4 técnicas para avaliar a função plaquetária

Por Brunno Câmara - terça-feira, janeiro 21, 2020



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As plaquetas contribuem para a hemostasia de dois modos diferentes.

Primeiro, por meio de suas funções adesivas e coesivas que levam a formação do tampão hemostático.

Segundo, elas podem ativar os mecanismos de coagulação através da exposição de sua superfície fosfolipídica (propriedade procoagulante).
Existem várias formas de avaliar a função das plaquetas. A seguir, você encontra as quatro principais.

1. Tempo de sangramento

Indica quão bem as plaquetas interagem com os vasos sanguíneos para formar o coágulo sanguíneo.

É usado para avaliar defeitos qualitativos das plaquetas e realizado diretamente no paciente (in vivo).

Os dois principais métodos são:

  • Técnica de Ivy;
  • Técnica de Duke.


Resumidamente, o resultado do teste é o tempo decorrido entre o momento em que uma pequena lesão foi feita na pele do paciente até o sangramento cessar.

2. PFA-100

O PFA (platelet function analyzer), da empresa Siemens Healthcare Diagnostics, se tornou uma ferramenta importante para detectar anormalidades na hemostasia primária em pequenas quantidades de amostra de sangue.

Esse equipamento emula in vitro a fase plaquetária da hemostasia primária.

Basicamente, ele monitora a interação plaquetária com as membranas revestidas com colágeno-ADP ou colágeno-epinefrina.

Uma amostra de sangue citratado é colocado no aparelho em um fluxo controlado que possui uma abertura de 150 micrômetros na membrana.


O resultado do teste indica o tempo em que demorou para a abertura ser obstruída pelo coágulo (tempo de obstrução).

Se o tempo prolongar significa que as plaquetas não estão conseguindo aderir/agregar na membrana.

3. Teste de agregação plaquetária

A agregação plaquetária envolve uma série de testes realizados em sangue total ou plasma rico em plaquetas (PRP) usando várias substâncias agonistas.

Agonistas mais comuns:

  • Ácido araquidônico
  • Trombina
  • ADP
  • Epinefrina
  • Colágeno
  • Ristocetina

O agonista é adicionado na suspensão e uma medida dinâmica da agregação plaquetária é registrada.

Um equipamento chamado agregômetro é utilizado, equipado com cuvetas e barras giratórias e aquecido a 37ºC.


O agente agregante é adicionado, muda a densidade ótica do meio e os resultados são plotados na curva de agregação.

4. Citometria de fluxo

A citometria de fluxo também pode ser utilizada para avaliar a função das plaquetas, por meio da identificação dos marcadores de superfície plaquetária.

  • Marcadores de superfície: CD41 (GP IIb/IIIa), CD42a (GPIX), CD42b (GPIb) e CD61
  • Marcadores de ativação plaquetária: AC-1 (IIb/IIIa ativado), CD62P (P-selectina), CD31 (PECAM) e CD63


A ausência ou malformação desses marcadores causam defeitos na função das plaquetas, visto que suas moléculas de superfície são importantes para a adesão e agregação na hemostasia primária.

Geralmente esses defeitos são encontrados em doenças plaquetárias hereditárias.

Referência

Platelet Research Laboratory (platelet-research.org)

Brunno Câmara Autor

Brunno Câmara - Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Docente do Ensino Superior. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Mestre em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro (área de concentração: virologia). Coordenador e docente do curso de pós-graduação em Hematologia e Hemoterapia da AGD Cursos. Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast.
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