Por que dosar C3 e C4 séricos

Por Brunno Câmara - sexta-feira, fevereiro 28, 2020



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A dosagem sérica dos componentes C3 e C4 do sistema complemento é útil no diagnóstico e monitoramento de doenças do complexo imune, como o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), e infecções.

Os componentes do sistema complemento são proteínas de fase aguda e podem estar normais, mesmo com seu consumo, em algumas doenças infecciosas e inflamatórias.
C3 e C4 devem ser dosados juntos, visto que dão informações sobre a ativação do sistema complemento.

Às vezes, C3 isoladamente pode estar diminuído em doenças infecciosas, como septicemia e endocardite.

Ambos C3 e C4 geralmente estão diminuídos em doenças do complexo imune.

Diminuição isolada de C4 é encontrada em angioedema, vasculite e crioglobulinemia.

O consumo de um ou dos dois componentes pode ser útil no prognóstico de certas doenças, como na nefrite lúpica.

Defeitos genéticos

Apesar de deficiências genéticas de C3 são raras, defeitos em outros componentes que são mais comuns (ainda raros mesmo assim) podem resultar em níveis baixos de C3.

Defeitos genéticos de C4 são raramente detectados. Deficiência no inibidor de C1 geralmente é detectada pela investigação de níveis baixos de C4.

C4

Em adultos, os níveis de C4 giram em torno de 20 a 50 mg/dL.

Valores até duas vezes o limite superior são encontrados na fase aguda.

Valores inferiores a 1 mg/dL sugerem fortemente em doença do complexo imune.

Dosagens seriadas são importantes para avaliar a atividade da doença.

C3

Em adultos, os níveis de C3 giram em torno de 90 a 180 mg/dL.

Valores até duas vezes o limite superior são encontrados na fase aguda.

Valores inferiores a 1 mg/dL podem ser encontrados em doença do complexo imune, septicemia, bacteremia, após glomerulonefrite estreptocócica.

Associação entre C3 e C4

Níveis diminuídos de C3, associados com níveis baixos de C4, demonstram ativação da via clássica e sugerem doença do complexo imune, principalmente LES.

Níveis baixos de C3 com C4 normal demonstra ativação da via alternativa, o que é sugestivo de doença infecciosa ou atividade do fator nefrítico (autoanticorpo).

Referência

Janeway CA Jr, Travers P, Walport M, et al. Immunobiology: The Immune System in Health and Disease. 5th edition. New York: Garland Science; 2001. The complement system and innate immunity.

Brunno Câmara Autor

Brunno Câmara - Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Docente do Ensino Superior. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Mestre em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro (área de concentração: virologia). Coordenador e docente do curso de pós-graduação em Hematologia e Hemoterapia da AGD Cursos. Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast.
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