O uso do NAT (Nucleic Acid Technologies) no Banco de Sangue

Por Brunno Câmara - quarta-feira, outubro 09, 2013


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Com o avanço tecnológico, a hemoterapia, ou medicina transfusional, como também é conhecida, está bem avançada, principalmente em relação aos exames sorológicos, que passaram a ser obrigatórios. Atualmente, o teste mais utilizado no país para controle de qualidade do sangue doado é o ELISA (Ensaio de Imunoabsorção Ligado à Enzima), que detecta o HIV em aproximadamente 22 dias após a infecção e o HCV (vírus da hepatite C) em aproximadamente 70 dias.
Tabela de Comparação
Comparação entre as metodologias utilizadas em Banco de Sangue.
 
Entretanto, há alguns anos, países desenvolvidos utilizam técnicas de biologia molecular para detecção de ácidos nucléicos (NAT) de agentes patogênicos transmissíveis por transfusão, principalmente para o HIV e HCV. No Brasil, alguns serviços hemoterápicos também já utilizam essa tecnologia na rotina de triagem laboratorial de doadores de sangue.
 
O NAT (Teste de Ácido Nucléico) reduz o tempo de detecção do HIV para cerca de 6 a 10 dias e do HCV para 20 dias comparado com o grande tempo que se leva para detecção dos agentes pelo teste ELISA. A diferença entre os dois testes é que o NAT investiga o material genético do vírus, enquanto o ELISA verifica a presença de anticorpos contra o vírus no organismo. A vantagem do NAT é que ele encurta a janela imunológica, ou seja, período em que o vírus permanece indetectável em um indivíduo.
HCV
Janela imunológica na infecção pelo HCV com os marcadores utilizados.
Comprovadamente mais eficaz, o NAT, que utiliza tecnologia da biologia molecular, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para ser implantado em hemocentros do país, mas ainda encontra barreiras para ser adotado no Sistema Único de Saúde (SUS) e ter cobertura das operadoras de saúde.
 
Uma das dificuldades encontradas é que a tecnologia do NAT aprovada pra uso no Brasil é importada, o que aumenta o custo, atrasando assim, sua adoção. Por isso, cientistas brasileiros já trabalham na criação de um kit molecular simples, automatizado e altamente sensível para a detecção simultânea do HIV e HCV.
 
Existem várias outras ferramentas que devem ser utilizadas em paralelo ao NAT. Uma delas é a aplicação de boas práticas laboratoriais nos testes ELISA utilizada rotineiramente na triagem de doadores. E para diminuir ainda mais o risco residual de transmissão de HIV por transfusão sanguínea, além da introdução do exame, é preciso educar as pessoas a não procurarem os bancos de sangue para teste logo após comportamentos de risco.

Notícia: Novos testes de Bio-Manguinhos geram economia ao Ministério da Saúde
Dois novos produtos de Bio-Manguinhos ajudarão não só os brasileiros que utilizam a rede pública de saúde como também o próprio Ministério da Saúde (MS). Isso porque o teste confirmatório imunoblot rápido DPP® HIV-1/2 e o KIT NAT HIV/HCV reduzirão consideravelmente os altos gastos do governo com a importação desses produtos. A economia pode chegar a 80%.

Biomedicina e Banco de Sangue
Referências
CALEGARIO, T.A. Implantação do NAT nos bancos de sangue. Tubarão. 2009

Brunno Câmara Autor

Brunno Câmara - Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Docente do Ensino Superior dos cursos de graduação em Biomedicina e Farmácia. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Mestrando no Programa de Pós-graduação em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública - UFG (IPTSP-UFG). Coordenador e docente do curso de pós-graduação em Hematologia e Hemoterapia da AGD Cursos. Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast.

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