É barato? NÃO. É caro? SIM (principalmente para nós, pobres bolsistas).

Se você quiser ir a um restaurante de carne toda a semana, provavelmente falirá. Tento sempre buscar um restaurante como o que já aconselhava meu pai (saudades pai) BBB: bom, bonito e barato. Nem sempre funciona, normalmente só encontramos o “B” de barato, que nada tem de bonito nem bom. Porém, um dia desses fui a um restaurante chinês com alguns amigos e posso dizer que foi uma experiência doida. Você pagava US$ 10 para comer o que quisesse. O ambiente era estranho, com aquários repletos de peixes tristes (eu sentia pela carinha deles), vários chineses correndo, além de ser quente. Pensei: vou comer essa comida e, provavelmente, morrer. Mas não julgue um livro pela capa, ERA BOM. Sério. Eu comi até um pastelzinho de caranguejo com cream cheese... quando que isso aconteceria na minha vida?

Acho que saí um pouco do assunto, mas queria compartilhar essa experiência. Tenho vivido momentos maravilhosos (alguns estranhos) nesses dois meses. Tenho muitas coisas para compartilhar, sabe-se lá quantos capítulos essa história terá. Rimou. Acho que uma rima no final do texto é clichê, quem sabe na próxima vez eu termine com um rap.

Uma novidade, pessoal. Tomei coragem e criei um canal no Youtube para compartilhar histórias e experiências que acontecem na minha vida. O primeiro vídeo já está no ar, dê uma olhada e inscreva-se no canal.

Vlog #1 - Ciência Sem Fronteiras, Estados Unidos e Biomedicina. : http://youtu.be/Khxi-ShXYiU

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Brunno Câmara Biomédico

Biomédico, CRBM-GO 5596. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast (biomedcast.com).