O que é RT-LAMP e como ela é feita
A LAMP é uma técnica de biologia molecular desenvolvida nos anos 2000 para a amplificação de DNA. Desde então, passou por várias adaptações.
A RT-LAMP, combinação da RT com a LAMP, pode ser usada na detecção de vírus cujo material genético seja o RNA.
É assim que Anticorpos Neutralizantes são detectados
Anticorpos neutralizantes (NAbs) são anticorpos (imunoglobulinas) que neutralizam qualquer efeito biológico que uma partícula infectante possa ter, deixando-a inativa.
Eles fazem parte da imunidade adaptativa humoral contra vírus, bactérias intracelulares e toxinas de micro-organismos.
Tudo o que o Biomédico deve saber sobre as vacinas para Covid-19
A corrida para achar a vacina "perfeita" para Covid-19 está a todo vapor.
Com tantas empresas desenvolvendo e estudando segurança, imunogenicidade e eficácia, fica difícil acompanharmos tudo em tempo real.
Por isso, trouxe este post para facilitar nosso entendimento sobre essas vacinas.
Imunidade inata
Os componentes do sistema imune inato reconhecem, fagocitam e desencadeiam os mecanismos de defesa contra os vírus por meio dos receptores de reconhecimento de padrões (PRRs).
Esses PRRs reconhecem os PAMPS, padrões moleculares associados aos patógenos, como por exemplo os ácidos nucleicos virais, RNA ou DNA.
Um exemplo bastante conhecido de PRR são os Toll like receptors (TLRs).
Geralmente, o reconhecimento do ácido nucleico viral ocorre por meio dos TLRs e RLHs (Rig-1-like RNA helicase).
Exemplos de reconhecimento:
- TLR-3: RNA de fita dupla;
- TLR-7 e TLR-8: RNA de fita simples;
- TLR-9: DNA
- Induzem a maturação de células dendríticas;
- Induzem células T CD8+;
- Induzem a produção de quimiocinas que recrutam linfócitos e monócitos para o local da inflamação.
Células Natural Killer (NK)
Imunidade adaptativa
Anticorpos naturais
Anticorpos neutralizantes
Linfócitos T
Referência
O que o Biomédico precisa saber sobre a Coagulopatia associada à COVID-19

O padrão mais comum de coagulopatia observado nos pacientes hospitalizados com o COVID-19 é caracterizado pela elevação de fibrinogênio e dos níveis de D-dímero.
Essas alterações correlacionam-se com o aumento de marcadores inflamatórios, como a proteína C reativa.
A COVID-19 não é uma doença hematológica

Um artigo preliminar colocado no site ChemRxiv ¹ tem chamado atenção por afirmar que o SARS-CoV-2 inibe o metabolismo do heme humano.
Com base nisso, algumas pessoas estão espalhando por aí que a COVID-19 é um "doença hematológica". E, provavelmente, não leram o artigo original.
Mas temos que ser críticos e analisar detalhadamente esse trabalho.
Estudo mostra a resposta de anticorpos em pacientes com COVID-19

Atualmente, a detecção do SARS-CoV-2 é baseada na técnica de rRT-PCR e é, praticamente, a única maneira de confirmar o diagnóstico da COVID-19.
Visto que o SARS-CoV-2 é um vírus emergente, a resposta sorológica na infecção é desconhecida até o momento.
Por isso, pesquisadores da China estudaram a dinâmica da produção de anticorpos durante a progressão da doença.
O que o Biomédico precisa saber sobre o diagnóstico laboratorial da COVID-19

Segundo o Boletim Epidemiológico sobre coronavírus do Ministério da Saúde, o protocolo para o diagnóstico laboratorial da infecção pelo SARS-COV-2 a ser seguido é o disponibilizado pela OMS, desenvolvido pelo Hospital Charité, Berlim, Alemanha.
Anvisa aprova primeiros testes rápidos para COVID-19

🔄 Atualizado em 24 de março de 2020
No dia 18 de março de 2020, a Anvisa publicou uma nova resolução (RDC 348/2020) que vai agilizar e facilitar a avaliação de produtos para diagnóstico laboratorial (in vitro) do novo coronavírus.
Com isso, oito kits específicos para o diagnóstico de COVID-19 foram aprovados.
Alterações laboratoriais em pacientes com COVID 2019

🔄Atualizado em 22 de março de 2020
Um artigo científico recente reuniu dados de oito artigos publicados com informações sobre as alterações laboratoriais em pessoas com a Doença do Coronavírus 2019 (COVID-19).
5 artigos científicos sobre coronavírus que todo Biomédico deveria ler

