Nobel de Medicina ou Fisiologia 2019 - Como as células se adaptam aos níveis de oxigênio

O Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina de 2019, anunciado hoje, foi para três pesquisadores que demonstraram como o as células percebem e se adaptam à disponibilidade de oxigênio.
Os três ganhadores são: William Kaelin, Jr., Peter Ratcliffe e Gregg Semenza.
Biomédico brasileiro faz parte do grupo de pesquisa do ganhador do Nobel de medicina 2018
Fonte da imagem: currículo Lattes
No dia 01 de outubro, foram anunciados os ganhadores do prêmio Nobel de fisiologia ou medicina 2018. Por meio do biomédico prof. Antônio Neto, fiquei sabendo que o biomédico brasileiro, Jorge Scutti, participa do grupo de pesquisa do ganhador americano, James P. Allison que trabalha com a proteína de linfócitos T, CTLA-4. Inclusive, Scutti tem coautoria em artigos com Allison.
O biomédico Jorge Scutti possui graduação em Biomedicina, Mestrado e Doutorado em Microbiologia e Imunologia pela Universidade Federal de São Paulo. Fez pós-doutorado no Hospital Israelita Albert Einstein com ênfase na avaliação do microambiente aterosclerótico e participação das proteínas BMP (Bone Morphogenetic Proteins) e postdoctoral Fellow no MD Anderson Cancer Center - Houston (Texas) no Departamento de Pediatria. com ênfase no desenvolvimento de estratégias terapêuticas baseadas em Imunoterapia para Glioma Pontino Difusamente Intrínseco (DIPG) utilizando células NK como efetoras e inibidores de histonas acetilases (HDACi).
Atualmente é Research Scientist do MD Anderson Cancer Center no Departamento de Imunologia o qual é responsável pela avaliação do perfil imunológico de pacientes submetidos a Clinical trials com inibidores de checkpoints (checkpoint inhibitors) tais como Ipilimumab e Nivolumab.
Como Scutti conheceu Allison
Em entrevista ao blog “Cadê a cura” da Folha de São Paulo, Jorge Scutti conta como acabou trabalhando com Nobel de medicina de 2018.
Ele conta que por gostar de programas de TV como o desenho animado “Laboratório de Dexter” e “Mundo de Beakman”, sabia que seu destino era a ciência. Sendo assim, aos 18 anos começou a cursar biomedicina no interior de São Paulo e se apaixonou pela imunologia. Gostou tanto que fez mestrado e doutorado nessa área.
Depois de finalizar o doutorado, Scutti começou seu pós-doutorado no departamento de pediatria do MD Anderson Cancer Center em Houston, Texas, EUA. Após esse período, começou sua carreira como pesquisador da plataforma de imunoterapia do MD Anderson, liderada pelo agora laureado James Allison.
“Eu me encontrava com James Allison periodicamente em nossa reunião semanal. É um sujeito inteligentíssimo, cavalheiro e extremamente humilde, apesar do vasto conhecimento. Ele adorava que os pesquisadores trouxessem desafios, sentia-se bem ao ser estimulado intelectualmente. Foram três anos de muito aprendizado, de noites sem dormir, de viagens a congressos, de discussões longuíssimas… Mas tudo valeu pena.”, afirma o biomédico ao blog Cadê a cura.
Deixo aqui meus parabéns a Scutti, por mostrar que quando se quer, é possível chegar longe. Inclusive sendo Biomédico! Com certeza é um grande incentivo a todos os biomédicos do Brasil.
Aproveito para deixar o convite para uma entrevista no blog e também no Biomedcast (contato: blogbiomedicinapadrao@gmail.com).
Referências e fontes
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0086807906383110
Blog Cadê a cura (Folha de São Paulo): https://cadeacura.blogfolha.uol.com.br/
Anu Sharma, Sumit K Subudhi, Jorge Blando, Jorge Scutti, Luis Vence, Jennifer A. Wargo, James P. Allison, Antoni Ribas and Padmanee Sharma. Anti-CTLA-4 immunotherapy does not deplete FOXP3+ regulatory T cells (Tregs) in human cancers. Clin Cancer Res July 27 2018.
