Qual a função do sistema complemento (resumido)

Por Brunno Câmara - quinta-feira, fevereiro 27, 2020



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O sistema complemento é um dos principais mecanismos para que o reconhecimento de patógenos seja convertido em uma resposta imune efetiva contra uma infecção inicial.

O complemento é um sistema de proteínas plasmáticas que podem ser ativadas diretamente por patógenos ou indiretamente através de anticorpos ligados a patógenos, levando a uma cascata de reações que acontecem na superfície do patógeno e gera componentes ativos com várias funções efetoras.

Vias de ativação de complemento

Existem três vias de ativação do sistema complemento:

  • Via clássica - ativada diretamente pelo patógeno ou indiretamente por anticorpos que se ligam na superfície do patógeno;
  • Via da lectina ligadora de manose;
  • Via alternativa - fornece uma amplificação para as outras duas vias.

As três vias podem ser iniciadas independentemente da presença de anticorpos, como parte da imunidade inata.

Eventos iniciais

Os eventos iniciais consistem numa sequência de reações de clivagem em que um produto maior da clivagem liga-se de forma covalente à superfície do patógeno e contribui para a ativação do próximo componente.

As vias se convergem com a formação da enzima C3 convertase, que cliva C3 para produzir o componente do complemento C3b.

A ligação de uma grande quantidade de moléculas de C3b ao patógeno é o evento central da ativação do complemento.

Essa ligação é reconhecida por receptores de células fagocíticas, que englobam os patógenos opsonizados por C3b e seus fragmentos inativos.

Os fragmentos menores de C3, C4 e, especialmente, C5, recrutam fagócitos para o sítio de infecção e os ativam por meio de receptores específicos.

Juntas, essas atividades promovem a fagocitose e destruição de patógenos pelos fagócitos.

Eventos tardios

As moléculas de C3b que ligam-se a C3 convertase iniciam os eventos tardios, ligando-se a C5 para fazer com que esse componente fique susceptível à clivagem por C2b ou Bb.

O fragmento maior, C5b, inicia a montagem de um complexo de ataque à membrana (MAC), o que resulta na lise de determinados patógenos.

A atividade dos componentes do complemento é modulada por um sistema de proteínas regulatórias que previnem dano tecidual como resultado da ligação inadvertida desses componentes às células do hospedeiro ou ativação espontânea do complemento no plasma.


Referência

Janeway CA Jr, Travers P, Walport M, et al. Immunobiology: The Immune System in Health and Disease. 5th edition. New York: Garland Science; 2001. The complement system and innate immunity.

Brunno Câmara Autor

Brunno Câmara - Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Docente do Ensino Superior. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Mestre em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro (área de concentração: virologia). Coordenador e docente do curso de pós-graduação em Hematologia e Hemoterapia da AGD Cursos. Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast.
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