PARA NÃO CONFUNDIR MAIS:
Nome do vírus:
Coronavírus 2 - Síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2)
Nome da doença:
Doença do Coronavírus (COVID-19)
8 coisas que todo Biomédico deve saber sobre Mononucleose Infecciosa

1. Definição
A mononucleose é uma doença que, classicamente, apresenta-se com febre, linfadenopatia (aumento de linfonodos) e faringite tonsilar.O termo "mononucleose infecciosa" foi usado pela primeira vez em 1920 para descrever um grupo de estudantes com uma mesma doença na faringe e que no hemograma apresentavam linfocitose e células mononucleares reativas.
8 coisas que todo Biomédico deve saber sobre Coronavírus

1. Surto de Coronavírus na Ásia
No momento em que escrevo este post, 440 casos de infecção por um novo tipo de coronavírus e 9 mortes já foram confirmadas.O surto começou em dezembro de 2019, em Wuhan, China, mas outros países asiáticos já confirmaram alguns casos e o vírus já chegou nos Estados Unidos.
Como vírus respiratórios são transmitidos de pessoa para pessoa

Muitos vírus são capazes de infectar o trato respiratório humano e causar doença.
Esses vírus possuem vários padrões de transmissão entre humanos; mas, todos eles têm em comum a habilidade de serem transmitidos de pessoa para pessoa.
Como o HPV de alto risco deixa a célula imortal?