Nova terapia contra o câncer dá a dois pesquisadores o Nobel de fisiologia ou medicina 2018
Ilustração: The Nobel Committee for Physiology or Medicine. Ilustrador: Mattias Karlén
Estimulando a habilidade própria do sistema imune em atacar células tumorais, os ganhadores do Prêmio Nobel de 2018 estabeleceram um princípio para a terapia contra o câncer totalmente nova.
O resultado foi divulgado hoje, 01/10, e os ganhadores são James P. Allison e Tasuku Honjo, pela descoberta de uma nova terapia para o câncer por meio da inibição da regulação negativa do sistema imune.
James P. Allison e a proteína CTLA-4
Em 1990, James P. Allison estudou uma proteína de linfócitos T, chamada CTLA-4, e observou que ela freava a atividade desses linfócitos. Ele então teve a ideia de desenvolver um anticorpo que se ligasse à CTLA-4 e bloqueasse sua função.
Ele então investigou se esse bloqueio poderia “desfrear” os linfócitos T e liberar o sistema imune para atacar as células cancerígenas. Como resultado, ele observou que os camundongos com câncer foram curados quando tratados com os anticorpos anti-CTLA-4.
Em 2010, um importante estudo clínico mostrou efeitos impactantes em pacientes com melanoma avançado. Em alguns pacientes os sinais de um câncer remanescente desapareceram, resultado nunca visto antes nesse grupo.
Tasuku Honjo e a proteína PD-1
Em 1992, Tasuku Honjo descobriu outra proteína, chamada PD-1, também expressa na superfície dos linfócitos T. Ele então explorou suas funções ao longo do tempo. Os resultados mostraram que, similarmente à CTLA-4, a PD-1 funciona como um freio de linfócitos T, mas por um mecanismo diferente.
Em experimentos animais, o bloqueio da PD-1 também mostrou-se ser uma estratégia promissora para o tratamento do câncer. Em 2012, um estudo clínico demonstrou a eficácia do tratamento de pacientes com diversos tipos de câncer. Os resultados foram excelentes, levando a remissão prolongada e possível cura em vários pacientes com câncer metastático.
Terapia de ponto de checagem imune
O tratamento mudou dramaticamente o prognóstico de certos grupos de pacientes com câncer em estágio avançado. Claro, há efeitos adversos, como reações autoimunes, mas geralmente são manejáveis.
Das duas estratégias, a terapia contra a PD-1 provou-se mais efetiva e resultados positivos estão sendo observados em vários tipos de câncer, incluindo o de pulmão, rim, linfoma e melanoma.
Novos estudos clínicos indicam que a combinação das duas terapias, tendo como alvo tanto CTLA-4 quanto PD-1, é ainda mais efetiva.
Por mais de 100 anos, cientistas tentaram estimular o sistema imune para lutar contra o câncer. Até a descoberta pelos dois ganhadores desse Nobel, o progresso no desenvolvimento clínico era modesto. A terapia de ponto de checagem imune revolucionou o tratamento contra o câncer e mudou fundamentalmente a maneira como vemos como o câncer pode ser manejado.
Fonte: https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/2018/summary/
Publicações-chave
Ishida, Y., Agata, Y., Shibahara, K., & Honjo, T. (1992). Induced expression of PD-1, a novel member of the immunoglobulin gene superfamily, upon programmed cell death. EMBO J., 11(11), 3887–3895.
Leach, D. R., Krummel, M. F., & Allison, J. P. (1996). Enhancement of antitumor immunity by CTLA-4 blockade. Science, 271(5256), 1734–1736.
Kwon, E. D., Hurwitz, A. A., Foster, B. A., et al. (1997). Manipulation of T cell costimulatory and inhibitory signals for immunotherapy of prostate cancer. Proc Natl Acad Sci USA, 94(15), 8099–8103.
Nishimura, H., Nose, M., Hiai, H., et al. (1999). Development of Lupus-like Autoimmune Diseases by Disruption of the PD-1 gene encoding an ITIM motif-carrying immunoreceptor. Immunity, 11, 141–151.