Os papilomavírus (PVs) são um grupo de vírus de DNA epiteliotrópicos (tropismo pelo epitélio) que induzem lesões benignas na pele (verrugas) e nas membranas mucosas (condilomas).
Alguns PVs também estão implicados no desenvolvimento de neoplasias epiteliais, especialmente câncer do colo uterino, outros tumores no trato urogenital e cânceres das vias aéreas superiores.
Publiquei meu primeiro artigo científico - Bocavírus humano em pacientes submetidos ao TACPH
7 coisas que todo Biomédico deve saber sobre o Sarampo
1- Agente etiológico
O vírus do sarampo pertence ao gênero Morbillivírus e à família Paramyxoviridae, da ordem Mononegavirales.Um artigo publicado na revista Cancer Research, liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo, revelou um lado ainda não conhecido do Zika Vírus: terapêutico.
O Zika Vírus, em 2015, ficou extremamente conhecido ao ser relacionado como causador da Microcefalia em bebês de mães que foram infectadas durante a gestação.
A pesquisa mostrou que o vírus é capaz de infectar e destruir células cancerígenas de tumores embrionários no Sistema Nervoso Central.
O estudo, realizado em animais, injetou o vírus purificado em tumores cerebrais de embriões humanos em camundongos com o sistema imunológico reduzido.
Para saber mais, confira nosso episódio #71:
http://biomedcast.com/71-2
9 coisas que todo Biomédico deve saber sobre o Vírus Influenza
O inverno está chegando, e com isso os casos de gripe já começam a aparecer. Em Goiás, já foram registrados 63 casos e 8 mortes pelo vírus influenza H1N1. Além das mortes por H1N1, a Secretaria Estadual de Saúde registrou uma morte por H3N2, outra variação do vírus da Influenza. O órgão ainda investiga outros 26 casos.
Confira a seguir informações importantes que todo biomédico deve saber sobre o vírus influenza e a infecção por ele causada.
1. Tipos de Vírus Influenza
O vírus influenza pertence à família Orthomyxoviridae, existindo quatro tipos: A, B, C e D. Desses, o vírus influenza A é o que causa a doença mais grave e infecta uma variedade de animais, incluindo humanos, porcos, cavalos, mamíferos marinhos e várias espécies de aves.
O tipo A sofre mutações mais rapidamente e exibe um maior grau de variabilidade em sua antigenicidade e virulência do que os outros tipos. Com isso, consegue adaptar-se facilmente aos humanos, levando a uma transmissão pessoa-pessoa de forma sustentada.
2. Estrutura viral
O genoma dos vírus influenza A e B consiste de oito segmentos de RNA fita simples positividade negativa (ssRNA-), enquanto o influenza C possui um genoma de sete segmentos. Todos são envelopados.
Cada segmento codifica para uma das proteínas virais, incluindo as duas principais glicoproteínas de superfície: hemaglutinina (HA) e neuraminidase (NA).
Todos os vírus influenza A são classificados com base nessas glicoproteínas de superfície. A HA é responsável pela ligação ao ácido siálico presente na membrana plasmática do hospedeiro.
A NA é uma glicoproteína integral de membrana possuindo atividade de sialidase, estando envolvida na etapa final do ciclo de replicação e ajuda na liberação dos vírions maduros.
3. Mutações
Os dois principais fatores nas epidemias e pandemias causadas pelo influenza são a deriva genética e a mudança genética.
A deriva genética ocorre devido a mutações pontuais no genoma viral, visto que a RNA polimerase viral, ao contrário da DNA polimerase, não corrige os erros após a adição das bases aumentando a probabilidade de erros no código genético e múltiplas mutações.
A mudança genética ocorre quando duas ou mais estirpes diferentes de influenza infectam a mesma célula em um hospedeiro, levando à recombinação dos materiais genéticos, um evento que ocasionalmente gera uma nova estirpe com uma nova combinação de hemaglutinina e neuraminidase.
Essas mudanças genéticas levam a pandemias quando as novas estirpes adquirem a capacidade de transmissão sustentada entre humanos.
4. Combinação de HA e NA
Até o momento, já foram identificados 18 tipos de hemaglutininas (H1 - H18) e 11 tipos de neuraminidases (N1 - N11).
A maior parte das combinações dos tipos de H e N são encontradas em aves, que servem de reservatórios para os vírus influenza e são um grave risco, pois podem ser infectadas por múltiplas estirpes.
As diferenças entre a afinidade pelos sítios de ligação na célula fazem com que diferentes estirpes do vírus infectem humanos ou aves.
Até o momento, apenas os vírus H1N1, H2N2, H3N2, H5N1, H7N7 e H9N2 são conhecidos por infectarem humanos.
5. Pandemias
Todo ano, a população humana está sob o risco de uma pandemia de influenza, pois o vírus tem uma alta taxa de mutação.
Essas pandemias aconteceram várias vezes, com um intervalo médio de 40 anos entre uma e outra.
As três principais pandemias foram a Gripe Espanhola por H1N1 (1918-19), a Gripe Asiática por H2N2 (1957) e Gripe de Hong Kong por H3N2 (1968-69), o que resultou em uma grande quantidade de mortes.
Em 2009, um novo subtipo de influenza A, H1N1, emergiu e causou a primeira pandemia do século 21, com mais de 4.500 mortes.
6. Transmissão
Os vírus influenza são transmitidos primariamente de uma pessoa para outra por meio de gotículas respiratórias quando a pessoa infectada entra em contato com uma pessoa saudável (cerca de 1 metro).
O vírus pode sobreviver de 24 a 48 horas em superfícies rígidas não porosas, e então pode ser transmitido quando uma pessoa entra em contato com alguma dessas superfícies ou itens contaminados com as gotículas de uma pessoa infectada.
7. Infecção
Uma infecção pelo influenza é caracterizada por aparecimento súbito de febre, calafrios, cefaleia, mal-estar e mialgia, seguidos por sintomas do trato respiratório superior, como rinorreia, tosse, dor de garganta e inflamação do trato respiratório superior.
Além disso, sintomas gastrointestinais como náusea, vômito e diarreia podem estar presentes.
O período de incubação do vírus, desde a infecção até o aparecimento dos sintomas, varia de um a quatro dias, mas em alguns casos pode se estender até sete dias.
Uma pessoa infectada começa a liberar o vírus um dia anterior ao aparecimento dos sintomas, transmitindo a infecção antes de ser isolada, e o vírus continua a ser liberado até que os sintomas acabem.
8. Diagnóstico laboratorial
O vírus pode ser detectado facilmente em amostras clínicas como swab nasal/ e aspirados nasofaríngeos. Há também relatos de sua detecção em urina e fezes de pacientes infectados.
As amostras nasofaríngeas são sempre preferíveis. O melhor momento de coletar o espécime é no segundo ou terceiro dia de sintomas (pico de excreção viral).
Existem diversos métodos para a detecção do influenza, como testes rápidos, cultura viral, sorologia, RT-PCR convencional, RT-PCR em tempo real e testes de imunofluorescência.
A técnica mais sensível e específica para o diagnóstico da infecção é a RT-PCR em tempo real, detectando o RNA viral em poucas horas. Pela técnica também é possível identificar o tipo e subtipo do vírus influenza.
9. Vacina
Apesar de existirem drogas antivirais para o influenza, a administração de vacinas continua sendo a primeira linha para o manejo da doença, pois a prevenção é ainda melhor e possui melhor custo-benefício do que a cura.
A deriva genética no genoma viral fez necessária a formulação de novas vacinas a cada ano, para serem administradas em indivíduos sadios e naqueles com alto risco de complicações antes do início da temporada da doença.
Existem alguns tipos de vacinas para influenza, sendo as principais as que utilizam o vírus inativado e as que utilizam o vírus atenuado.
Para saber mais: Kumar, B., Asha, K., Khanna, M. et al. Arch Virol (2018) 163: 831. https://doi.org/10.1007/s00705-018-3708-y