Freeman, G.J., Long, A.J., Iwai, Y., et al. (2000). Engagement of the PD-1 immunoinhibitory receptor by a novel B7 family member leads to negative regulation of lymphocyte activation. J Exp Med, 192(7), 1027–1034.
Hodi, F.S., Mihm, M.C., Soiffer, R.J., et al. (2003). Biologic activity of cytotoxic T lymphocyte-associated antigen 4 antibody blockade in previously vaccinated metastatic melanoma and ovarian carcinoma patients. Proc Natl Acad Sci USA, 100(8), 4712-4717.
Iwai, Y., Terawaki, S., & Honjo, T. (2005). PD-1 blockade inhibits hematogenous spread of poorly immunogenic tumor cells by enhanced recruitment of effector T cells. Int Immunol, 17(2), 133–144.
Nobel de medicina vai para pesquisador que descobriu os mecanismos da autofagia
A autofagia (do grego, auto = próprio, fagia = comer) é o processo fundamental para degradar e reciclar os componentes celulares.
Nos anos 50, cientistas notaram pela primeira vez que células podiam destruir seu próprio conteúdo através do empacotamento dentro de membranas e transportar essas vesículas para os lisossomos, para posterior degradação enzimática.
Mas, esse processo não era bem conhecido, até que o pesquisador japonês, Yoshinori Ohsumi, conduziu uma série de experimentos nos anos 90 que identificou os genes que causavam a autofagia em leveduras (e por extrapolação, em outros organismos).
As células usam a autofagia para eliminar proteínas e organelas danificadas, um mecanismo de controle de qualidade que o comitê do Prêmio Nobel afirmou “ser crítico para neutralizar as consequências negativas do envelhecimento”.
A autofagia quando desregulada está ligada a diversas doenças como o diabetes tipo 2 e a doença de Parkinson.
"The Nobel Prize in Physiology or Medicine 2016". Nobelprize.org. Nobel Media AB 2014. Web. 5 Oct 2016.
Conheça os ganhadores do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 2013
O Prêmio Nobel 2013 de Medicina ou Fisiologia homenageia três cientistas que resolveram o mistério de como a célula organiza seu sistema de transporte.
Cada célula é como uma fábrica que produz e exporta moléculas. Por exemplo, a insulina é produzida e liberada no sangue, e sinais químicos são enviados de uma célula para outra. Essas moléculas são transportadas pela célula em pequenos pacotes chamados vesículas.
Os três premiados descobriram os princípios moleculares que governam como esses produtos são levados ao lugar certo na hora certa, dentro da célula.
Randy Schekman descobriu um grupo de genes que codifica proteínas que são reguladoras essenciais do transporte das vesículas.
James Rothman desvendou um complexo proteico (imagem abaixo – laranja) que permite com que as vesículas fundam com seus alvos para permitir a transferência do produto celular.
Thomas Südhof revelou como os sinais são transmitidos de um neurônio para outro, no cérebro, e como o cálcio controla este processo. Ele identificou um complexo molecular (imagem abaixo - roxo) que reconhece íos de cálcio e ativa o processo de fusão da vesícula com a membrana.
Através destas descobertas, Rothman, Schekman e Südhof revelaram o extraordinário e preciso sistema de controle do transporte e entrega dos produtos celulares. Problemas com esse sistema produzem efeitos deletérios e contribuem para condições como doenças neurológicas, diabetes e desordens imunológicas.
Complexo proteico (laranja) faz com que as vesículas se fundam com a membrana alvo.
Com informações de nobelprize.org
Conheça os ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina 2012
O Prêmio Nobel de Medicina de 2012 foi oferecido nesta segunda-feira (8) pelo Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia, a dois pesquisadores de células-tronco, o britânico John B. Gurdon, de 79 anos, e o japonês Shinya Yamanaka, de 50.
Os cientistas descobriram, em trabalhos separados por 44 anos de distância, que células adultas podem ser "reprogramadas" para se tornar imaturas e pluripotentes, ou seja, capazes de se especializar em qualquer órgão ou tecido corporal – como nervos, músculos, ossos e pele.
Confira os estudos